quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A incrível resiliência dos ambientes marinhos


Agregação de peixes no Recife de Kitutia, na Tanzânia. Crédito: Jennifer O'Leary.
Um levantamento realizado por pesquisadores americanos mostra um lado positivo dos estudos sobre mudanças em ambientes marinhos provocadas pelo clima. Mais de 80% dos especialistas consultados haviam encontrado, além das alterações, evidências de resistência e rápida recuperação dos habitats O estudo foi publicado na revista BioScience, nesta quarta-feira (01).
A pesquisa foi liderada pela bióloga marinha Jennifer O´Leary, do programa California Sea Grant, iniciativa do Agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês) que financia pesquisas, ações de educação e divulgação sobre a vida marinha. "Os ecossistemas costeiros podem ainda manter um grande potencial para suportar, e há medidas que podemos tomar para ajudar a amortecer os impactos", afirmou a pesquisadora em reportagem publicada no site do programa.
Durante o estudo, foram consultados 97 especialistas em ambientes marinhos, todos com pelo menos 25 anos de experiência no estudo de habitats marinhos. O objetivo da entrevista era conhecer melhor as observações dos especialistas nas mudanças no corais provocadas por fatores relacionados ao aquecimento global, como tempestades extremas, mudanças de temperatura e acidificação do oceano.
Os autores do estudo afirmam existirem pontos de resiliência em seis grandes ecossistemas costeiros. Eles consideram que em alguns casos a recuperação foi impressionante. Na Austrália Ocidental, citam, um branqueamento severo atingiu até 90% dos corais vivos. Doze anos depois, 44% dos recifes da região já estavam recuperados.
Entre os principais fatores apontados pelos pesquisadores para essa resiliência estão a estrutura tridimensional dos corais e a alta conectividade entre as áreas remanescentes. Eles também destacam boas práticas de gestão, principalmente para evitar mais danos ao ambiente. Após o El Niño de 1997/1998, que provocou ondas fortes e altas temperaturas, por exemplo, a vegetação marinha da floresta de algas na Califórnia se recuperou graças ao alto recrutamento, ou seja, crescimento de indivíduos.
O estudo sobre a resiliência, afirmam os autores do estudo, pode levar a descoberta de condições locais e processos  que permitem aos ecossistemas, mesmo sob pressão, manter a estrutura e as funções biológicas, preservando o fornecimento de serviços ecossistêmicos. Um exemplo é a criação de redes de áreas marinhas protegidas.
"Ao entender o que podemos fazer para aumentar a resiliência futura, podemos proteger melhores hábitats de distúrbios", afirma Jennifer O´Leary. Os autores do estudo advertem, porém, que a presença de pontos de resiliência não contradiz a evidência esmagadora da grande pressão que o aquecimento global provoca sobre os ambientes marinhos. (*Com informações Bioscence/Sea Grant California).
Por Vandré Fonseca-O Eco

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uso sustentável conserva áreas úmidas


Elison Silva de Macedo/ Wikiparques
APA Baixada Maranhense (MA)





Área de Proteção Ambiental no Maranhão conta com comunidades quilombolas extrativistas para conservação da biodiversidade.



