terça-feira, 15 de maio de 2018

Ministro diz que agronegócio tem ‘tudo a perder’ com pacote do veneno




O agronegócio brasileiro tem tudo a perder e nada a ganhar com as flexibilizações do licenciamento ambiental e da lei dos agrotóxicos, que podem ser votadas nos próximos dias na Câmara dos Deputados por pressão da bancada ruralista. Quem diz é o ministro-substituto do Meio Ambiente, Edson Duarte, 52.

Segundo o ministro, o pleito central dos ruralistas na questão do licenciamento, a dispensa para a agropecuária extensiva, já havia sido atendido pelo texto negociado com os deputados pelo seu antecessor, Sarney Filho (PV-MA).

A proposta de acordo, porém, foi renegada pela Frente Parlamentar da Agropecuária, que defende um outro projeto de lei que amplia isenções e deixa na mão de Estados e municípios a definição dos critérios de rigor para as licenças.

Os ruralistas afirmam que brigam pela desburocratização do licenciamento. Duarte alerta: “O atalho pode tornar a estrada mais longa.” Para o ministro, enfraquecer esse instrumento é um risco para o setor produtivo.

“Além da judicialização alta, a flexibilização vai trazer para a conta do setor uma imagem que vai ser muito prejudicial”, diz. “Porque, se tivermos daí para a frente algum problema com os nossos biomas e alguns impactos e acidentes ambientais, isso certamente irá para a conta do movimento de flexibilização da legislação.” Fonte Observatório do Clima 

(#Envolverde)

