terça-feira, 21 de setembro de 2010

Uma aula sobre aves nativas e migratórias do MA

O deserto úmido do Maranhão é refúgio de aves costeiras que circulam o mundo fugindo do frio nas regiões geladas do planeta.

As dunas da costa leste, a costa dos manguezais no Norte do Maranhão, os salgados paraenses e a costa do Amapá integram o Corredor das Américas, um destino de aves costeiras da América do Norte – sobretudo do Canadá – para o extremo sul da Patagônia.

Um grupo de biólogos e ambientalistas de todo o país esteve na região para uma aula diferente: o Departamento de Biologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) decidiu oferecer um curso sobre aves costeiras numa das estações mais movimentadas do continente.

– Na realidade, esse ambiente dos lençóis é muito importante porque tem uma variabilidade muito grande de aves costeiras. Tanto na época da estiagem como na época da cheia. Então várias as espécies dependendo do momento, dependendo do ambiente. Então, algumas vêm forragear na época da estiagem e outras vêm forragear na época da cheia - explicou o biólogo José Maria, um dos coordenadores da missão.


O fato de o deserto maranhense ser uma área de invernada de aves migratórias que cruzam os continentes, segundo o biólogo Davi Barros Muniz, tem importância estratégica para sobrevivência das aves no planeta.


-Não só pro nosso Estado. Tem assim. Essas aves vêm da América do Norte. Vem aves da Antártida que vão para o Polo Sul. Então, nós temos que fazer a nossa parte para poder garantir que elas continuem essa migração. Elas param aqui pra continuar a migração. Elas vão pro deserto no Chile, pro Atacama. Pra Argentina. Aqui é só uma parada, né? Então a gente tem que saber preservar isso, entendeu? Estudar, ajudar outros pesquisadores que também fazem estudo nisso, em outros países e, com isso, contribuir para o conhecimento dessas espécies - disse.


A expedição científica reuniu alunos e também ambientalistas que resolveram participar da expedição pelo simples prazer de observar as aves numa das paisagens mais impressionantes do mundo. Uma iniciativa nova na região, com a intenção de estimular o birdwhating uma atividade muito comum na Europa e Estados Unidos onde os turistas pagam caro para observar os pássaros livres na natureza. A beleza do deserto. A vida silvestre, livre, na costa leste – são indicadores de que a região tem potencial para o birdwhating – a prática da observação ecológica.





Estação das aves


Gaivotas e maçaricos estão em temporada de reprodução. A maioria das aves já fez os ninhos e está chocando os ovos. E não é por acaso que as aves costeiras escolhem as dunas para fazer os ninhos. É um modo de se proteger dos predadores. Enxergar os ovos nessa imensidão branca – só de muito perto. Os ninhos minúsculos – cheio de ovos – ficam praticamente invisíveis nas dunas.
Os ninhais ficam no interior do parque nacional – uma área de conservação ambiental. As aves reagem com agonia diante da ameaça que se aproxima. A expedição avança com cuidado para não ameaçar o sossego das gaivotas.


À medida que o grupo avança, vem o alerta.


- A questão é ter sempre um guia. Uma pessoa que saiba o quanto representa um ninho, o potencial das aves que tem aqui. O potencial do nosso litoral. Deve vir para conhecer. A questão da paisagem tem que ser valorizada, claro. Os Lençóis, todo mundo sabe, é um Patrimônio da Humanidade, então, é a pessoa vir pra observar tanto o ambiente quanto os animais. Saber que aqui tem várias espécies de animais. Que os animais são grupos. É um grupo muito diverso de animais. Então a gente precisa valorizar isso. Saber onde elas colocam os ovos. Saber a quantidade de aves que existe na região. Os guarás que são as aves que a gente mais valoriza aqui nessa região de mangue que a gente pode observar muito guará ainda, se reproduzindo inclusive porque eles só se reproduzem em áreas muito conservadas. Em geral assim, conhecer pra poder respeitar - explica a estudante de Biologia de Edrien Allen.


A analista ambiental do Ibama, Kenya Valadares, se surpreende na primeira expedição nas dunas.


- É um curso que trouxe pesquisadores pra estudar aves desses ecossistemas, a gente tem uma consciência ambiental totalmente voltada pra conservação do lugar e a divulgação da pesquisa num bioma como esse é muito importante. Já quanto à visitação e ao turismo eu, particularmente, eu tenho ressalvas, porque nem todo o mundo tem a consciência ecológica de levar o seu lixo, de não afetar as áreas de mangue, isso sim é complicado, mas a pesquisa é algo que é totalmente necessário inclusive pra desenvolver estratégias de conservação, mais sólidas pra esse ecossistema. A fauna daqui, por incrível que pareça, é muito diversificada. Nós estamos estudando a ornitofauna dos Lençóis Maranhenses. Estudamos aves residentes e aves migratórias, né? E essa é uma época muito apropriada porque já vimos várias espécies que estão em momento de migração pra essa região porque é uma região que tem uma boa disponibilidade de alimentos, uma faixa de temperatura boa pra eles também e... Além das nativas que são muito lindas, interessantes.