LETÍCIA VERDI
No Dia Mundial das Áreas Úmidas, 2 de fevereiro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) destaca a importância de veredas, brejos, igapós, várzeas, mangues e restingas para o uso sustentável dos recursos naturais. O Brasil conta 13 sítios Ramsar, três deles no estado do Maranhão: as Áreas de Proteção Ambiental (APA) da Baixada Maranhense e das Reentrâncias Maranhenses e o Parque Estadual Marinho Parcel do Manuel Luís.
Sítio Ramsar é o reconhecimento internacional desses ecossistemas pela Convenção de Ramsar, um tratado intergovernamental que estabelece marcos para ações nacionais e cooperação entre países. O objetivo é promover a conservação e o uso racional dessas áreas úmidas em todo o mundo.
Localizada no extremo norte do estado, a APA da Baixada Maranhense conta com a experiência de comunidades e povos tradicionais de extrativistas para preservar a biodiversidade de ecossistemas que incluem manguezais, babaçuais, campos abertos e inundáveis, estuários, lagunas e matas ciliares. Esse mosaico e sua extensão de 1, 7 milhões de hectares torna a APA uma unidade de conservação de extrema importância.  Processos ecológicos de grande escala e estoques pesqueiros dependem da sobrevivência desses ecossistemas.
QUILOMBO SESMARIAS
Neste mês de fevereiro, terá início na APA o projeto Território Quilombo Sesmarias do Jardim na Defesa de Patrimônios Culturais e Ambientais, com recursos do Ministério do Meio Ambiente, voltado a 158 famílias. As reuniões, oficinas e seminários com as comunidades contarão com assessoria técnica e jurídica da Universidade Federal do Pará.
O projeto de gestão territorial e ambiental em territórios quilombolas foi assinado pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, em 9 de dezembro de 2016, em cerimônia na cidade de Imperatriz (MA). “É no município que a conservação da natureza se pratica efetivamente e, sem benefício social, o ambiental acaba por não acontecer. Estabelecer uma situação de benefício mútuo entre meio ambiente e comunidades é condição indispensável para que o nosso trabalho seja bem-sucedido”, afirmou o ministro na ocasião da assinatura. 
GESTÃO COLETIVA
Por meio do apoio federal, a comunidade do Quilombo Bom Jesus, em Matinha (MA), irá elaborar, em seis meses, um Protocolo Comunitário do Extrativismo (animal e vegetal) do território, com regras internas criadas pela comunidade para socializar e confirmar a gestão coletiva. O Protocolo envolverá 11 comunidades e permitirá um avanço na mobilização social.
Segundo a quebradeira de coco e líder comunitária Maria do Rosário Costa Ferreira, as comunidades quilombolas da APA vêm perdendo o direito ao uso coletivo sustentável dos recursos naturais devido à criação extensiva de búfalos e à plantação de capim canarana, delimitadas com cercas elétricas. Os animais contaminam as águas com coliformes fecais, intoxicam os peixes e os moradores, atacam pescadores e destroem espécies da flora nativa. 
Para Maria do Rosário, o edital do MMA fortaleceu a mobilização da comunidade, que vem sofrendo ameaças. “Vivemos em conflito no território e presenciamos o desrespeito à natureza. Estamos perdendo as áreas inundadas para os búfalos e para o capim”, enfatiza. A comunidade do Quilombo Bom Jesus vive do extrativismo do coco babaçu e do plantio de mandioca, feijão, milho e arroz. 
Em dezembro, Sarney Filho assinou projeto de gestão territorial e ambiental em territórios quilombolas 
SÍTIOS RAMSAR
O Dia Mundial das Áreas Úmidas é comemorado todos os anos em 2 de fevereiro, dia da adoção da Convenção de Ramsar para Áreas Úmidas, em 1971, na cidade Iraniana de Ramsar. O objetivo da data é aumentar a consciência sobre o valor das áreas úmidas para a humanidade e o planeta. 
Em 2017, o tema é Áreas Úmidas para a Redução de Riscos de Desastres. As áreas úmidas têm um papel importante na redução do impacto de eventos climáticos extremos como secas, enchentes e ciclones. Agem como uma esponja natural que absorve e armazena excessos de chuva e reduzem as enchentes. Durante a seca, elas liberam a água armazenada, atrasando o início das secas e diminuindo a falta de água.
Enquanto signatário da Convenção de Ramsar, o Brasil consegue buscar apoio para o desenvolvimento de pesquisas, acesso a fundos e cooperação internacionais. Em contrapartida, assume o compromisso de manter as características ecológicas das unidades e priorizar sua consolidação, de acordo com o previsto no Plano Estratégico Nacional de Áreas Protegidas.
A Convenção é um tratado intergovernamental criado inicialmente no intuito de proteger os habitats aquáticos importantes para a conservação de aves migratórias. Porém, ao longo do tempo, ampliou sua preocupação com as demais áreas úmidas de modo a promover sua conservação e uso sustentável, bem como o bem-estar das populações humanas que delas dependem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

