quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Lento adeus ao Código Florestal


Os ruralistas vão deixando cair as máscaras uma depois da outra. Já não precisam mais disfarçar nada, pois sabem que estão com tudo e não estão prosa


Os grandes jornais estamparam, na semana passada, a foto do bilhete da presidente Dilma endereçado à ministra Isabela Teixeira (Meio Ambiente), no qual extravasa um suposto descontentamento com o acordo fechado entre o Palácio do Planalto e a bancada ruralista para aprovar a Media Provisória (MP) do Código Florestal na comissão mista do Congresso que a analisa. A imagem foi flagrada numa reunião em Brasília.
Segundo o pequeno pedaço de papel, Dilma estaria preocupada com a alteração da “escadinha”, o escalonamento na obrigação de recuperar as chamadas Áreas de Preservação Permanente (APPs) às margens de rios e nascentes, de acordo com o tamanho do imóvel – móveis menores recuperam menos (veja a tabela abaixo, feita com base no texto aprovado na comissão mista).
Oxalá esse fosse o principal problema do texto aprovado na semana passada pela comissão e o governo estivesse realmente preocupado com uma legislação florestal coerente e eficaz para o país. Mas não é nada disso.
Enquanto a ministra veio a público dizer que não abre mão da “escadinha”, a bancada ruralista, com a benção dos emissários do Planalto, destrói o chão sobre a qual ela está apoiada. O texto aprovado – por unanimidade – acrescentou um item à MP que permite a recuperação de nascentes e matas ciliares com “árvores frutíferas”: laranjeiras, pés de café, mamoeiros e por aí vai. Não misturados entre a vegetação nativa, o que já era permitido aos pequenos agricultores e tem lá o seu sentido; mas inclusive na forma de monocultivos em grandes propriedades.
A escadinha vai sair do nada e chegar a lugar nenhum, pois uma plantação de laranja – exigente em agrotóxicos para ser produtiva – pode ter muitas funções, mas não a de proteger uma nascente ou servir como corredor de fauna ao largo de um rio, como deveria ser uma APP.
Se a regra vier a ser confirmada pelos plenários da Câmara e do Senado e a presidente não vetá-la – algo bastante plausível – um determinado médio proprietário, por exemplo, que, em 2007, tenha desmatado ilegalmente 30 hectares de vegetação à beira de um pequeno rio, poderá se “regularizar” plantando nove hectares de mamoeiros e explorando o restante da área com pasto.
Se isso tiver ocorrido numa região de cerrado goiano, por exemplo, ele terá colocado abaixo, ilegalmente, 30 hectares de vegetação com pelo menos 50 espécies diferentes de árvores e mais centenas de outros tipos de plantas, que serve de abrigo e fonte de alimentação para um incontável número de espécies animais (de grandes mamíferos a pequenos insetos). Em seu lugar plantará nove hectares de uma única espécie (talvez algum capim se espalhe por debaixo, caso não exista “faxina química” com agrotóxicos, como ocorre usualmente nessas plantações), que servirão de abrigo e alimentação apenas para algumas espécies muito generalistas de insetos e pássaros, os quais provavelmente serão atacados de forma persistente com inseticidas para não danificarem a colheita.
A MP foi editada em maio para suprir as lacunas deixadas pela sanção parcial de Dilma ao projeto aprovado pela Câmara para alterar o antigo Código Florestal. Pelas regras já sancionadas e que agora são lei, esse pequeno rio terá suas margens medidas na época da seca, e não da cheia, o que fará com que ele “diminua” de tamanho, caindo de algo próximo a 15 metros para menos de 10 metros de largura. Esse médio proprietário, segundo as regras da MP, teria de recuperar, então, 15 metros de cada lado do curso de água, ou seja, 30% da área que em 2007 estava protegida por lei (50 metros em cada margem). Com a regra acrescentada pelos parlamentares, esses 15 metros poderão ser uma monocultura de mamão.
Ah, se essa propriedade estiver dividida em mais de uma matrícula e esse proprietário cadastrar cada uma como se fosse um imóvel diferente no Cadastro Ambiental Rural, fraude possível pela nova lei que já está em vigor, o tamanho da “restauração” será bem menor, pois cada “sítio” se enquadrará num degrau mais baixo da “escadinha”, no qual a obrigação de restaurar é menor ainda.
Caminho do absurdo