Entre os alunos de Biologia, a mesma expectativa diante da grandeza do deserto. Pra maioria, estar atuando em campo, observar a natureza assim, grandiosa, é uma experiência pra não esquecer. Para Marcela de Matos Barbosa, bióloga, “tá esse curso, tá aqui proporcionou e ajudou muito a conhecer mais as espécies do nosso estado que a gente sabe que tem uma diversidade. Uma biodiversidade muito rica e que muita gente inclusive, não sabe, então. E experiência também de campo, experiência.
Marcelo Casoni, integrante de uma ONG com atuação em defesa das aves costeiras no litoral paulista, também ficou impressionado com o deserto nordestino.


– Facilita de uma série de maneiras porque a educação ambiental é o nosso diferencial para a gente conseguir preservar o nosso país e educação ambiental provém dessas atividades que a Universidade Federal do Maranhão está desenvolvendo e que a gente pretende estender isso pra minha região, no caso, São Paulo. No meu caso, eu faço parte de uma ONG de pesquisa de aves e a gente tem a intenção de desenvolver o mesmo trabalho que o professor Augusto desenvolveu aqui, da Universidade Federal do Maranhão, estabelecer um convênio com ele pra levar esse conhecimento que ele tem de aves costeiras litorâneas que eu faço parte de uma ilha como eu falei anteriormente, de uma Ilha em São Paulo, Ilha Bela, e a gente pretende levar esse conhecimento pra lá.


Equipamentos sofisticados facilitaram a observação da vida silvestre no deserto úmido maranhense. E o professor da turma, um veterano no estudo das aves costeiras, deixou as aulas ao ar livre bem mais proveitosas.


O professor doutor Antonio Augusto vem, há anos, se dedicando ao estudo dos maçaricos, uma das aves mais fascinantes da natureza, que atuam como bioindicadores nas regiões mais conservadas da terra. O pesquisador faz um alerta:


– Bem, toda a costa incluindo as reentrâncias maranhenses, ou o Parque Nacional dos Lençóis Maranheses, o salgado paraense, a costa norte brasileira, inclusive o Amapá tem uma importância internacional pra espécie migratória que migra no Corredor das Américas, no Corredor Leste passando aqui e outras residindo aqui, ou seja, permanecendo nessa área. Então é importante a conservação desses setores porque os norte-americanos e canadenses, tudo mais, estão muito preocupados com o destino das suas aves migratórias que vem pro nosso continente. Então, se não preservar, a tendência é um declínio populacional que pode, ocasionalmente, levar a extinção de alguns grupos.


As araras vermelhas estão em plena temporada de reprodução, no cerrado maranhense. A revoada no alto dos paredões de arenito é parte do ritual de acasalamento. As araras vermelhas escolhem as regiões mais intocadas pra fazer os ninhos: em ocos de árvores e em buracos abertos nas encostas. Os casais, fiéis pra vida toda, trocam carícias em pleno voo aproveitando o sossêgo e a imensidão dos vales no sudoeste do Maranhão.




Sem notar que estão sendo observados!


Lentes bem discretas acompanharam – de longe, durante uma semana – o alvoroço no interior do Parque Nacional das Chapadas das Mesas. Biólogos e ambientalistas do Brasil e da Inglaterra interessados no mapeamento da fauna na região de savanas - um ambiente de transição entre o cerrado e a amazônia brasileira, viveiro de uma gigantesca diversidade de plantas e aves.


O grupo escalou um penhasco com cerca de setecentos metros para acompanhar bem de perto o comportamento das araras vermelhas. As aves medem, em média, noventa centímetros de comprimento. Pesam um quilo e meio.


O professor de Biologia Ricardo Zabotini veio de São Paulo estudar as aves do cerrado maranhense.
- A partir de agora acho que as gente passa a poder ensinar pros alunos, pros outros, de uma forma mais correta o valor desse ambiente. O cerrado não é uma terra à toa ou o celeiro do mundo, mas que, principalmente o cerrado é uma reserva onde a maioria das nascentes de vários rios importantes do Brasil são do cerrado em várias chapadas e de que estas nascentes, esses berçários têm que ser preservados. Ouvir esse canto assim tão de perto é uma coisa que emocionante assim. Qualquer um que vê isso naõ esquece nunca não.