02 de fevereiro: Dia Mundial das Áreas Úmidas



Em 02 de fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar, um acordo intergovernamental foi instituído para promover a conservação e uso sustentável e habitats aquáticos, bem como o bem-estar das populações humanas que delas dependem: a Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional ou, Convenção de Ramsar. Em homenagem à sua adoção, hoje temos o Dia Mundial das Áreas Úmidas (World Wetlands Day) – uma data que busca estimular a realização por toda a comunidade internacional de ações e atividades que chamem a atenção para a importância destas áreas e para os benefícios que podem proporcionar.
Os Sítios Ramsar são zonas úmidas indicadas pelos países signatários da Convenção como áreas merecedores de maior proteção. Estas zonas fornecem serviços ecológicos fundamentais: além de regular o regime hídrico de vastas regiões, são fontes de biodiversidade; cumprem papel relevante de caráter econômico, cultural e recreativo; e ainda atendem necessidades de água e alimentação para uma ampla variedade de espécies e para comunidades humanas, rurais e urbanas.
O Brasil conta com 13 Sítios Ramsar que coincidem, intencionalmente, com unidades de conservação. Confira a lista:
Rio Sipotiúa na Area de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses. Foto: José Augusto Faes/Wikimedia Commons
Rio Sipotiúa na Area de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses. Foto: José Augusto Faes/Wikimedia Commons
Criado em 11 de novembro de 1991, a área de proteção ambiental maranhense passou a integrar a lista dos Sítios Ramsar em 30 de novembro de 1993. Com 2.680.911 ha, o complexo sistema estuarino de ilhas, baías, enseadas e costas acidentadas é coberto principalmente por manguezais. O local é de grande importância para numerosas espécies de peixes, mariscos, aves migratórias e também para o peixe-boi (Trichechu manatus). As comunidades locais praticam pesca de subsistência.
As garças brancas concorrem por alimentação com os pescadores no Rio Pericumã. Foto: Élison Silva de Macêdo
As garças brancas concorrem por alimentação com os pescadores no Rio Pericumã. Foto: Élison Silva de Macêdo
Por por representarem o maior conjunto de bacias lacustres do Nordeste, os 1.775.036 hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baixada Maranhense integram a lista desde fevereiro de 2000. A unidade também preserva extensas áreas costeiras baixas, sazonalmente inundadas, caracterizadas por campos, florestas de galeria e manguezais ao longo da costa nordeste do Brasil. Na época das chuvas, de dezembro a julho, os campos baixos ficam alagados, restando ilhas de terras firmes e áreas de campos em terreno um pouco elevado, chamadas regionalmente de “teso”.
Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís oferece proteção integral à fauna e flora e recifes de corais. Foto: Divulgação/MMA
Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís oferece proteção integral à fauna e flora e recifes de corais. Foto: Divulgação/MMA
Assim como a APA da Baixada Maranhense, este Parque Estadual marinho se tornou um Sítio Ramsar em 29 de novembro de 2000. Localizado a cerca de 100 milhas náuticas de São Luís, a unidade é formada por três bancos de coral ao largo da costa norte do Maranhão e abrange a área de distribuição de várias espécies de peixes endêmicas da costa brasileira. Sua área é importante para a produção pesqueira e os numeroso naufrágios em sua história tem um valor científico extremamente elevado. Embora seja uma região atraente para mergulhadores, o turismo é limitado e, por causa das correntes locais difíceis e distância da costa, é recomendada apenas à mergulhadores experientes.
Ilha do Bananal. Parque Nacional do Araguaia. Foto: Amazon-Lodge
Ilha do Bananal. Parque Nacional do Araguaia. Foto: Amazon-Lodge
O Parque Nacional adentrou a Lista Ramsar em 04 de outubro de 1993 na Lista Ramsar. Sua inclusão se deu por estar inserido na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo com 20 mil Km² de extensão (uma área equivalente à do estado de Sergipe). Um dos santuários ecológicos mais importantes do país, o local é uma área extremamente rica para aves aquáticas.
Um bando de flamingos-chilenos, visitantes frequentes da Lagoa do Peixe. O local é um importante local para abrigo, alimentação e reprodução de aves migratórias. Foto: Roberto Dall'Agnol
Um bando de flamingos-chilenos, visitantes frequentes da Lagoa do Peixe. O local é um importante local para abrigo, alimentação e reprodução de aves migratórias. Foto: Roberto Dall’Agnol
Os 34.400 hectares do Parque Nacional da Lagoa do Peixe apresentam uma extensa área de planícies salinas, dunas costeiras, lagoas, lagos e pântanos que fornecem importantes locais de pouso e alimentação para um grande número de espécies migratórias. Por lá circulam 182 espécies de aves, sendo 26 delas migratórias do hemisfério norte e 5 do sul. A observação de aves é a sua principal atração turística. Formada por uma sucessão de pequenas lagoas de água doce e salobra interligadas, ela serve como um berçário natural para espécies marinhas como o camarão-rosa, a tainha e o linguado.
jacarés do Pantanal. Foto: Eliane Rossi
Jacarés do Pantanal. Foto: Eliane Rossi
Reconhecida em maio de 1993, o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense faz parte da maior zona úmida permanente de água doce no hemisfério ocidental. A área é constituída por uma vasta região de savanas sazonalmente inundadas, ilhas de arbustos xerófitos e floresta decíduas úmida. O Parque abrange  algumas das maiores e mais espetaculares concentrações de vida selvagem dos trópicos e é provavelmente a zona úmida mais importante da América do Sul para aves aquáticas. Há enormes populações de uma grande variedade espécies endêmicas e migratórias que também usam a área como abrigo e alimentação.
Pousada Uacari, Reserva de Desenvolvimento Sustetável Mamirauá. Foto: Edu Coelho/Insituto Mamirauá