A criação de laranjais “produtores de água” não foi a única modificação no texto da MP promovida pelos parlamentares. Eles também diminuíram o tamanho da área de matas ciliares e nascentes a ser restauradas pelos grandes proprietários, que agora passará a ser definido no caso a caso por meio dos programas de regularização ambiental que serão criados pelos estados. Essa é uma pauta antiga dos ruralistas: deixar para o nível local a decisão de restaurar ou não. Além disso, diminuíram a proteção às veredas e pequenos rios intermitentes – as nascentes desses rios já estão sem proteção e podem ser legalmente desmatadas pela nova lei em vigor. Aos poucos, vamos dando o adeus definitivo àquilo que um dia chamamos de legislação florestal.
O acordo fechado não surpreende, por mais absurdo que possa parecer – pelo menos aos olhos de quem acredita que proteger nossas florestas faz algum sentido. Quem acompanha a novela, já sabe seu final. Já não há mais qualquer racionalidade nas discussões parlamentares sobre a nova legislação “florestal”. Permitir “recuperação” de nascentes com cafezais e de matas ciliares com laranjais é tratado como algo razoável, que sequer suscita qualquer tipo de questionamento. Retirar a proteção à vegetação responsável pela infiltração de água que alimenta as nascentes da Caatinga e do Cerrado, justamente as que secam durante alguns meses do ano em função do estresse hídrico, é algo comemorado. Determinar que cada estado defina o quanto os grandes proprietários terão de “recuperar” – se for com pés de mexerica, a palavra está equivocada – das áreas de preservação irregularmente desmatadas, incentivando uma “guerra ambiental”, é perfeitamente normal.
Bilhete em branco
O que fica claro nessa história toda é que nenhuma das partes está preocupada em ser coerente com o que diz, mas apenas em aprovar o texto o mais rápido possível e ficar bem na foto.
O bilhetinho de Dilma, embora escrito em letras garrafais para que todas as lentes pudessem flagrá-lo, carece de sinceridade. O Palácio do Planalto já tinha deixado claro suas intenções quando optou por assinar embaixo da lista de desejos dos ruralistas e sancionar, com poucos e irrisórios vetos, o projeto por eles elaborado, editando na sequência uma medida provisória para repor parte daquilo que eles rejeitaram.
Até Eremildo, o Idiota, sabia que aquilo era um golpe de marketing. Não tinha nenhum compromisso em ser politicamente viável. Afinal, quem poderia acreditar que, já tendo sido derrotado duas vezes pelos ruralistas nesse mesmo assunto, sancionando uma lei com praticamente tudo que eles queriam, o governo teria condições de negociar com os ruralistas e garantir um texto cheio de coisas que eles não queriam? O resultado, óbvio, está aí: mais e mais concessões, mais e mais prejuízos ao meio ambiente.
Os ruralistas, por sua vez, vão deixando cair as máscaras uma depois da outra. Já não precisam mais disfarçar nada, pois sabem que estão com tudo e não estão prosa. Se no começo da campanha pela revogação do Código Florestal clamavam por regras que tivessem “base científica”, alegando que a lei revogada era dela desprovida, agora fingem que não escutam as reiteradas advertências feitas pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) às regras que aprovaram. Ou alguém acha que a regra que permite plantar laranja em nascentes é fruto de uma recomendação técnica embasada no melhor conhecimento científico?
A senadora Kátia Abreu, que até a sanção da lei pela presidente Dilma afirmava que os maiores interessados na proteção de nascentes e riachos seriam os próprios produtores rurais, na comissão especial estava na tropa de choque que aprovou o fim das matas ciliares dos rios da Caatinga e transformou as Áreas de Preservação Permanente em “Áreas de Plantações Permanentes”. Agora ela já duvida publicamente da relação entre proteção de florestas e produção de água. Com isso, ganhou o título de Doutora Honoris Causa da Academia Brasileira de Filosofia. E uma forte indicação para integrar o ministério da presidente Dilma.
Para entender as mudanças já aprovadas, que já são lei, veja tabela abaixo:
Raul Silva Telles do Valle é advogado e ambientalista do Instituto Socioambiental.
Artigo originalmente publicado no ISA

Governo é cobrado em relação à Medida Provisória do Código Florestal

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas divulgou ontem (4) uma nota em que cobra da presidenta Dilma Rousseff um posicionamento do governo em relação às mudanças introduzidas no relatório sobre a Medida Provisória (MP) 571, do Código Florestal.