Observar as araras vermelhas, voando livres, também foi uma experiência reveladora para André Ribeiro, aluno de Biologia da Universidade Federal de Pernambuco.


– O voo das araras é bastante interessante. Voce vê a comunicação entre elas, o canto delas é uma vocalização onde elas estão conversando entre si e a gente pode vê a beleza natural que isso aqui é e o voo das araras é uma coisa assim: fantástica. Ver elas na natureza... esses animais livres fora do cativeiro. Muitas pessoas prendem essses animais mas aqui na natureza a gente pode ver a beleza deles e estudar um pouco a importância que eleas tem desse ambiente.


A expedição ao Parque Nacional das Chapadas das Mesas também fez parte de um curso da Universidade Federal do Maranhão. Um dos objetivos da aventura foi estimular o gosto pela observação da vida silvestre – uma forma de recreação que atrai milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo explica a coordenadora da expedição, Naiara Valle.


– A gente buscou fazer o curso em duas áreas de Parque Nacional. Aqui, a gente tá nas Chapadas das Mesas e lá no litoral a gente fez no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. A gente quis mostrar pro público justamente este contraste, que ocorre em biomas diferentes e mostrar que todos eles são importantes pra toda a sociedade. Então... aqui nós temos aves de mata. Lá, nós temos aves costeiras e todas elas são importantes pro equilibrio na natureza e, consequentemente, pra toda a sociedade.


O biólogo baiano Eduardo Fatori veio de Salvador para integrar a expedição. E já trabalha com monitoramento de parques ambientais pelo país afora. Faz consultoria ambiental e esteve pela primeira vez na região das mesas de rocha do Maranhão.


- Anos atrás não se achava que o cerrado tivesse uma diversidade, tivesse espécies importantes. E de alguns anos pra cá – como se focou os estudos nessa área com iniciativas como esta do curso acabou se descobrindo inúmeras espécies novas – espécies endêmicas do cerrado... e, assim: é um bioma que tá muito ameaçado pela própria pressão econômica de se plantar soja, de se plantar algodão... de se trazer um desenvolvimento econômico pra uma região, né? Principalmente a partir da década de setenta. Então, é uma área muito importante principalmente pros parques. A gente sabe o que realmente existe no cerrado. Existem muitas áreas que ainda precisam ser estudadas - assinalou.


A vegetação densa do cerrado - no sudoeste do Maranhão – protege vales e cascatas; quedas d’águas e cachoeiras. Lagos com uma infinidade de tons – brotando nos canions – numa incrível mistura de cores. A geografia da região - cheia de formas e contornos – impressionou quem se embrenhou na mata pela primeira vez.

- Eu não conhecia. Não sabia o tamanho da riqueza, o tamanho do potencial que é o cerrado. Eu pensava que era alguma coisa assim pobre, mas muito pelo contrário, muito exuberante. - É explêndido! - disse admirada a estudante Ana Gardênia.
O ornitólogo Lincoln Carneiro, do Museu Emílio Goeldi, uma das instituições mais respeitadas da amazônia, foi convidado para dar aulas de ornitologia ao ar livre no coração do cerrado.


– Além da exuberância da vegetação, da beleza cênica do lugar, a gente tem uma fauna inteira associada. Não só aves mas tem outras espécies: mamíferos, reptéis, anfíbios endêmicos, mas do ponto de vista da flora e fauna que é minha especialidade, você tem aves únicas no cerrado que você não vai encontrar em nenhum outro cerrado brasileiro. Em nenhum outro lugar do cerrado brasileiro, só aqui, nessa área. Sem dúvidas que, várias espécies – potencialmente distribuídas para a Amazônia também vão estar aqui. Então a gente também tem essa coisa do ambiente transicional que é chamado de ecótono. A gente tem uma região de transição entre o cerrado e a Amazônia. A Amazônia tá muito próxima daqui. Então, algumas espécies amazônicas tambem estão aqui. Então isso faz da região ainda mais diversa – com fluxos de populações de aves ainda maior e ainda mais importante do ponto de vista da conservação.


A expedição entre as árvores retorcidas no sudoeste do Maranhão durou uma semana. Serviu para ampliar os conhecimentos sobre uma das reservas naturais mais ricas em biodiversidade do país. Conhecimento que passa a ser usado também como ferramenta de conservação desse gigantesco patrimônio natural brasileiro.



Ameaça


As chamas avançam pelas encostas. Ameaçam os animais silvestres e os monumentos naturais de arenito. As labaredas sobem as chapadas e destroem a vegetação no alto dos paredões, abrigo de aves em risco de extinção.


As araras vermelhas utilizam ocos de árvores e buracos no alto das rochas para fazer os ninhos. E as queimadas - sem controle - ameaçam a reprodução da espécie no coração da reserva ambiental. A estação seca deixou a vegetação esturricada no cerrado e com o vento o fogo se espalha rápido – pelos vales.


