quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Esquistossomose é tema de encontro internacional promovido pela Fiocruz

Imagem de um verme adulto do gênero Schistosoma (Foto: Sinclair Stammers/TDR/OMS)


Alvo de um esforço global de controle, a esquistossomose atinge cerca de 200 milhões de pessoas em 70 países e a estimativa é de que 747 milhões vivam sob risco de infecção, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Conhecida popularmente como barriga d’água, a doença parasitária – presente em 18 estados brasileiros, com maior prevalência nas regiões Nordeste e Sudeste – será tema de debate entre especialistas, de 6 a 8 de outubro, no Rio de Janeiro. Organizado pela Fiocruz, o 12º Simpósio Internacional de Esquistossomose reúne representantes da OMS, gestores, pesquisadores nacionais e de países como Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, Suécia, Gana e Zimbábue.


As estratégias globais para pesquisa e controle da esquistossomose e outras helmintoses serão debatidas na sexta-feira (8/10). O Coordenador do Comissariado de Pesquisa sobre Doenças Infecciosas da Pobreza, do Programa de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da OMS, o cientista Arve Lee Willingham, abrirá a discussão. Em seguida, prioridades e desafios da pesquisa para o controle dessas doenças na China, África e Américas serão debatidos.



Os avanços científicos das pesquisas relacionadas à área também serão foco das discussões do evento, que conta com cerca de 400 participantes inscritos. Além dos convidados estrangeiros, 42 especialistas de sete estados brasileiros também participam. Entre os temas abordados estarão genômica, imunopatologia, bioquímica, biologia molecular e ecoepidemiologia, inovações em diagnóstico, tratamento quimioterápico e educação em saúde.



Durante o simpósio, gestores do Ministério da Saúde apresentarão um panorama sobre os principais desafios do Programa Nacional para Controle da Esquistossomose. “Alguns dias antes do início do simpósio, gestores de 27 estados brasileiros estarão reunidos para definir os avanços e desafios na área. Esta iniciativa é fundamental para que possamos ampliar a discussão e contribuir para o controle da doença, uma das doenças negligenciadas mais prevalentes no Brasil”, avalia o também integrante da comissão organizadora e pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Otávio Pieri.



De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, aproximadamente 2,5 milhões de brasileiros sofrem com a esquistossomose. “O Ministério da Saúde reconhece a esquistossomose como uma doença negligenciada prioritária, para a qual são necessárias pesquisas que gerem novos instrumentos, saberes e estratégias para seu controle e tratamento no âmbito do Sistema Único de Saúde”, explica Pieri. “Apesar da progressiva diminuição das formas graves devido às campanhas de tratamento em larga escala iniciadas na década de 70, a doença continua sendo transmitida nas áreas endêmicas, encontrando-se em franca expansão geográfica”, conclui o especialista.



A iniciativa é promovida pelo Programa Integrado de Esquistossomose da Fiocruz, com o apoio do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), dos centros de pesquisa da Fiocruz em Belo Horizonte (CPqRR), Recife (CPqAM) e Salvador (CPqGM), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do TDR. “Estamos na 12ª edição. Há mais de 25 anos que a Fiocruz organiza este simpósio. A ideia surgiu por uma provocação, no bom sentido, da própria OMS. Criamos o Programa Integrado de Esquistossomose da Fiocruz na década de 1980 e o passo seguinte seria a realização de um encontro internacional para debater aspectos relacionados à área. Deu certo e, a cada dois anos, realizamos o simpósio no Brasil, que é o maior evento sobre esquistossomose no mundo”, conta o pesquisador da Ensp e presidente do evento, Carlos Eduardo Grault. A programação completa do 12º Simpósio Internacional de Esquistossomose está disponível aqui.



Sobre a esquistossomose



Causada pelo Schistosoma mansoni, a esquistossomose é uma das doenças parasitárias com maior prevalência em países em desenvolvimento e pode estar relacionada a pouca infra-estrutura sanitária. A OMS estima que 747 milhões vivam sob risco de infecção em áreas de transmissão distribuídas em 56 países das Américas, África e Ásia. A doença é transmitida em águas não tratadas, por contato direto com as larvas do parasita, que tem no homem seu hospedeiro definitivo, mas necessita de caramujos de água doce como hospedeiros intermediários para desenvolver seu ciclo evolutivo.



Serviço
12º Simpósio Internacional de Esquistossomose

De 6 a 8 de outubro

Rio Othon Palace

Avenida Atlântica 3.264

Copacabana/Rio de Janeiro

http://www.fiocruz.br/

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