Mangue não é tudo igual! Há um abismo genético entre os manguezais do Brasil

Mangue: mais diverso do que aparenta. Foto: Mariana Vargas Cruz.
Salvem a Amazônia! SOS Mata Atlântica! O Cerrado está sendo destruído! Protejam o Pantanal! E os manguezais, onde ficam nesta história? Metade da área original de mangue do litoral brasileiro já desapareceu. Você sabia disto?
Os manguezais estão entre os ecossistemas mais negligenciados em todo o mundo. "Entre 1983 e 1997, praticamente metade (46%) da área original ocupada pelos manguezais no litoral brasileiro desapareceu, aterrada pelas atividades humanas, como a especulação imobiliária”, afirma o biólogo Gustavo Maruyama Mori, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus do Litoral Paulista, em São Vicente-SP.
A despeito da perda de metade dos nossos manguezais originais, ainda assim o Brasil possui a segunda maior área de manguezal do mundo. Em 2014, estima-se que havia 81,5 mil km2 de manguezais nas regiões tropicais e subtropicais ao redor do planeta. Deste total, 9,5% (ou 7,6 mil km²) ficam no Brasil. Ficamos atrás apenas da Indonésia (23,1 mil km²), e bem à frente do terceiro colocado, a Malásia, com 4,7 mil km².
“Apesar da grande perda de área de mangue registrada nas duas últimas décadas do século 20, desde 2000 ocorreu uma redução significativa na taxa de desflorestamento de manguezais,” diz Mori. "Em 2000, havia 7,7 mil km² de mangue no Brasil. Em 2014, a área caiu para 7,6 mil km², uma perda de menos de 1%.”
Os manguezais brasileiros se espalham por muitas centenas de quilômetros ao longo do nosso litoral, desde o Amapá até Santa Catarina. Os manguezais são ecossistemas que funcionam como uma interface entre o mar e os rios que neles deságuam. Regados diariamente pelos nutrientes trazidos pela água doce, os manguezais são ambientes de extrema importância como berçário de peixes marinhos de valor comercial, como o robalo, e de crustáceos como camarões e caranguejos.
Gustavo Mori coletando espécimes no mangue. Foto: Mariana Vargas Cruz.
"A destruição dos manguezais é uma perda irreparável, com sérias consequências para a atividade pesqueira e para as populações caiçaras que dependem do mangue para o seu sustento,” afirma Mori.
No Laboratório de Ecologia Molecular do Instituto de Biociências da Unesp, em São Vicente, Mori e seus alunos estão realizando um grande estudo para entender a diversidade genética do mangue brasileiro. As pesquisas de Mori iniciaram há mais de 10 anos, quando ele ainda era aluno de doutorado da Profa. Anete Pereira de Souza, a chefe do Laboratório de Análise Genética Molecular, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Geneticista especializada em plantas, Souza lidera diversos grupos de pesquisa que investigam a diversidade genética de plantas de grande valor comercial e ecológico, como por exemplo a seringueira, cana-de-açúcar, capim para pastagens, mangue, entre outros.
"De meu laboratório saiu uma nova geração de pesquisadores. Foram 50 doutores nos últimos 20 anos," diz Souza. "Eles puderam treinar e aprender as mais modernas técnicas genéticas utilizando equipamentos e material sofisticado. Tudo isto só foi possível graças ao apoio praticamente ininterrupto que tenho recebido das grandes agências de financiamento à pesquisas no Brasil: Fapesp, CNPq, Capes e Finep."
“O Gustavo é apaixonado pelo mangue. Seu trabalho vem aos poucos revelando aspectos da história evolutiva dos manguezais brasileiros, algo sobre o que não se conhecia praticamente nada até ele se interessar pelo assunto e começar a investigá-lo,” afirma Souza.
“O mangue é formado por plantas muito particulares,” diz Mori. “O fato delas dispersarem suas sementes pela água não é uma coisa que costumamos ver. Outra coisa que me chamava atenção era ver que a maioria das plantas não sobrevive no ambiente de mangue.”
Raízes aéreas de Rizophora. Foto: Mariana Vargas Cruz.
O grupo liderado por Mori e Souza, com a participação de Patrícia Mara Francisco e seu trabalho de Doutorado sobre a variação genética de 3 espécies de mangue ao longo da costa do Brasil, já descobriu duas coisas notáveis. A primeira delas tem a ver com a diversidade dos manguezais brasileiros. Apesar de compostos pelas mesmas espécies, os mangues da região Norte são geneticamente diferentes dos manguezais das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Isto acontece porque as espécies que crescem no manguezal dispersam suas sementes na água, que as transporta ao oceano, onde são levadas pelas correntes marinha que ali circulam. Deste modo, as sementes dos manguezais do Norte flutuam apenas na direção noroeste, enquanto que as sementes dos manguezais do Sudeste e Sul flutuam rumo ao Sul.
Funciona assim: a Corrente Sul Equatorial é uma corrente marinha que atravessa o oceano Atlântico desde a costa africana até o litoral do Nordeste, onde suas águas bifurcam formando duas novas correntes. Ao Norte, a Corrente do Norte do Brasil banha os litorais do Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Pará e Amapá. Já a Corrente do Brasil desce pelo litoral do Nordeste, lambendo as costas das regiões Sudeste e Sul do País.
É a direção oposta destas duas correntes que faz com que as populações de árvores de mangue que crescem no Norte e no Sul do Brasil não troquem genes entre si. Decorre daí que, ao longo de milhões de anos de evolução, as espécies do mangue foram tendo características selecionadas de maneira que as duas populações se adaptassem às condições das diferentes regiões do litoral brasileiro. A minuciosa investigação genética levada a cabo pelos pesquisadores pôde verificar que os manguezais do norte do Brasil são, por exemplo, adaptados à maior insolação equatorial, enquanto que os manguezais do sul podem crescer num regime de menos dias de sol ao longo do ano.
“Existem dois gêneros que ocorrem nos manguezais de todo o mundo, Avicennia e Rhizophora. Apesar de pertencerem a famílias e ordens completamente diferentes, ou seja, são evolutivamente muito distantes, não possuindo ancestrais comuns próximos, Avicennia e Rhizophora se adaptaram às condições específicas dos manguezais.”
“A gente verificou que a diferença entre as mesmas espécies de mangue que ocorrem no Norte e no Sul é, em termos genéticos, gritante!” afirma Souza.
Cabe aqui um parênteses para explicar exatamente o que vem a ser o mangue. Manguezal é como se chama a floresta composta por espécies de mangue, que é um tipo específico de plantas (são árvores) adaptadas a crescer em ambientes litorâneos inundados diariamente pela maré alta. Em outras palavras, trata-se de um ambiente que quase nenhuma planta terrestre toleraria… à exceção do mangue.
Existem dois gêneros que ocorrem nos manguezais de todo o mundo, Avicennia e Rhizophora. Apesar de pertencerem a famílias e ordens completamente diferentes, ou seja, são evolutivamente muito distantes, não possuindo ancestrais comuns próximos, Avicennia e Rhizophora se adaptaram às condições específicas dos manguezais.