Os satélites do INPE - o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - registram temporadas de até sessenta dias sem chuva na região. E o fogo consumindo o bosque natural. Durante uma semana, o grupo de biólogos e ambientalistas percorreu o cerrado observando a vida silvestre.


Karl Lews, biólogo inglês, ficou impressionado com o estrago provocado pelas queimadas.


– Nós já estamos aqui há alguns dias e tá vendo muitas áreas pegando fogo assim. É uma tristeza mesmo – lamenta, com forte sotaque europeu.


O fogo sem controle ainda é uma das maiores ameaças ao cerrado, daí o esforço da ciência para conhecer a gigantesca biodiversidade das savanas maranhenses, onde há uma imensa maternidade de rios.


As minas brotam das encostas de rocha. Escorrem entre veredas cercadas de buritizeiros e um movimentado berçário de aves. Fotografar as araras vermelhas – em pleno voo, no ambiente delas – impressionou o biólogo baiano Mateus Vinhas.


– É absolutamente fantástico a gente ter a oportunidade de ver de perto. É um animal muito bonito assim, visualmente, e são coisas que a gente ver sair do papel pra realidade, entendeu? É uma pena às vezes a gente ver que o pouco que a gente tem. Às vezes, ele não é tão bem cuidado. Eu acho muito importante que atitudes como estas de incluir um curso, que se preocupe em conhecer a região, em valorizar a região pra gente poder manter esse patrimônio né? Porque ao longo do tempo, com a expansão econômica, acho que com a própria evolução da humanidade a gente tem muito a saber administrar o bem material que a gente tem. Então, são bens que, se a gente não desenvolver estratégias – logicamente – que beneficiem todo mundo, são bens que vale a pena ser visitados e ser preservados.


Conhecer melhor para cuidar direito e aproveitar do melhor modo possível todo serviço que a natureza presta – assim – grandiosa... Mas, finita!


- É esse o objetivo do curso: trazer as pessoas, mostrar pras pessoas que a gente tem um ambiente mega-diverso, uma natureza maravilhosa, exuberante com aves incríveis e queria mostrar pras pessoas que isso é importante: conservar. Não só porque traz serviços ambientais pra nós. Mas elas são, as aves são um bem em si. Elas são dignas de respeito e conservação por si só sem necessidade mesmo que alguma espécie não traga algum benefício direto para o ser humano, mas, em si ela é um bem... que deve ser preservado e conservado- ensina Lincoln, o ornitólogo do Emílio Goeldi.
 
Por: Sidney Pereira, especial para o Imirante 
http://imirante.globo.com/

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Código Florestal: Revisão sem volta

Imagem 01: Palmeiras de babaçú em Pinheiro/MA( Foto: Edmilson Pinheiro)

Se for aprovada em sua forma atual, a revisão do Código Florestal brasileiro, em votação no Congresso Nacional, poderá levar a perdas irreversíveis na biodiversidade tropical, alertam cientistas em carta publicada na edição atual da revista Science.


Intitulada Perda de biodiversidade sem volta, a carta tem autoria de Fernanda Michalski, professora do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Tropical da Universidade Federal do Amapá, Darren Norris, do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Carlos Peres, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.


Na carta, os pesquisadores apontam que as propriedades privadas correspondem a 39% do território brasileiro e representam um componente essencial para a conservação da biodiversidade florestal, à parte das áreas protegidas formalmente.

Mas os “interesses de curto prazo de poderosos grupos econômicos, influentes proprietários de terra e políticos, ao diluir o Código Florestal, ignoram o valor das florestas privadas para a conservação”, segundo eles.

De acordo com Fernanda, a manifestação é um complemento à carta publicada na Science no dia 16 de julho, por pesquisadores ligados ao Programa Biota-FAPESP, com o título Legislação brasileira: retrocesso em velocidade máxima?. Segundo ela, o objetivo foi colocar em evidência a modificação do código relacionada à redução de área das Áreas de Proteção Permanente (APP).

“A Science abre espaço para que possamos reforçar comentários feitos em edições anteriores. Quisemos fazer isso para enfatizar um pouco mais o problema diretamente ligado à redução das áreas de APP, que está sendo levantado na proposta de reforma do Código Florestal”, disse à Agência FAPESP.


Professora do Departamento de Ecologia da Unesp até o fim do primeiro semestre de 2010, Fernanda concluiu seu doutorado em 2007, na Universidade de East Anglia, sob orientação de Peres, e realizou pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP.


“Parte do meu pós-doutorado correspondeu exatamente à avaliação do uso de áreas de APP por vertebrados de médio e grande porte. A partir dos dados obtidos nessa pesquisa achamos relevante destacar esse tópico no contexto da reforma do Código Florestal”, destacou.