Pousada Uacari, Reserva de Desenvolvimento Sustetável Mamirauá. Foto: Edu Coelho/Insituto Mamirauá
A Reserva Mamirauá, localizada a cerca de 600 km a oeste de Manaus, abrange uma área de 1.124.000 hectares de floresta de várzea com vários lagos sazonais conectados por canais de drenagem naturais. Seus variados habitats aquáticos e terrestres estão em constante mudança, definidas pela dinâmica das águas na região. A variação sazonal de seca e de cheia é determinante para a flora e a fauna e toda a vida na várzea, que deve se adaptar a essa variação. Em última análise, o componente mais importante e mais dramaticamente dinâmico desse ecossistema fica por conta das águas razão pela qual foi incluída na lista de Sítios Ramsar em 04 de outubro de 1993.
RPPN SESC Pantanal. Foto: Haroldo Palo Jr.
RPPN SESC Pantanal. Foto: Haroldo Palo Jr.
Em 04 de julho de 1997, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) SESC Pantanal, uma reserva privada do Serviço Social do Comércio (SESC) foi reconhecida como unidade de conservação. A extensa área de 107.996 hectares preserva uma amostra significativa e representativa das grandes áreas úmidas do Pantanal. O local, uma mistura de rios permanentes, riachos sazonais, lagos de água doce de várzea, zonas arbustivas e florestas inundadas, satisfez a todos os critérios da Convenção de Ramsar para designação como zona úmida de importância internacional, motivo pelo qual foi incluída na lista em dezembro de 2002. O local contém várias espécies ameaçadas de extinção, como a arara-jacinto (Anodorhynchus hyacinthinus) e tuiuiú (Jabiru mycteria).
RPPN Fazenda Rio Negro. Foto: RPPN Fazenda Rio Negro/ Facebook
RPPN Fazenda Rio Negro. Foto: RPPN Fazenda Rio Negro/ Facebook
Parte da lista de Sítios Ramsar desde 22 de maio de 2009, esta reserva privada preserva o Pantanal de Nhecolândia, uma sub-região do bioma paisagens formadas pelo conjunto de baías e salinas, assim como pelo próprio rio Negro e suas praias, numa região tida por muitos como uma das mais preservadas e belas do Pantanal. O local hospeda mais de 400 espécies de plantas, 350 de aves e 70 de mamíferos. Entre eles destacam-se espécies ameaçadas, como a ariranha (Pteronura brasiliensis) eo cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus). As numerosas espécies de aves migratórias presentes no local o tornam muito atrativo para observadores de aves.
Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Foto: João Ramos
Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Foto: João Ramos
A primeira unidade de conservação marinha criada no país tem a finalidade de proteger a região que registra a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Além de abrigar uma grande porção do maior banco de corais e biodiversidade marinha do oceano, o parque protege áreas-berçário para as baleias jubarte. A biodiversidade da região registra aproximadamente 1.300 espécies, 45 delas consideradas ameaçadas, como tartarugas-marinhas, grazinas e os atobás. Sítio Ramsar a partir de 02 de fevereiro de 2010, o Parque Nacional é a única região do planeta onde é possível encontrar o coral Mussismilia braziliensis. Suas atrações são mergulho, observação de aves, caminhadas monitoradas e, entre julho e novembro, o avistamento de baleias.
O fim de tarde no Parque Estadual do Rio Doce proporciona um espetáculo de rara beleza. Foto: Moisés Lima
O fim de tarde no Parque Estadual do Rio Doce proporciona um espetáculo de rara beleza. Foto: Moisés Lima
Com 35.973 hectares, o Parque Estadual é o maior fragmento de vegetação preservada da Mata Atlântica no Estado de Minas Gerais. Além dos rios permanentes e sazonais, existem 42 lagoas naturais, um notável sistema lacustre que representa 6% da superfície do parque. O local hospeda 325 espécies de pássaros, pelo menos 77 dos mamíferos, variadas árvores centenárias emadeiras nobres de grande porte. O endêmico e ameaçado jacarandá (Dalbergia nigra) pode ser encontrado aqui, assim como outras espécies ameaçadas, tais como o jaguar (Panthera onca), águia Harpia (Harpia harpyja), mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii) e  o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus). 
Igarapé, no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Douglas Albuquerque Ferreira
Igarapé, no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Douglas Albuquerque Ferreira
O Parque Nacional Cabo Orange tornou-se Sítio Ramsar em  fevereiro de 2013. A primeira unidade de conservação federal criada no Amapá compreende uma área total de 657.318,06 hectares de bioma Marinho Costeiro. O parque se caracteriza por pastagens inundadas periodicamente e permanentemente, únicas na região amazônica, assim como por seus manguezais, que atuam como “viveiros de peixes” e são vitais para a manutenção da pesca estuarina no país. O local é rico em biodiversidade, abrigando cerca de 358 espécies de aves, 19 espécies de plantas, 54 espécies de mamíferos.
Atol das Rocas, Brasil, fotografado da Estação Espacial Internacional pela tripulação da Expedição 22. Foto: Wikimedia Commons
Atol das Rocas, Brasil, fotografado da Estação Espacial Internacional pela tripulação da Expedição 22. Foto: Wikimedia Commons
Criada em 05 de junho de 1979, a Reserva Biológica Atol das Rocas protege um ecossistema de ilhas oceânicas que inclui o único atol no Atlântico Sul, formado predominantemente por algas coralinas. O mais recente Sítio Ramsar brasileiro, reconhecido em 11 de dezembro de 2015, está localizado a 267 km a nordeste da cidade costeira de Natal. O Atol abriga aves migratórias, espécies ameaçadas de extinção, espécies endêmicas e um considerável número de espécies de interesse econômico, o que justifica sua grande relevância ecológica. É também um local importante para reprodução de animais como a tartaruga-verde (Chelonia mydas) e o tubarão-limão (Negaprion brevirostris), além de acomodar a maior concentração de aves marinhas tropicais da região, com uma estimativa de pelo menos 150.000 aves de 29 espécies. 