As condições daqueles locais à beira mar que sofrem a influência da maré exigiram que Avicennia e Rhizophora desenvolvessem soluções adaptativas engenhosas e semelhantes. Elas suportam viver em ambientes alagados tanto pela água doce dos rios quanto pela água salgada das marés. Avicennia e Rhizophora germinam e crescem fincando suas raízes no lodo do manguezal, um substrato movediço que, embora rico em nutrientes trazidos pelos rios e pela maré, é quase completamente anaeróbico, ou seja, desprovido de oxigênio. Como adaptação à pobreza de oxigênio do lodo instável, Avicennia e Rhizophoradesenvolveram raízes aéreas, que permitem lidar com a falta de oxigênio e sustentar a árvore mesmo quando a maré sobe e o solo encharca. “Avicennia possui raízes aéreas pequenas, de até uns 15 centímetros e que conseguem respirar. Já as raízes de Rhizophora podem se estender em arcos que chegam a vários metros de comprimento,” explica Mori.
Espécimes de mangue selecionados para estudo em laboratório, na Unicamp. Foto: Mariana Vargas Cruz.
Por causa das marés, o lodo dos manguezais é extremamente salino. E a presença de sal no solo é fator inibidor para a germinação de quase todas as plantas terrestres - menos as árvores de mangue. Elas possuem adaptações que permitem às suas raízes absorver a água salgada e dela extrair o sal marinho, que é então expelido, por exemplo, através da superfície de suas folhas. Aí o vento e a água da chuva executam o resto do serviço, ao soprar ou lavar a superfície das folhas, varrendo todo o sal acumulado.
Para dispersar suas sementes, as plantas em geral fazem uso de diversas estratégias. As sementes podem simplesmente cair no chão e germinar ali mesmo, elas podem ser levadas pelo vento, ou podem ainda ser dispersadas nas fezes dos animais que se alimentam dos frutos que abrigam as sementes. Com o mangue não acontece nada disto. As sementes são dispersas na água da maré vazante. São sementes bastante resistentes à ação corrosiva da água do mar, e que, uma vez no oceano, podem flutuar por várias semanas e até meses conservando o seu poder germinativo até ir dar numa área onde poderão, então, germinar e crescer. É por causa desta estratégia de dispersão que os mangues do Norte do Brasil são diferentes geneticamente dos mangues do Sudeste e do Sul.
Há dezenas de espécies de Avicennia e Rhizophora crescendo nos mangues de todos o mundo. No Brasil, só existem cinco. São duas espécies de Avicennia e três de Rhizophora (R. mangle, R. racemosa e uma espécie híbrida entre elas, R. harrisonii), sendo este último gênero popularmente conhecido como mangue-vermelho. “Rhizophora é o gênero símbolo do mangue. Por ser a mais resistente à influência da maré, muitas vezes cresce à beira d’água, formando o cartão-postal mais visível do mangue para os banhistas e para os turistas que seguem ao litoral e, para chegar nas praias, precisam cruzar áreas de mangue,” explica Mori.
Gustavo Mori coletando espécimes no mangue. Foto: Mariana Vargas Cruz.
Já Avicennia, gênero comumente chamado de mangue-preto, sereíba ou siriúba, tem duas espécies que ocorrem no Brasil, Avicennia schaueriana e A. germinans. Ambas crescem em terrenos um pouco mais distanciados da beira d’água, onde domina Rhizophora.
“As ferramentas genéticas de que dispomos nos dão condições de fazer um diagnóstico genético bastante acurado da devastação sofrida pelo mangue. A técnica de análise por marcadores moleculares, chamados microssatélites, permite identificar o quanto de uma região de floresta foi degradada,” explica Souza.
O grau de degradação se revela a partir da comparação dos microssatélites do genoma nuclear (o DNA) das árvores que compõem uma mesma área de mangue. “O trabalho é feito por amostragem e comparação do genoma das plantas. Desta forma, a gente consegue saber quão diferentes ou semelhantes são os indivíduos de uma mesma população,” explica Souza.
Quando o DNA das árvores é muito parecido, muito próximo, isto sugere que elas descendem de um mesmo pequeno grupo de plantas ancestrais, provavelmente aquelas que sobreviveram ao desmatamento, podendo assim repovoar a área. “Quando encontramos num manguezal muitas plantas com as mesmas variações genéticas, significa que ali não existe mais uma diversidade genética expressiva,” diz Souza.
De modo inverso, se o DNA das árvores do mangue é diverso, revelando grande variedade genética dentro de uma mesma população, isto sugere que houve tempo para se acumular diversidade genética, via mutações, dentro da mesma população, logo trata-se de uma floresta antiga, formada por vegetação primária.
“Quando as plantas de uma população perdem diversidade, isso é um problema. Elas podem definhar, podem apresentar problemas de crescimento ou de adaptação. As plantas que não possuírem mais os genes que conferem, por exemplo, resistência à falta de água, podem morrer quando vier uma estiagem,” explica Souza. “Neste sentido, as populações de mangue com baixa diversidade genética podem vir a sofrer mais com os efeitos das mudanças climáticas.”
Coleta de espécimes no mangue. Foto: Mariana Vargas Cruz.
Tomemos o exemplo de Avicennia. As árvores que crescem nos manguezais do delta do rio Amazonas são mais adaptadas à maior insolação e ao clima mais quente. Por outro lado, Avicennia que cresce nos manguezais na região de Florianópolis sobrevive bem em ambientes não tão quentes, com menor luminosidade, e baixas temperaturas durante o inverno. “Isto significa que projetos de reflorestamento de manguezais na região Norte não podem ser feitos com mudas trazidas do Sul, e vice-versa. As mudas irão morrer,” diz Souza.
Mori e Patrícia desenvolveram um sistema de marcadores para poder identificar semelhanças e diferenças entre as mesmas espécies de mangue que crescem em regiões diferentes. Foram usados mais de 40 microssatélites para estudar as espécies.
Uma das descobertas mais surpreendentes foi a ocorrência de hibridização entre espécies diferentes de Avicennia. "Hibridização é um processo evolutivo que permite o fluxo gênico, ou a troca de genes entre espécies diferentes. A gente não só identificou híbridos em Avicennia, como verificou que indivíduos desta primeira geração de híbridos também conseguiram cruzar. Agora queremos descobrir qual é o processo que está por trás do aparecimento destes híbridos.”
Os próximos passos da pesquisa, já em andamento, envolvem a identificação e análise de um outro tipo de marcadores moleculares, os chamados SNPs (pronuncia-se “snips", que quer dizer polimorfismo de nucleotídeo único). “Se, no caso dos microssatélites, conseguimos desenvolver algumas dezenas de marcadores, no caso dos SNPs a ordem de marcadores será na casa dos milhares,” diz Mori. “Assim, poderemos realizar uma análise genética muito mais refinada da variabilidade genética que existe nas espécies do mangue.”
Com isto, diz Mori, pretende-se obter respostas para as seguintes perguntas: “Como será que as espécies responderão às novas condições climáticas? Elas vão se adaptar? Se sim, de que forma? Quais são os genes que permitem fazer com que duas populações de uma mesma espécie ocupem ambientes tão diversos?”