A carta enviada em julho pelos pesquisadores do Biota-FAPESP apontava que as novas regras do Código Florestal reduziriam a restauração obrigatória de vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965. Com isso, as emissões de dióxido de carbono poderão aumentar substancialmente e, a partir de simples análises da relação espécies-área, “é possível prever a extinção de mais de 100 mil espécies, uma perda massiva que invalidará qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade”, segundo eles.


O texto foi assinado por Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da USP, Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luciano Verdade e Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.


Efeito de borda

A carta publicada na edição atual da revista científica norte-americana afirma que a reforma da legislação irá “efetivamente condenar remanescentes florestais e a rebrota em terras privadas no maior país tropical da Terra”.

Segundo Fernanda, o texto reforça uma questão levantada na manifestação anterior, relacionada a um possível aumento do “efeito de borda” - uma alteração na estrutura, na composição ou na abundância de espécies na parte marginal de um fragmento florestal que acaba tendo impactos sobre a fauna e flora de toda a região.

“O efeito de borda se manifesta à medida que a permeabilidade da matriz aumenta e cria uma série de efeitos adversos para a flora e para a fauna. Mas, além disso, nossas pesquisas revelaram um outro dado importante que merecia ser destacado: quando a área de proteção é reduzida a menos de 50 metros de cada lado da APP, o resultado é um aumento considerável na mortalidade das árvores”, afirmou.


Os cientistas brasileiros alertam que, com as modificações propostas na legislação, a redução das áreas de proteção deverá provocar mudanças nas características da paisagem que reduzirão a capacidade da floresta para reter e conectar espécies, ou para manter a qualidade dos corpos d’água.


Segundo o texto, os proprietários rurais que cumprirem a nova legislação aumentarão a fragmentação da paisagem e reduzirão o valor das suas propriedades, por conta da erosão do solo e pela má regulação de captação de água nas bacias hidrográficas.

Mas ainda é possível ter esperança: “a comunidade científica e ambiental, as organizações não governamentais e o Ministério do Meio Ambiente ainda podem se conciliar com os defensores da reforma do Código Florestal”, ressaltam os autores.


“Para isso, será preciso melhorar a comunicação entre os segmentos da sociedade, desenvolvendo alternativas de gestão inteligente do uso do solo na matriz agropecuária existente e evitando, com isso, a expansão de novas fronteiras de desmatamento”, afirmam.


O artigo No Return from Biodiversity Loss (doi: 10.1126/science.329.5997.1282-a), de Fernanda Michalski, Darren Norris, and Carlos A. Peres, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org/cgi/content/full/329/5997/1282-a.
 
Por: Fábio de Castro, da Agência FAPESP
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"Clean-upers", e os manguezais?

Os manguezais estão espalhados em 112 países em todo o mundo, tendo uma cobertura de aproximadamente 18 milhões de hectares. No Brasil, contamos com pouco mais de 1,3 milhão de hectares ao longo da costa. E, 14 regiões metropolitanas, das 25 do país, encontram-se em áreas costeiras próximas a estuários, onde estão também os maiores portos e pólos petroquímicos do país.
Imagem 01: Manguezais em Rio dos Cachorros /São Luís/MA( Foto: arquivo Fórum Carajás)

Além da grande importância ecológica (berçários de peixes e crustáceos, área de alimentação e descanso de aves), tradicionalmente, a ampla utilização dos manguezais abrange atividades de extração de alimento (caça, pesca e cultivo de moluscos) e de madeira para diversos fins (lenha, extração de tanino, construção de casas e utensílios). Com a crescente ocupação humana em áreas de manguezais, muitas atividades comerciais vêm aumentando sua importância na exploração dos recursos estuarinos, no entanto, tais práticas ocorrem em escalas superiores às suportadas pelo ambiente, contribuindo em sua degradação.


Apesar da proximidade de grandes centros urbanos a esses ecossistemas e sua inerente fragilidade, poucos estudos ou ações de limpeza têm focado este ambiente, principalmente devido à dificuldade de acesso e de operação nessas regiões. Existem alguns registros de iniciativas em Trinidad e Tobago (Mangrove cleanup project), Cingapura (International Coastal and Mangrove Cleanup at Sungei Buloh Nature Park), Palau (Clean “Idederach” Mangrove) e no Brasil (Vitória/ES - Projeto de Educação Ambiental Mangue Vivo - Ação Integrada de Limpeza do Manguezal; e, Natal/RN - 5º Tempo - Mutirão de Limpeza no Mangue), mas ainda muito poucos em relação às realizadas em praias de todo o mundo.
Para tentar minimizar este hiato realizamos um estudo para quantificar e descrever os tipos de resíduos sólidos encontrados em manguezais do Complexo Estuarino Santos - São Vicente/SP, uma das áreas mais intensamente urbanizadas do litoral brasileiro, por onde passa aproximadamente 50% do PIB nacional.