Por: O ECO

Dia Mundial das Áreas Úmidas



São consideradas áreas úmidas os pântanos, charcos, turfas ou locais de acúmulo de água, permanente ou temporário. Foto: © Adriano Gambarini/WWF-Brasil

Dois de fevereiro é uma data especial: comemoramos o Dia Mundial das Áreas Úmidas, estabelecido em 1971 em homenagem ao dia da adoção da Convenção de Ramsar, na cidade iraniana de mesmo nome. Essa data é extremamente importante para o Brasil, já que nosso país abriga a maior área úmida do planeta: o Pantanal. Seus 170.500,92 mil km² de extensão – parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e Paraguai – abrigam uma rica biodiversidade: pelo menos 4.700 espécies de animais e plantas já foram registradas.
Em 2017, o WWF-Brasil chama atenção para a relevância de promover a conservação da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais do Pantanal por meio de um chamamento para que seja aprovada e implementada ainda neste ano a Lei do Pantanal, o Projeto de Lei (PL) 750, de 2011.
Em pauta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, o PL vai seguir um longo caminho até que se torne lei. Deve ser analisado e votado por outras duas comissões antes de ser enviado para a Câmara dos Deputados. Após a votação do Congresso Nacional, o Presidente da República pode aprovar ou recusar a proposição. Se aprovado, o Presidente tem o prazo de 48 horas para ordenar a publicação da lei no Diário Oficial da União.