Por Peter Moon, da Agência Brasileira de Divulgação Científica*Publicado originalmente no blog da Agência Brasileira de Divulgação Científica e republicado em ((o))eco. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Biomas do Cerrado, Caatinga e Pantanal correm perigo


Projetos hidroelétricos e desmatamento das matas ciliares arriscam os cursos d’água, dizem especialistas.
Forum Mundial Agua Ramilla Rodrigues 34Na ultimo dia 22/03, especialistas se reuniram no 8º Fórum Mundial das Águas, para falar como as ameaças aos biomas brasileiros podem comprometer o futuro das águas brasileiras. Embora o país seja detentor de mais de 10% da água doce do mundo e possua inúmeros aquíferos, a questão hídrica já passa a preocupar a sociedade brasileira.
Biomas como Amazônia, Caatinga, Pantanal e, principalmente, o Cerrado, o berço das águas brasileiras, correm perigo. O desmatamento é um fator determinante para o assoreamento dos rios amazônicos. “As matas ciliares protegem o rio da erosão e do assoreamento”, explica a representante do Instituto Amazônia Sustentável, Nayandra Pereira.
O Pantanal é um desses biomas que também pede socorro. A região do Pantanal possui um alto potencial hidroelétrico e atualmente 70% é utilizado com expectativa de colocar em funcionamento mais de 100 usinas hidroelétricas e barramentos fluviais. No entanto, conforme alerta a professora da Universidade do Mato Grosso (UNEMAT), Solange Ikeda, essa operação pode findar de vez os rios pantaneiros, ameaçando todo o bioma. “Para funcionar, as usinas alteram os cursos d’água, os meandros dos rios que são fundamentais para que seja mantido o ciclo natural do Pantanal, de cheia e vazão”, esclarece Ikeda.
Um destes exemplo foi o que aconteceu no dia 29 de setembro de 2002, a cidade de Jauru parecia viver um velório ante às montanhas de escamas brilhantes formadas pelos peixes. Eles estavam amontoados não pela destreza dos pescadores que vivem há gerações daquelas águas, mas sim porque não havia mais nada além do leito seco. Em pleno Pantanal brasileiro, uma das maiores áreas úmidas do mundo, um rio outrora caudaloso e cheio de vida secou. Isso ocorreu quando a Usina Hidrelétrica de Jauru fechou as comportas, estancando todas as fontes que davam vida àquele rio.
Áreas Protegidas podem ser a solução
Para proteger os rios dessas ameaças, as áreas protegidas cumprem um papel importante ao frear o avanço do desmatamento e por consequência a erosão que compromete os rios. Também resguardam os pontos de penetração da água dos aquíferos subterrâneos e garantem a continuidade das atividades de pesca e extrativismo das populações tradicionais.
Para o diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial do ICMBio, Claudio Maretti, é preciso também pensar no potencial das águas durante o processo de criação das unidades de conservação. “Temos conceitos e práticas para criar e gerir UCs, mas eles são essencialmente terrestres. Fizemos algumas adaptações para o mar, mas precisamos pensar nisso para os ecossistemas fluviais”, elucida Maretti. “Usar a convenção RAMSAR, por exemplo, é uma oportunidade para aprimorar nosso conhecimento sobre sistemas de água doce”, pontua.