Para a realização do estudo foram amostradas oito áreas ao longo estuário nas quais foram coletados os resíduos e caracterizada a vegetação. Além do histórico de pirataria nessas áreas, a facilidade de acesso e localização no estuário foram fatores determinantes no planejamento amostral.


Resíduos depositados pela maré em área de manguezal próxima às palafitas na região de Santos e São Vicente. © Cesar Cordeiro


Ao total foram recolhidos 2129 itens, com o peso de 207,5 kg. O peso total dos itens pode parecer pouco para a área amostrada. Contudo, os resíduos com grandes dimensões (sofás, colchões, portas, geladeiras e pneus) não puderam ser pesados no local e não foram incluídos nas análises.


O principal item observado em todas as áreas foi o plástico com 62,8% da abundância total, onde embalagens e sacolas plásticas contabilizaram 51,6% dessa fração. Essa contribuição maciça de itens plásticos não é uma surpresa, uma vez que já é uma das maiores preocupações em escala global. Diversos trabalhos realizados em praias já constataram resultados semelhantes e, o prognóstico em longo prazo não é otimista. A ampla utilização desses polímeros devido à sua versatilidade, baixo custo e durabilidade faz com que permaneçam com alto grau de inserção na sociedade moderna, tornando-os praticamente indispensáveis. Tais características também são o motivo pelo qual este tipo de resíduo é tão nocivo ao meio ambiente e, apesar de pesquisas sobre novos materiais, parece não haver nenhum substituto à altura num horizonte próximo.

Diferentemente das praias, em estuários, a ação de ondas e ventos tem pouca influência na distribuição dos resíduos. O principal fator é o fluxo das marés que age varrendo estas áreas, levando e trazendo itens de acordo com a flutuabilidade. Assim, observando as características das áreas amostradas observamos as maiores quantidade de lixo acumuladas em áreas de baixa declividade. Esta informação é importante no direcionamento de futuras ações de limpeza, facilitando a escolha de áreas prioritárias.


Como os estuários estão sujeitos a receber resíduos de fontes em terra ou no mar, estando próximo a um grande porto, fica mais difícil definir a origem dos resíduos. A composição geral dos resíduos foi basicamente formada por itens de lixo doméstico, alguns deles com baixa flutuabilidade - como pneus, sapatos, eletrodomésticos - o que indica que estavam próximos à origem. Nesta região estuarina estão localizados dois aterros sanitários legalmente estabelecidos que, segundo informações da CETESB, tem operado de forma adequada. Apesar disso, as ocupações ilegais (palafitas - figura 3) às margens do estuário não possuem serviços de saneamento básico e acabam despejando seus resíduos diretamente nos canais.


Como observado por outros estudos, o acúmulo de resíduos pode causar problemas estéticos e trazer riscos à saúde de humanos e à biota local. Assim, são necessárias ações que considerem o problema dos resíduos despejados irregularmente em áreas naturais, tais como: estabelecimento de políticas educacionais e de conscientização com atividades direcionadas à diminuição do consumo; estabelecimento de programas locais de monitoramente e limpeza das áreas atingidas, auxiliando a mobilização da sociedade organizada; aumento da cooperação entre pesquisadores, sociedade organizada e governo, para a instalação de tais ações; e, regularização das áreas ocupadas às margens dos canais e implementação de serviços de saneamento básico nestas regiões.
 
Por: Cesar Augusto M. M. Cordeiro
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Projeto de Galinha Caipira na Comunidade de Marajá- Bequimão/MA

Algumas imagens do Projeto de galinha caipira conduzido por dez famílias com apoio da Agerp/Bequimão.  São criadas em sistema semi-extensivo cerca de  mil aves.

Imagem 01: vista interna do galpão de aves


Imagem 02: Aves Caipiras


Imagem 03: Armazenamento de Rações


Imagem 04: Elton Carlos (Técnico da Agerp/Bequimão) prestando assessoria técnica  



 
Imagem 05: Galpão anexo para expansão da criação




Texto e fotos: Teresinho Alves e Elton Carlos
http://reentrancias-ma.blogspot.com/


Experimento com Variedades de Mandioca e Macaxeira "Biofortificada"

Pesquisa participativa de melhoramento de mandioca e macaxeira para o estado do Maranhão

Este experimento foi realizado na Comunidade de Marajá no municipío de Bequimão(MA). Foi implantado pela Embrapa Cruz das Almas (Mandioca e Fruticultura) da Bahia, Agerp/Bequimão e Associação de Moradores de Marajá.