O texto que está atualmente em tramitação no Senado prevê, acertadamente, que o uso dos recursos naturais no Pantanal será regido por princípios como os de “poluidor-pagador” e “usuário-pagador”. O primeiro pune os que desrespeitam o cuidado com o meio ambiente. O segundo exemplifica aqueles que usam os recursos naturais e que, portanto, devem pagar por tal utilização. O PL atual também define acertadamente uma série de proibições no bioma, como a construção de barragens ou obras de alterações dos cursos d´água e o uso de agrotóxicos e o plantio de transgênicos no Pantanal.
Porém, no texto atual há lacunas que acreditamos que devem ser preenchidas. O WWF-Brasil reivindica que a Lei do Pantanal contenha:
• Inclusão do planalto pantaneiro na delimitação do bioma: não só a planície deve ser considerada. É no planalto – região das cabeceiras – onde nascem as águas responsáveis pelo abastecimento do ciclo hidrológico do Pantanal. Sem ações de conservação e preservação do planalto, o Pantanal fica ameaçado;
• Atenção específica aos recursos hídricos do Pantanal – já que o bioma é a maior área úmida do planeta. (Seus rios estão fortemente ameaçados por falta de planos de saneamento básico nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul);
• Incentivo de implementação de ações que promovam o desenvolvimento sustentável da região e das comunidades pantaneiras, como o turismo;
• Incentivo de implementação de remuneração àqueles que recuperam e preservam o meio ambiente, como a adoção do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) nos municípios do Pantanal;
• Inclusão de incentivos econômicos à recuperação e conservação. Assim como na Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428 de 2006), a Lei do Pantanal deve prever um Fundo de Restauração, destinado ao financiamento de projetos de conservação e restauração ambiental e de pesquisa científica.

Para o WWF-Brasil, é urgente a aprovação de uma lei completa, que disponha sobre ações de conservação e restauração ambiental, mas que também preveja o financiamento dessas ações de pesquisas e a promoção do desenvolvimento sustentável da região, a preservação de seus recursos naturais e a valorização da cultura e saberes tradicionais das comunidades pantaneiras.
O desmatamento, as queimadas, o uso indiscriminado de agrotóxicos, más práticas agropecuárias e a falta de saneamento básico são ameaças graves ao Pantanal. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, até 2009 o Pantanal perdeu 23.160 km2 de vegetação nativa, o equivalente a 15,31% de sua área total.
A região das cabeceiras, onde nascem as águas que alimentam o ciclo hidrológico do bioma, está em alto risco. Uma pesquisa realizada pelo WWF-Brasil mostrou que os níveis de turbidez – quando a água perde a transparência – e de quantidade de sólidos dissolvidos nos rios Jauru, Sepotuba e Alto-Paraguai vem aumentando. Sem a vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos. A turbidez afeta o ciclo de vida dos peixes, pela falta de transparência na água, além de dificultar o tratamento da água que será distribuída à população por parte das empresas de saneamento.
O assoreamento dificulta a navegação, o fluxo das águas, a migração dos peixes e também deixa o rio vulnerável à transbordamentos em época de chuvas. A destruição da vegetação pode provocar um efeito ainda mais grave: secar completamente uma nascente.
Por sua vez, a falta de um sistema de tratamento faz com que os dejetos humanos de uma localidade sejam diretamente despejados nos rios e córregos, contaminando águas, solo e até o lençol freático. Um estudo do Instituto Trata Brasil e WWF-Brasil identificou que menos de 10% do esgoto na região recebe tratamento antes do descarte.
O PL 750 tramita desde 2011. Já não devemos esperar. Mais do que nunca, precisamos da Lei do Pantanal. (WWF Brasil/ #Envolverde)
Júlio César Sampaio é Coordenador do Programa Cerrado Pantanal WWF-Brasil.
** Publicado originalmente no site WWF Brasil.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Pacto pela Amazônia