Ramilla Rodrigues
ramilla.rodrigues@icmbio.gov.br
ICMBIO

Brasil tem três novas áreas reconhecidas como sítios Ramsar

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O Brasil reconheceu três novas áreas úmidas como Sítios Ramsar, título que promove a proteção e a sustentabilidade de habitats aquáticos em todo o mundo. Foram reconhecidos o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, a Bacia do Rio Negro, no Amazonas e os manguezais da foz do Rio Amazonas.
O anúncio foi feito hoje (22) pelo diretor do Departamento de Ações de Consolidação Socioambiental e Territorial do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Cláudio Moretti, durante sessão especial no 8º Fórum Mundial da Água. Com a inclusão desses três sítios aos 22 já existentes, o Brasil é o país que detém a maior extensão em áreas reconhecidas como Sítio Ramsar.

O título internacional contribui para que essas regiões conquistem novas parcerias, acordos de cooperação, apoio às pesquisas e obtenção de financiamento a projetos de preservação e conservação ambientais.
O diretor do ICMBio disse que o Brasil deve melhorar a gestão de recursos hídricos em unidades de conservação. “Não basta ganhar o reconhecimento, temos que entender como gerir essas áreas para atender os objetivos de proteção dessas áreas úmidas de importância internacional. Isso significa que é uma oportunidade usar a convenção Ramsar para melhorarmos o nosso conhecimento básico e a nossa prática de como criar e gerar áreas protegidas no contexto de fluxos hídricos de água doce”, disse Moretti.

Biomas

Durante a sessão, foram discutidos os desafios para a proteção de biomas no Brasil. Na Amazônia, além do combate ao desmatamento, um dos maiores desafios é a dificuldade de gestão dos recursos hídricos, tanto pelo tamanho da bacia quanto pelo fato de ela pertencer a vários países.
“Ter representatividade dos diversos atores que tem poder de decisão em cima daquela bacia é um grande desafio”, disse a representante do Programa de Soluções Inovadoras na Fundação Sustentável da Amazônia, Nayandra Kellen Pereira. Segundo ela, é preciso achar alternativas para o modelo de gestão de bacias existente no país, como a formação de comitês de microbacias.
Ela também ressaltou a necessidade de investir nas pessoas e nos saberes tradicionais da Amazônia. “Essas pessoas detêm um conhecimento de problemas que estão realmente acontecendo e são as melhores pessoas que podem se unir para proteger essas áreas. Investir nessas pessoas, fazer com que elas tenham acesso a políticas públicas e qualidade de vida é a chave para que elas não queiram desmatar”, disse.
A especialista disse que a Amazônia tem papel fundamental em toda umidade da América do Sul. A cada dia 20 bilhões de toneladas de vapor de água são emitidos da floresta. “Isso é mais do que a gente tem na própria bacia”, diz.