Abaixo segue algumas imagens do experimento documentadas pelo Engenheiro Agrônomo Teresinho Alves da Agerp/Bequimão:

Imagem 01: Preparo da área




Imagem 02: Mandioca no ponto de colheita


Imagem 03: Macaxeira em fase de colheita



Imagem 04: Raizes de mandioca


Imagem 05: Comunidade degustando variedade de macaxeira



Imagem 06: Participantes do experimento da Comunidade Marajá


Fotos e Texto: Teresinho Alves ( Reentrâncias)
http://reentrancias-ma.blogspot.com/

sábado, 11 de setembro de 2010

Cobrança pelo uso da água começa a se difundir pelo Brasil

Como estava previsto na lei nacional de Recursos Hídricos 9433/97, a cobrança pelo uso da água começa a se difundir pelo Brasil. Ela se torna possível quando é criado um comitê de bacia e esse comitê cria sua agência de águas, isto é, um corpo técnico que se torna responsável pela implementação da cobrança. Entretanto, a cobrança é uma decisão do comitê.




O São Francisco começa nesse mês a cobrar pela água, o que tem deixado muita gente preocupada. De fato, a cobrança pela água é muito mais complexa do que se pode imaginar a primeira vista. Os chamados usuários – qualquer ente físico ou jurídico que utilize águas de um determinado corpo d’água, como irrigantes, indústria, serviços de saneamento, etc. – terão que pagar por ela, desde que esteja acima do chamado “uso insignificante”, que no São Francisco foi determinado em 4 litros por segundo. Acima disso, qualquer usuário terá que receber uma outorga e terá que pagar por cada metro cúbico utilizado.



Mas, não paga apenas pelo que capta, pagará também pelo que devolve ao corpo d’água em forma de efluentes. Quanto mais limpa for a água captada, mais caro se paga. Quanto mais suja for a água devolvida, mais caro se paga. Quando o uso é “consuntivo”, isto é, a água retirada não volta mais àquele corpo d’água, como é o caso da Transposição, ainda mais caro se deve pagar.



O critério é o enquadramento dos corpos d’água, que de forma sintética, classifica a qualidade da água. Aí entra outro fator complexo, já que a classificação é pelo DBO – demanda biológica por oxigênio – que indica a demanda de oxigênio que aquele efluente vai demandar do corpo d’água para processar seu material orgânico. Portanto, não são avaliadas questões chaves, como a contaminação por metais pesados.



A água do São Francisco a ser captada pela Transposição está classificada no nível 2, portanto, nem a melhor das águas, nem a pior. Além do mais, é um uso cem por cento consuntivo, já que nenhuma gota voltará ao São Francisco. O problema é que sua adução até os demais estados demanda muita energia e manutenção dos canais e maquinários. Então, o governo, que sempre garantiu que essa água seria barata, agora quer impor redução no preço da água transposta. Resultado, os beradeiros do São Francisco poderão pagar mais caro pela água do rio que os receptores nos estados do setentrional.



Discute-se também se para pôr um barco na água, para pescar, etc., esses pequenos usuários deveriam pagar. Pelo menos no comitê do São Francisco, ainda não. Porém, os pequenos agricultores mineiros estão apavorados porque agora tem que registrar suas minações, olhos d’água e outras formas de captação, mesmo que o uso seja insignificante e não tenham que pagar pelo seu uso.



Enfim, agora água é mercadoria, tem valor econômico e será vendida como qualquer produto. Há quem defenda a cobrança pela água como uma medida pedagógica e disciplinar. Nós achamos que o mecanismo da cobrança não estabelece o uso equitativo da água – quem tiver outorga e dinheiro para comprar leva -, e que outros mecanismos seriam mais eficientes para disciplinar e fazer justiça no uso da água. Mas, prevaleceram os interesses e a lógica do capital, embutidos em nossa lei de recursos hídricos.



No futuro, quando toda água estiver mercantilizada, novas formas de fazer da água um negócio deverão aparecer. Previmos esses desdobramentos desde a Campanha da Fraternidade da Água, em 2004. Agora estamos colhendo os frutos da implementação dessa lei e da política que ela nos trouxe.



Roberto Malvezzi (Gogó), Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT, é articulista do Portal EcoDebate.
www.ambienteja.info

Carta do Canto Verde sobre Justiça Climática no Nordeste


Prainha do Canto Verde(foto: Camila Garcia)


Nós, povos e comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil, presentes na Oficina Justiça Climática no Nordeste: afirmação dos territórios tradicionais como estratégia para o enfrentamento da crise climática¹ , acontecida na comunidade da Prainha do Canto Verde- Beberibe/CE nos dias 26 e 27 de agosto de 2010, consideramos que o tema das mudanças climáticas não pode ser como um quadro branco no qual se vai tentando riscar novas teorias para fatos já muito bem conhecidos por nós. As mudanças climáticas impactam diretamente em nossos espaços territoriais e vida cotidiana, e, portanto não é um debate que se encerra apenas no campo da ciência e da macropolitica.