Soma de esforços entre diferentes atores sociais tem proposta de contribuir para a restauração do bioma brasileiro.
Por Redação da Envolverde*
De agosto de 2015 a julho de 2016 foram cerca de 7.989 km² de área desmatada na Amazônia, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número cresceu 29%, se compararmos com o ano anterior. Entre os responsáveis estão a conversão da floresta para outros usos e a exploração ilegal de madeira. Para transformar essa realidade, foi lançada nesta segunda-feira, 30, em Belém, a Aliança pela Restauração na Amazônia, com a participação de ONGs, academia, setores produtivos, representantes do governo e sociedade civil.
Entre as propostas da Aliança estão a de mapear e visibilizar oportunidades para a restauração na Amazônia e encurtar o caminho entre financiadores e produtores rurais que necessitam ajustar passivos ambientais.
Para Rachel Biderman, diretora do World Resources Institute (WRI), “ é fundamental fortalecer os elos da cadeia de restauração no Brasil; e a Amazônia tem todos os elementos para liderar o bom exemplo”. Ela enfatiza, também, que “a Aliança inclui no mapa da agenda de restauração global, de larga escala, o importante bioma amazônico, que passa a integrar a ‘era da restauração’, preconizada pela Declaração de Nova York sobre Florestas”.
Rodrigo Medeiros, vice-presidente da CI-Brasil, organização responsável pela secretaria executiva da Aliança, reforça que “queremos gerar inteligência e conciliar técnicas inovadoras para a restauração, de forma que a soma dos esforços dos envolvidos na Aliança gere impactos maiores que o trabalho que já vem sendo feito de forma isolada. Isso também alavancará a redução do custo da restauração, o que é fundamental para alcançarmos a restauração florestal em larga escala.”
O Secretário de Programa do Programa Municípios Verdes do Estado do Pará, Justiniano Netto concorda que se trata de um importante passo: “ alianças como essas são fundamentais para contribuir com o Estado do Pará. O combate ao desmatamento vem sendo trabalhado pelo governo e esta Aliança irá somar esforços, por exemplo, no oeste e no sudoeste da Região Transamazônica, região que concentra 15 municípios das áreas mais desmatadas do Pará.”
Também estiveram presentes no evento hoje nomes como Rodrigo Junqueira, do ISA; Érica Pinto, do IPAM; Márcio Dionísio, da IUCN; Sâmia Nunes, do Imazon; Roberta Coelho, do Rock in Rio; Silvio Brienza, da Embrapa; Artemísia Moita, do Grupo Agropecuária Fazenda Brasil; Gracialda Ferreira, da Universidade Federal Rural da Amazônia; Carlos Scaramuzza, do Ministério do Meio Ambiente, e Rogério Campos, da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima.
Em função de sua biodiversidade, a Amazônia é considerada uma das mais importantes florestas tropicais do mundo. Foto: Alex Silveira/ WWF Brasil

A Aliança
Atuação:
· Conciliar interesses e integrar ações em prol da ampliação da escala e da eficiência da restauração florestal.
· Gerar, sistematizar e difundir conhecimentos e informações sobre restauração florestal, silvicultura tropical e sistemas agroflorestais.
· Apoiar a captação pelos membros para viabilizar ações e projetos de restauração florestal.
· Impulsionar a economia da restauração florestal, estimulando todos os elos da cadeia produtiva, gerando oportunidades de negócios, trabalho e renda.
· Contribuir para formulação e implementação de políticas públicas que favoreçam a restauração florestal.
· Disponibilizar protocolos e ferramentas que permitam a integração de dados para o monitoramento das ações de restauração e avaliação da dinâmica florestal.
·Desenvolver ações de conscientização e sensibilização da sociedade civil acerca da necessidade de conservação/restauração da Amazônia.
Funcionamento:
· Adesão voluntária mediante assinatura do termo.
· Governança descentralizada, transparente e inclusiva.
· Representatividade nos quatro segmentos (governo, empresas, sociedade civil organizada e academia).
· Colaboração e cooperação entre os membros.
· Articulação e integração de ativos, experiências e saberes.
· Respeito aos conhecimentos tradicionais.
· Comunicação dinâmica e transparente.
· Respeito às particularidades produtivas e ecológicas dos variados ambientes e regiões amazônicas.
São membros fundadores da Aliança: Conservação Internacional (CI-Brasil), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Instituto Socioambiental (ISA), World Resources Institute (WRI), Embrapa, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), Amazônia Live/Rock in Rio, AMATA e Grupo AFB – Agropecuária Fazenda Brasil. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) é parceiro da iniciativa.
Para tornar-se um membro ou associar-se, é preciso enviar um e-mail para alemos@conservation.org.