Pantanal

No Pantanal, as maiores ameaças atualmente são a possibilidade de construção de novas usinas hidrelétricas e de uma hidrovia Paraná-Paraguai, que está em processo de licenciamento.
“A comunidade já se colocou contrária por conhecer o que significa o curso de inundação do Pantanal. Sem os meandros, que são as curvas do rio, e, se aprofundarem o canal do rio, não vamos mais ter o Pantanal”, disse a professora da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), Solange Castrillon.
Segundo ela, o planejamento energético do país prevê a construção de 100 novas pequenas centrais hidrelétricas na região.

“O governo deve perceber que a instalação dessas hidrelétricas que estão sendo planejadas, assim como o projeto de hidrovia Paraná-Paraguai vai inviabilizar o Pantanal. Nós não estamos em um bioma isolado, temos em uma conectividade entre todos os biomas, cerrado, pantanal, mata atlântica”, ressaltou a especialista.

Da Agência Brasil

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Consulta aberta da Oficina da Estratégia Nacional de Conservação e Uso Sustentável das Áreas Úmidas



Avisos!

• Este formulário se destina ao recebimento de contribuições da sociedade à "Estratégia Nacional de Conservação e Uso Sustentável das Áreas Úmidas do Brasil" elaborada pelos participantes da Oficina de Trabalho sobre Áreas Úmidas - Convenção de Ramsar, realizada em agosto de 2017, e pelos membros do Comitê Nacional de Zonas Úmidas (CNZU).

• As informações pessoais dos participantes são de cunho obrigatório, e as demais seções podem ser preenchidas de acordo com a área de conhecimento e desejo de contribuição de cada colaborador.

• Ao final do formulário há uma seção de informações complementares, caso haja algum comentário que não se encaixa em nenhuma das seções pré-estabelecidas.

• O documento está disponibilizado na íntegra, juntamente com esse questionário, no formato PDF. Clique aqui para acessar o Google Drive.

• As estratégias, conforme explicado no documento completo, são divididas em dois objetivos:

 Objetivo 1: é composto pelas estratégias de 1.1 a 1.6, e visa implementar os Sítios Ramsar por meio de princípios comuns, orientados pela Convenção Ramsar e respeitando suas especificidades.
 Objetivo 2: é composto pelas estratégias de 2.1 a 2.5, e visa fomentar ações transversais de âmbito nacional para a conservação das áreas úmidas.

• O formulário ficará disponível para preenchimento até 15/03/2018.

• Para mais informações, entre em contato pelo telefone (61) 2028-2066 / (61) 2028-2028 ou pelo email cnzu@mma.gov.br



*Obrigatório
Estratégia 1.1

Promover ações que aumentem a participação social na governança dos Sítios e sua integração com as políticas ambientais e de recursos hídricos.Ações
1.1.1. Criar conselhos gestores nos Sítios Ramsar que ainda não possuem.
1.1.2. Melhorar/assegurar maior representatividade e participação social de povos indígenas e demais povos e comunidades tradicionais nos conselhos gestores de Sítios Ramsar.
1.1.3. Desenvolver capacidades em gestão territorial, recursos hídricos e meio ambiente para os atores envolvidos na gestão dos Sítios Ramsar.
1.1.4. Fomentar a integração entre os conselhos gestores dos Sítios Ramsar e outros colegiados de gestão territorial.
Estratégia 1.2

Promover a gestão do conhecimento e capacitação dos gestores dos Sítios Ramsar.Ações
1.2.1. Criar uma rede constituída por Gestores de Sítios Ramsar brasileiros que proporcione interações virtuais e fomente encontros periódicos.
1.2.2. Fortalecer a representatividade dos Sítios Ramsar no CNZU e aumentar a participação dos gestores nas reuniões do Comitê.
1.2.3. Promover a capacitação continuada dos gestores dos Sítios Ramsar.
1.2.4. Proporcionar intercâmbios nacionais e internacionais aos gestores de Sítios brasileiros, visando conhecer experiências bem sucedidas em Sítios Ramsar considerados como referência para a Convenção.
1.2.5. Sistematizar e disponibilizar as experiências exitosas de gestão dos Sítios Ramsar.
1.2.6. Estimular o desenvolvimento de boas práticas e inovações na gestão dos Sítios Ramsar e sua estruturação como Sítios de referência.
Estratégia 1.3