Além disso, tais mudanças no clima assim como as injustiças ambientais de um modo geral, são resultadas de um modelo de sociedade capitalista ocidental, pautado na apropriação privada dos bens naturais, na acumulação e concentração de riqueza e na geração de muitas desigualdades. Esse modelo se manifesta das mais diferentes formas: no agro e hidronegócio; no uso indiscriminado dos agrotóxicos e seus venenos; no turismo de massa; nos complexos portuários; nas atividades de mineração; nas hidrelétricas; nas indústrias siderúrgicas e petroquímica e tantas outras que destroem nossas florestas; nossa catinga; nossos manguezais; poluem águas e solos e destrói muitas vidas.



Os modos de vida desses povos e comunidades nos territórios étnico-ambientais, em diferentes biomas como a Zona Costeira, a Caatinga e o Cerrado e outros, possibilitou um manejo dos recursos naturais que integra sociedade e natureza de forma que as temporalidades sócio-econômicas de um não aniquilem as temporalidades físico-ambientais do outro.



As populações e povos tradicionais em suas diversidades, indígenas, quilombolas, caiçaras, agriculturas e comunidades pescadores e pescadores, agroextrativistas e outras, constroem saberes e formas de viver e se relacionar com os ecossistemas valorizando e garantindo a biodiversidade. Nossas culturas estão fortemente vinculadas aos ciclos e processos naturais dos biomas onde vivemos. A despeito de sua importância para a existência da vida no planeta, os biomas e suas populações tradicionais, encontram-se ameaçadas pelo autoritarismo do modelo mercadológico. Embora nossa forma de ser e de viver tenham garantindo ao longo da historia a manutenção dos ecossistemas, são consideradas atrasadas e transitórias. Nossos saberes, conhecimentos e necessidades não são considerados na elaboração das políticas e nos processos de tomada de decisões sobre os rumos do mundo e da economia. O estado por sua vez, tem sido um dos principais agentes desse modelo, investindo, financiado e incentivando os responsáveis pelas mudanças climáticas, catástrofes e outras injustiças sociais e ambientais. Essa violência por parte do Estado atinge diretamente os povos e comunidades que tradicionalmente não vivem da venda de sua força de trabalho, mas do manejo equilibrado dos bens ambientais.



As respostas dadas pelos organismos financeiros multilaterais, governos e grandes grupos econômicos não interferem nas estruturas desse modelo de desenvolvimento, são soluções de mercado para se garantir frente as crises ambientais e, dentre elas as mudanças climáticas. E mais uma vez as populações que não decidiram sobre os rumos dos processos econômicos e são as principais atingidas por seus impactos, são deixadas de fora ou a margem dos espaços e processos oficiais de construção de propostas de enfrentamento das mudanças climáticas. Entretanto, sãos as praticas e formas de viver dessas populações que demonstram outras lógicas de sociedade e outras formas de relação com a natureza. Essas formas tradicionais de ver e de viver no mundo garantem justiça social, ambiental e climática.



ASSINAM ESTA CARTA:



Associação de Moradores Prainha do Canto Verde



Associação dos Moradores de Brasília Teimosa



Associação dos Produtores de Algas de Flecheiras e Guarijú – APAFG, Ceará



Brasil Iniciative Freibuze V.



Cáritas



Centro de Cultura Negra do Maranhão



Centro de Formação Mandacarú de Pedro II



Centro Regional de Assessoria e Capacitação - CERAC



Cordenadoria Ecumênica de Serviço - Cese



Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas - Maranhão



Fórum Carajás



Fórum Cearense de Mulheres



Fórum em Defesa da Vida no Baixo Parnaíba Maranhense



Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará



Instituto Terramar



IRPAA- Inst. Agropecuária Apropriada



Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – Alagoas



Movimento Nacional de Pescadores - MONAPE



Núcleo Tramas/UFC



Organização Popular de Aracati



Povo Indígena Tabepa - Ceará



Povo Indígena Tremembé de Almofala – Ceará



Rede de Educação Ambiental do Litoral Cearense – REALCE



Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares



Sociedade Maranhense de Direitos Humanos



¹Atividade realizada pelo Programa Direito a Terra, Água e Território (DTAT), formado pela Organização Intereclesiástica de Cooperação para o Desenvolvimento (ICCO) e 14 organizações no Brasil.



www.terramar.org.br