Riquezas naturais no mar e na terra

Ao norte do Brasil, no litoral onde estão os recém-descobertos recifes de corais da Amazônia, há peixes-boi, gente encantadora e até foguetes. Conheça algumas curiosidades dessa incrível e bela região do planeta, pouco conhecida até mesmo da maioria dos brasileiros e que merece ser protegida.
Por Redação do Greenpeace Brasil –
A Reserva Biológica do Lago Piratuba, no Amapá, fica na Foz do Amazonas, repleta de mangues e áreas inundáveis. Foto: Rogério Reis / Tyba / Greenpeace

O navio Esperanza zarpou do porto de Santana, em Macapá, no último dia 23. A expedição faz parte da nossa campanha Defenda os Corais da Amazônia e vai, justamente, rumo a esse recife oculto, para tentar vê-lo debaixo d’água. Apesar do nome, eles não estão nos rios da floresta, mas no mar, numa área de influência do Rio Amazonas.
Ainda assim, o litoral próximo à extensão de todo o recife, é bem singular, com riquezas naturais, culturais e até foguetes! E essa bela região, de onde depende a sobrevivência de muitas comunidades e uma infinidade de espécies de animais, pode ser impactada pela atividade petrolífera que ameaça chegar na Bacia da Foz do Amazonas.
Conheça dez curiosidades de lá:
1. A maior parte dos recifes de corais fica na costa do Amapá, um estado no extremo norte do Brasil, com apenas 16 municípios.

A costa do estado do Amapá congrega biomas variados, como mangues e florestas tropicais, e um importante bioma ainda pouco conhecido pela ciência. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

2. A população estimada do Amapá é de 780 mil habitantes. É o estado com a quinta menor concentração de pessoas por quilômetro quadrado (4,6 habitantes por km2).
3. A capital é Macapá, por onde passa a Linha do Equador. Por isso, quase todos os recifes de corais da Amazônia estão no hemisfério norte!
4. No Amapá vivem várias espécies de animais em risco de extinção. Alguns exemplos são: o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) e o peixe-boi-amazônico (Trichechus inunguis), a ariranha (Pteronura brasiliensis), o tracajá (Podocnemis unifilis), a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) e a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea).
Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) é uma das espécies que habitam a costa do Amapá Foto: Zig Koch

5. A pesca é uma das principais atividades econômicas do estado. E há uma forte presença da pesca tradicional, realizada por comunidades ribeirinhas. Há muita pesca de lagosta por ali. E a presença desses crustáceos era uma das pistas para a ocorrência de corais na região.
Pescadores na cidade de Calçoene. O Amapá está no foco da indústria petrolífera, que tem planos de explorar o combustível fóssil em sua costa, colocando em risco o modo de vida de populações tradicionais e o ecossistema. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

6. Está no Amapá o ponto onde o Brasil começa: o Oiapoque! Daqui alguns dias, o navio Esperanza vai chegar lá!
7. Ali também fica o Parque Nacional do Cabo Orange, uma Unidade de Conservação que se estende por 200 km no litoral. Está exatamente de frente para os blocos em que a Total e a BP querem explorar petróleo em breve.
O Parque Nacional do Cabo Orange é uma importante área de proteção na região. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

8. O Parque abriga a maior área contínua de mangues protegidos do mundo. Há faixas que chegam a 10 km de extensão. Esses mangues, até agora estão super bem preservados.
Maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

9. O Oiapoque é vizinho da França! Isso porque faz fronteira com a Guiana Francesa, que foi colônia do país europeu até 1947. Hoje, é considerado um “departamento ultramarino francês”, ou seja, é parte do país e, logo, da União Europeia.
10. Na Guiana Francesa fica um centro de lançamento de foguetes. Considera-se ali uma localização boa para este tipo de atividade. Mas nem sempre isso é bom. Há inúmeros relatos de pedaços de foguetes que caem no mar brasileiro e são levados pelas correntes para a costa e os mangues do Cabo Orange.
Guarás e Garças sobrevoam área de mangue no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

(Greenpeace Brasil/ #Envolverde)