Promover a gestão e o monitoramento dos Sítios Ramsar.Ações
1.3.1. Priorizar a elaboração dos Planos de Manejo nos Sítios Ramsar que não os possuem e, quando necessário, realizar a revisão dos já existentes, considerando as orientações da Convenção de Ramsar.
1.3.2. Implementar programas de monitoramento da biodiversidade e recursos hídricos integrados, participativos e de longo prazo nos Sítios Ramsar, que utilizem indicadores de baixo custo e fácil verificação.
1.3.3. Desenvolver e aplicar metodologias de mapeamento dos serviços ecossistêmicos das áreas úmidas dos Sítios Ramsar que incorporem seus aspectos ambientais e sócio-culturais.
1.3.4. Utilizar a informação gerada sobre os serviços ecossistêmicos para fomentar a aplicação de instrumentos econômicos de políticas públicas ambientais, visando à conservação de suas áreas úmidas.
1.3.5. Reduzir/evitar a poluição e alteração da dinâmica hídrica nos Sítios Ramsar.
1.3.6. Promover a erradicação/controle das espécies invasoras nos Sítios Ramsar.
1.3.7. Fomentar o processo de elaboração dos instrumentos de gestão dos territórios que compõem o Sítio Ramsar, considerando as especificidades de cada território e segmento de povos e comunidades tradicionais.
1.3.8. Promover a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e dos Projetos de Recomposição de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADAs) nos Sítios Ramsar ou em suas áreas de entorno.
Estratégia 1.4

Incorporar a mudança do clima na gestão dos Sítios Ramsar.Ações
1.4.1. Promover a gestão integrada e transversal dos Sítios Ramsar, considerando as análises de vulnerabilidade às mudanças do clima.
1.4.2. Promover a disseminação de conhecimentos adquiridos em relação à incorporação da mudança do clima na gestão de áreas úmidas dos Sítios Ramsar.
1.4.3. Reduzir a vulnerabilidade à mudança do clima dos Sítios Ramsar.
Estratégia 1.5

Promover a divulgação e visitação pública nos Sítios Ramsar.Ações
1.5.1. Apoiar a estruturação dos Sítios Ramsar voltada à visitação pública.
1.5.2. Fortalecer o turismo especializado em vida selvagem e áreas úmidas.
1.5.3. Implementar o ordenamento dos serviços de apoio ao turismo nos Sítios Ramsar.
1.5.4. Criar campanha de mídia e devolver instrumentos para promoção e divulgação dos Sítios e seus serviços ecossistêmicos em diferentes canais de comunicação (rádio, televisão, redes sociais, entre outras).
1.5.5. Promover a visitação dos Sítios Ramsar.
1.5.6. Realizar estudos e adotar instrumentos voltados para a redução de impacto das visitações, tais como: análise da capacidade de carga e da viabilidade econômica, plano de uso público, estudos de mercado e concessão de serviços.
Estratégia 1.6

Promover a gestão integrada da paisagem dos Sítios Ramsar e entorno.Ações
1.6.1. Ampliar os mecanismos de proteção das áreas úmidas por meio de ações que promovam a conectividade dos ecossistemas úmidos, tendo como pano de fundo o reconhecimento de Sítios Ramsar Regionais.
1.6.2. Realizar um planejamento territorial integrado nos Sítios Ramsar e seu entorno com interface nas demais áreas protegidas e territórios de povos e comunidades tradicionais.
1.6.3. Fomentar a elaboração dos instrumentos de gestão dos territórios que compõem os Sítios Ramsar e/ou suas áreas de entorno.
1.6.4. Fomentar a elaboração dos instrumentos de gestão dos territórios que compõem o Sítio Ramsar Regional, considerando as especificidades de cada território e segmento de povos e comunidades tradicionais.
1.6.5. Harmonizar os instrumentos de gestão de cada unidade territorial que compõem o Sítio Ramsar Regional para a elaboração de um Plano de Gestão Integrada do Sítio Ramsar – PGI.
Contribuição (favor mencionar o n° da ação para a qual está contribuindo)
Estratégia 2.1