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MP ameaça florestas (estaçãovida)


A MP, que bateu recordes de emendas, foi enviada ao Congresso Nacional pela presidenta Dilma Rousseff após seu veto parcial ao Código Florestal aprovado em maio deste ano.
O texto da Medida pode ser votado nesta quinta-feira (5) no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. A nota do Comitê em Defesa das Florestas critica algumas das alterações negociadas entre a bancada ruralista e os parlamentares governistas na Comissão Mista que aprovou o relatório, na semana passada.

Dentre as mudanças criticadas pelo Comitê estão: o reflorestamento de nascentes e matas ciliares com monoculturas de espécies exóticas; a redução das áreas de proteção para imóveis com até 15 Módulos Fiscais; além da delegação aos Estados para definir, caso a caso, quanto os grandes proprietários devem recuperar de Áreas de Preservação Permanente (APPs) ilegalmente desmatadas.

Para o Comitê, essas medidas permitem ainda mais desmatamentos na Amazônia e no Cerrado, além de serem totalmente desprovidas de fundamentos técnico-científicos e representarem ampliação da anistia ao desmatamento.

No final da nota, o Comitê diz esperar da presidenta uma mobilização contrária às medidas nas votações que ainda vão ocorrer na Câmara e no Senado. Caso sejam aprovadas, o Comitê espera o veto completo da presidenta. O Comitê Brasil em Defesa das Florestas é formado por mais de 200 organizações, redes e movimentos da sociedade civil organizada. 

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Povos tradicionais trancam rodovia em protesto contra Portaria 303

Cerca de 350 quilombolas e indígenas dos povos Tenetehara-Guajajara , Awá-Guajá e Ka’apor trancaram as duas faixas da BR 316 no Maranhão para protestar contra a Portaria 303. A rodovia liga as capitais São Luís, do Maranhão, e Belém, do Pará.





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Protesto no Maranhão (cimi)





As informações são do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A manifestação, que ocorreu nesta terça-feira (4), foi realizada entre municípios de Santa Inês e Bom Jardim. Os quilombolas e indígenas distribuiram panfletos, realizaram danças, cantorias e praticaram rituais.

Para as comunidades mobilizadas, a Portaria 303 possibilita a revisão de terras tradicionais já demarcadas e até homologadas, beneficiando grileiros, madeireiros e latifundiários.

Os manifestantes pediram pela revogação imediata da Portaria 303, publicada em julho pela Advocacia Geral da União (AGU). Eles protestaram contra o fato da medida determinar que terras tradicionais podem ser ocupadas por unidades e postos militares, malhas viárias, empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem a consulta aos povos.

Os indígenas e quilombolas ressaltaram que a medida da AGU desconstrói o direito constitucional indígena de usufruto exclusivo da terra de ocupação tradicional e aprofunda a compreensão de que os povos tradicionais e as terras habitadas por eles são empecilhos ao “desenvolvimento”.

Portaria 303 pretende estender condicionantes do Supremo Tribunal Federal (STF) aplicadas na demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, de 2009, para as demais terras indígenas.Porém, os manifestantes lembraram que a decisão dos ministros ainda não é definitiva, sendo essas condicionantes ainda passíveis de modificação ou anulação. 

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Empossada nova diretoria da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas



A nova diretoria da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), núcleo Ceará que é composta pelos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará, foi empossada, na quinta-feira (30 de agosto), no auditório da sede da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema).

O presidente da Caema, engenheiro João Reis Moreira Lima e outros colaboradores participaram da solenidade de posse do presidente, geólogo Carlos Borromeu de Passos Vale; Primeiro Vice-Presidente, administrador Antônio José Araújo; Segundo Vice-Presidente, geólogo Marcos Melo; Secretário Geral, empresário Walbert Pinheiro Filho; Secretário Executivo, empresário Hélio de Jesus Batalha e o Tesoureiro, geólogo José Guilherme Santos Matni.

