segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Territórios de Uso Comum, Territórios para o Bem Viver: sociedade, ambiente e direitos territoriais

Evento será realizado de 14 a 16 de março, na UFMA.

SÃO LUÍS - Territórios de Uso Comum, Territórios para o Bem Viver: sociedade, ambiente e direitos territoriais, é o tema do Seminário Internacional do Grupo de Estudos Rurais e Urbanos (Gerur), que ocorre de 14 a 16 de março, no Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). As inscrições podem ser feitas no site www.seminariogerur.com.br.
Os interessados em apresentar trabalhos, devem submeter suas propostas até 6 de março no site do seminário. O Gerur funciona desde 1992, encontrando-se vinculado, desde o início dos anos 2000, ao Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFMA

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Ainda pode piorar! MMA recebe até domingo, 14, contribuições à Proposta de revisão das Resoluções Conama sobre licenciamento ambiental

Desmatamento da Amazônia - Mato Grosso. Foto capturada na internet, sem informação de autoria.

Desmatamento da Amazônia – Mato Grosso. Foto capturada na internet, sem informação de autoria.


Vale abrir parêntese antes da leitura da notícia abaixo: no dia 20/03/2013, postamos matéria de Marcelo Brandão, da Agência Brasil (Ministra do Meio Ambiente critica atribuições atuais do Conama), na qual Izabella Teixeira falava sobre o processo de licenciamento ambiental. Cito: “A proposta é do fim do Conama como instância deliberativa. O conselho não tem discutido novos padrões de qualidade do ar, dentre outros assuntos importantes para o meio ambiente. Sou de uma geração na qual o Conama debatia formas de gestão de políticas públicas para o meio ambiente”. Fecho o parêntese. (Tania Pacheco).
*
“Proposta de revisão e atualização das Resoluções Conama 1/86 e 237/97 entra em consulta
Notícias MMA – A revisão e atualização das resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que disciplinam os procedimentos para o licenciamento ambiental entram, nesta quarta-feira (04/02), em consulta pública pela Internet. Até 14 de fevereiro, qualquer cidadão pode contribuir com a proposta em estudo.
A Associação Brasileira de Entidades de Meio Ambiente, a Abema, que reúne secretários estaduais de 27 estados, é autora da proposta de revisão e atualização. Em 2015, a entidade promoveu várias reuniões para debater a modernização das resoluções. A minuta do novo texto, que pode ser consultada no site do Ministério do Meio Ambiente, está em análise na Câmara Técnica de Controle Ambiental do Conama, de onde segue para a Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos  antes de ir à Plenária.
A nova redação, fruto de debates promovidos ao longo de 2014 e 2015 em várias reuniões da Abema, levou a Câmara Técnica do Conama a criar um grupo de trabalho destinado a estudar e aperfeiçoar a proposta. Por decisão unânime, os membros da câmara técnica aprovaram a consulta, prevista pelo regimento interno do Conama.
A revisão da resolução 01/86, aprovada há 19 anos,  e a resolução 237/97, é necessária para dar mais eficiência e eficácia aos processos de licenciamento ambiental. Ao longo dos anos, foram identificadas  defasagens e novas situações não previstas nas citadas resoluções. De acordo com parecer da Abema as normas existentes precisam ser adequadas à realidade do País e aos novos conhecimentos e experiências adquiridos e gerados  ao longo desde a década de 80  A atualização das normas é necessária, também, para atender à nova legislação ambiental, modificada pela Lei Complementar 140, aprovada em 2011 pelo Congresso, e seu regulamento.
O projeto inova ao criar modalidades diferenciadas de licenciamento, adequando à realidade já existente nos Estados, que avançaram com suas legislações, na busca de eficiência dos processos e agilidade ao trabalho de análise nos órgãos de meio ambiente responsáveis pelo licenciamento.Com a modernização do licenciamento, as equipes técnicas e os demais recursos das instituições poderão ser voltados para agilizar a fiscalização e o monitoramento da qualidade ambiental.
A proposta  é diferenciar as modalidades  de licenciamento de acordo com a natureza, o porte e o potencial poluidor do empreendimento ou atividade, conforme determina a Lei 140/ Empreendimentos e atividades capazes de causar impactos diferenciados impacto passariam a ter tratamentos distintos, o que irá conferir maior qualidade e um aprimoramento no processo de licenciamento.
Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): 61 2028-1227″.