Aumentar o conhecimento básico e aplicado sobre os ecossistemas de áreas úmidas, visando aprimorar sua gestão e conservação.Ações
2.1.1. Estimular a geração de conhecimento científico sobre áreas úmidas e biodiversidade associada por instituições de pesquisa e universidades.
2.1.2. Reconhecer, dar visibilidade e potencializar a contribuição dos territórios tradicionais e povos indígenas, com os seus conhecimentos, tecnologias e práticas de uso e manejo dos recursos naturais, para a conservação das áreas úmidas e para a formulação e implementação de políticas públicas.
2.1.3. Promover a gestão do conhecimento sobre áreas úmidas por meio da integração entre as bases de dados existentes e ferramentas analíticas como os Sistemas de Suporte à Decisão (SSD).
2.1.4. Disseminar informações sobre conservação, recuperação e uso sustentável de áreas úmidas e biodiversidade associada e sua integração em políticas públicas.
2.1.5. Concluir e lançar o Inventário Nacional de áreas úmidas.
Estratégia 2.2

Considerar a conservação e uso sustentável das áreas úmidas nos instrumentos territoriais de gestão.Ações
2.2.1. Identificar os instrumentos territoriais de gestão que possuem interface com áreas úmidas relevantes.
2.2.2. Recomendar a adequação dos instrumentos territoriais de gestão existentes ou em elaboração para a consideração das diretrizes de Ramsar.
Estratégia 2.3

Promover a conservação das áreas úmidas por meio da gestão integrada da paisagem.Ações
2.3.1. Identificar os planejamentos setoriais ou projetos com grande potencial de impactos nas grandes áreas úmidas.
2.3.2. Fortalecer as ações voltadas à manutenção da conectividade hídrica e do regime de vazões adequadas aos processos ecológicos associados às áreas úmidas.
2.3.3. Priorizar áreas úmidas potenciais para a implantação de corredores ecológicos.
2.3.4. Priorizar a conservação de áreas úmidas nos mosaicos já existentes.
2.3.5. Incentivar a criação ou fortalecer os Comitês de Bacia Hidrográfica com Sítios Ramsar em seus territórios.
2.3.6. Promover a acreditação voluntária de municípios à Convenção de Ramsar, por meio do título ‘Cidade Amiga das Águas.
Estratégia 2.4

Promover a formação e informação sobre os valores ambientais, econômicos, sociais e culturais das áreas úmidas.Ações
2.4.1. Desenvolver processos de formação de base comunitária para o maior engajamento das populações locais no uso sustentável e conservação das áreas úmidas.
2.4.2. Articular a inclusão da temática das áreas úmidas na educação formal com órgãos competentes.
2.4.3. Desenvolver materiais sobre os valores das áreas úmidas e fomentar seu uso pelos professores da Educação Formal.
2.4.4. Fomentar atividades que divulguem a importância das áreas úmidas para os estudantes da Educação Formal.
2.4.5. Desenvolver estratégias de comunicação e materiais sobre os valores das áreas úmidas para a sociedade em geral.
2.4.6. Realizar eventos, com periodicidade regular, sobre a conservação de áreas úmidas.
2.4.7. Promover ações articuladas de divulgação do Dia Mundial de Áreas Úmidas entre os Sítios Ramsar, CNZU, MMA e instituições vinculadas.
Estratégia 2.5

Monitoramento e financiamento da Estratégia.Ações

2.5.1. Mapear oportunidades de financiamento para áreas úmidas.
2.5.2. Realizar busca ativa por recursos internacionais para implementação dos Sítios Ramsar em situação de maior vulnerabilidade.
2.5.3. Fomentar o acesso ao Fundo de Pequenas Subvenções (Ramsar Small Grants Fund) e ao Fundo Zonas Úmidas para o Futuro (Wetlands for the Future Fund) pelos Sítios Ramsar.
2.5.4. Propor novos fundos, projetos e editais exclusivos para áreas úmidas lato sensu.
2.5.5. Fomentar a geração de receitas nos Sítios Ramsar nos casos em que seja possível.
2.5.6. Inserir o critério “Sítio Ramsar” nos processos de indicação e escolha das unidades de conservação beneficiadas pela compensação ambiental por significativo impacto (Art. 36 SNUC).
2.5.7. Inserir o critério “Áreas Úmidas” e “Sítios Ramsar” em mecanismos econômicos já existentes (Termos de Ajuste de Conduta, Conversão de multa, ICMS Ecológico, ICMS Turístico, ICMS Cultural, entre outros).
2.5.8. Realizar avaliações anuais sobre o cumprimento das metas indicadas no Plano de Monitoramento.
Ações.

Informações Complementares

Caso haja algum comentário que não se encaixa em nenhuma das seções pré-estabelecidas, pode ser feito na contribuição a seguir.