A Abas é uma instituição privada, sem fins lucrativos, fundada em outubro de 1978. O principal objetivo da entidade é a exploração racional de um recurso que a cada dia tem seu valor renovado, que é água subterrânea. A entidade está sediada São Paulo e, conta atualmente com mais de mil membros em todo o país.

Além da exploração racional de água subterrânea, a Abas tem por finalidade congregar entidades, técnicos e simpatizantes interessados em estudo, pesquisa, tecnologia, preservação e desenvolvimento de águas subterrâneas; manter intercâmbio e cooperação com sociedades congêneres e com entidades públicas e privadas, cujas atividades se relacionem com águas subterrâneas; promover e divulgar estudos, pesquisas e trabalhos de qualquer natureza, que se refiram às águas subterrâneas através de publicações e noticiários; realizar congressos, simpósios, seminários e conferências com o propósito de difusão de trabalhos técnicos; constituir comissões e promover reuniões específicas para análise e debate de assuntos que se relacionem com águas subterrâneas; estudar e propor aos órgãos apropriados os procedimentos, normas, padronizações, regulamentos e legislação de interesse para o desenvolvimento e a preservação das águas subterrâneas.

De acordo com o novo presidente da Abas, geólogo Carlos Borromeu,  o Maranhão está passando por um momento importante, onde está sendo iniciada uma Política de Recursos Hídricos, que inclui, a regularização do Conselho Estadual de Recursos Hídricos; expedição de outorgas; aprovação das leis de águas superficiais e das águas subterrâneas e, ainda, com a criação dos dois primeiros Comitês de Bacias Hidrográficas do Munim e do Mearim.

Carlos afirmou, também, que buscará uma parceria, no sentido de contribuir com o Estado, pois este é um momento de mobilização pela regulamentação e implantação de políticas públicas que visam salvaguardar os recursos hídricos.

“Sinto-me no pleno exercício de minha cidadania, dando voluntariamente minha contribuição em busca da sustentabilidade, porque este é um momento especialmente importante para o Planeta Terra que chega aos sete bilhões de habitantes. Por isto as futuras gerações precisam de nosso trabalho agora, para que não falte água potável nos próximos anos”, disse o presidente que pela primeira vez assume a direção da entidade.

www.ma.gov.br

Amazônia por um dia, Brasil verde para sempre





O dia 5 de setembro foi escolhido para homenagear a maior floresta tropical do mundo. O Dia da Amazônia continua o mesmo, mas ela não. Há 40 anos, a floresta estava praticamente intacta, soberana, cobrindo com um tapete verde metade do território brasileiro, concentrando-se na região norte do país. Hoje, 18% do bioma já foi perdido em nome de um modelo predatório de desenvolvimento.

Não é só o tamanho da floresta que impressiona. Abrangendo os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, ela também possui a maior biodiversidade do planeta. Ela é rica em minerais, espécies vegetais e animais, e guarda cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo.

Com absorção de carbono, suas árvores também contribuem para o equilíbrio do clima global. A cada árvore que vai para o chão, uma parcela do gás vai para a atmosfera, aumentando o aquecimento da Terra.
Além desse serviço ambiental, a variedade dos solos, as altas temperaturas e a grande quantidade de chuvas fazem com que a Amazônia seja um dos patrimônios naturais mais valiosos de toda a humanidade.
Pela sua imensa extensão territorial, a Amazônia aguçou os interesses dos grandes desmatadores. Hoje, o desmatamento e a disputa por terras, principalmente, ameaçam a sobrevivência da floresta e impedem a utilização correta de seus recursos para o bem-estar de suas comunidades tradicionais.
Mas esse cenário ainda pode ser revertido. No Dia da Amazônia, dê às florestas o que elas merecem. Exerça seu dever cidadão e assine pela proteção do maior patrimônio natural do Brasil: as matas nativas. Ajude a levar ao Congresso a proposta de lei do Desmatamento Zero. Nas redes sociais, use a hashtag #DiadaAmazônia e participe da campanha por um Brasil verde e limpo.

Por: Nathália Clark, Greenpeace Brasil
http://amazonia.org.br

Maravilha!






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05 de Setembro: Dia Internacional da Mulher Indígena





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