http://www.portalafricas.com.br/

Gigante dos investimentos é acusada de grilagem de terras



Marizilda Cruppe

Simon Romero – NYTimes, na Carta MaiorUma gigante financeira norte-americana e seus parceiros brasileiros têm investido centenas de milhões de dólares em negócios de terra no Cerrado
A gigante dos investimentos que administra a poupança de aposentadoria de milhões de administradores universitários, professores de ensino público etc, a TIAA-CREF se orgulha por defender valoressocialmente responsáveis, inclusive ressaltando seu papel na elaboração dos princípios das Nações Unidas que versam sobre a compra de terras agrícolas, promovendo transparência, sustentabilidade ambiental e respeito pelo direito à terra.
Mas os documentos mostram que as incursões da TIAA-CREF na fronteira agrícola brasileira podem ter ido na direção oposta.
A gigante financeira norte-americana e seus parceiros brasileiros têm investido centenas de milhões de dólares em negócios de terra no Cerrado, na enorme região que cerca a floresta amazônica, onde savanas arborizadas estão sendo demolidas e abrem caminho para a expansão agrícola, alimentando sérias preocupações ambientais.
Em um esforço gigantesco, o grupo financeiro americano e seus parceiros acumularam vastas áreas agrícolas, apesar de uma tentativa do governo brasileiro em 2010 para proibir que tais negócios se efetivassem em grande escala por parte de exploradores estrangeiros.
Embora a medida tenha frustrado as ambições de outros investidores estrangeiros, a TIAA-CREF prosseguiu com suas iniciativas em uma parte do Brasil marcada pelos conflitos de terra, sendo denunciada por adquirir fazendas a partir de um sombrio especulador de terras, acusado, por sua vez, de empregar homens armados para roubar terras de agricultores pobres.
Os documentos oferecem um vislumbre de como um dos maiores grupos financeiros dos EUA participaram da grilagem de terras brasileiras. Em 2010, o Brasil respondeu ao recrudescimento do interesse internacional pelas terras do país, inserindo limitações jurídicas significativas às grandes aquisições estrangeiras de suas terras agrícolas.
Os investidores entendem que tais negócios são uma boa forma de diversificar sua carteira de valores. Mas alguns funcionários do governo e ativistas alegam que essas negociatas são responsáveis pelo desenraizamento de agricultores pobres, pela transferência do controle de recursos vitais à produção de alimentos para a elite global e pela destruição das tradições agrícolas em troca de plantações industriais que produzem alimentos para exportação.
“Eu tinha ouvido falar de fundos estrangeiros que tentavam contornar a legislação brasileira, mas algo nessa escala é surpreendente”, disse Gerson Teixeira, o presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) e conselheiro do Congresso, referindo-se aos documentos sobre os acordos da TIAA-CREF no Brasil.
Alguns dos achados estão em um novo relatório organizado por pesquisadores da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos; e da Grain, uma organização com sede na Espanha que rastreia as compras de terras a nível global.
Divulgações da TIAA-CREF mostram que suas participações nas terras agrícolas brasileiras subiram para633,391 acres no início de 2015, acima dos 257,877 acres de 2012, quando começou a alavancar sua parceria com a Cosan, uma gigante brasileira do açúcar e dos biocombustíveis..
Stewart Lewack, um porta-voz da TIAA-CREF, concordou em rever vários aspectos da complexa estruturação desses acordos, mas se recusou a discutir as aquisições de terras em registro. Ele agendou nova reunião com executivos da Cosan, que é controlada por Rubens Ometto, um bilionário cuja família está na indústria de açúcar desde a década de 1930.
“A Cosan tem 70 anos de história na gestão de terras brasileiras e está comprometida com altos padrões de investimento responsável pelas entidades que controla”, disse o porta-voz da Cosan, em comunicado.
As duas empresas começaram a comprar terras no Brasil em 2008, após a formação de um empreendimento chamado Radar Propriedades Agrícolas, 81% propriedade de uma unidade da TIAA-CREF e 19% da Cosan. Enquanto a Cosan diz às autoridades brasileiras que controla o empreendimento por meio de seus assentos no conselho, a TIAA-CREF lista a Radar entre seus acionistas majoritários.”
Então surgiu a regulação brasileira de 2010, sobre aquisições de terras agrícolas por estrangeiros, que se desenrolou em um momento de crescente nacionalismo em torno de recursos naturais, destacado nos esforços para reivindicar um maior controle sobre o setor de energia.
Na agricultura, a mudança envolveu a limitação da venda de terras a estrangeiros para cerca de 12.000 acres, impedindo-os de possuir mais do que 25% das terras de qualquer município e colocando limites às subsidiárias brasileiras de grupos estrangeiros.
“Este movimento freiou o investimento estrangeiro em terras brasileiras”, disse Kory Melby, um americano que aconselha investidores na agricultura brasileira.
Mas em vez de reduzir a velocidade, a TIAA-CREF intensificou suas aquisições fundiárias no Brasil, com foco na fronteira dos estados do nordeste, Maranhão e Piauí. Em 2012, a empresa iniciou um fundo global focado na compra de terras agrícolas no Brasil, Austrália e Estados Unidos, atraindoinvestimentos de fundos de pensão suecos e canadenses.
José Minaya, executivo da TIAA-CREF que supervisiona as participações do grupo, defende tais investimentos, dizendo que eles são uma maneira de adquirir “recursos finitos” em um momento de crescente demanda global por alimentos.
“O Brasil nos oferece diversificação por suas culturas e por seu clima” disse Minaya aos investidores em um vídeo sobre a compra de terras agrícolas no maior país da América Latina.
Devido aos limites impostos em 2010 sobre os investimentos estrangeiros, a TIAA-CREF e seus parceiros brasileiros criaram um empreendimento financeiro para comprar terras agrícolas. O grupo americano detém uma participação de 49%, enquanto a Cosan detém 51%, de acordo com arquivos dos reguladores brasileiros.
O novo empreendimento aparece no papel como uma empresa separada, mas na prática é quase indistinguível da operação anterior. Elas compartilham muitos dos mesmos funcionários e executivos, que trabalham nos escritórios da Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, de acordo com pessoas familiarizadas com as operações.
Além disso, o financiamento para aquisição de terras é proveniente sobretudo das subsidiárias da TIAA-CREF em um tipo de empréstimo que pode ser convertido em ações, de acordo com documentos regulatórios. Os pesquisadores da Grain argumentam que essa estrutura corporativa torna possível que a TIAA-CREF esconda o controle que exerce sobre as fazendas adquiridas.
“Eles podem dizer o que quiserem sobre o controle, mas a questão é que essa arquitetura financeira só foi criada para canalizar fundos da TIAA-CREF em terras agrícolas brasileiras”, disse Devlin Kuyek, pesquisador sênior do Grain.
Em comunicado, a Cosan contestou essa visão. “Em todas as aquisições, o empreendimento segue estritamente a legislação em vigor”, disse a empresa.
Os ativistas não acusam diretamente a TIAA-CREF e a Cosan de desmatar as vegetações brasileiras. Em vez disso, eles dizem que as empresas compraram terras que já haviam sido desmatadas, obtidas por especuladores que podem ter usado táticas cruéis.
O relatório do Grain remonta como a TIAA-CREF e a Cosan parecem ter adquirido várias fazendas controladas por Euclides de Carli, um sombrio figurão dos negócios descrito por legisladores, estudiosos e agricultores brasileiros como um dos mais poderosos grileiros dos estados do Maranhão e do Piauí.
Grileiros são conhecidos por seu truque burocrático, isto é, a fabricação de títulos de terra, colocando-os em caixas de insetos (grilos) para fazê-los parecer mais antigos. Alguns grileiros também forçam as pessoas a deixar suas terras por uma variedade de táticas, incluindo intimidação de ativistas do direito à terra ou até mesmo assassinatos de agricultores pobres.
No caso do Sr. de Carli, estudiosos brasileiros descreveram como ele forçou dezenas de famílias para fora de suas fazendas, usando táticas desde a destruição de colheitas até a incineração da casa de um dos líderes da comunidade. Um legislador de destaque no Maranhão também acusou o Sr. de Carli de orquestrar o assassinato de um trabalhador rural diante de uma disputa de terras.
O Sr. de Carli, que tem sido o foco de investigações oficiais em suas compras de terra, não respondeu aos pedidos de comentário. Em comunicado, a Cosan reconheceu que seu empreendimento com a TIAA-CREF havia comprado terras controladas pelo Sr. de Carli, mas insistiu que uma revisão exaustiva à nível federal, estadual e municipal não tinha encontrado “qualquer ação penal em nome do Sr. Euclides de Carli”.
“A avaliação conduzida”, disse a Cosan, “precisa observar documentos oficiais e informações que fundamentam a segurança protocolar da aquisição”.
Mas os promotores familiarizados com a história do Sr. de Carli enfatizaram sua surpresa com o fato de que investidores proeminentes tenham prosseguido com tais acordos, quando uma simples pesquisa na Internet revelaria uma longa lista de acusações ilegais referentes à grilagem por parte do Sr. de Carli.
“Euclides de Carli é um dos principais grileiros da fronteira agrícola do Brasil”, disse Lindonjonson Gonçalves de Sousa, um promotor que investigou as negociações de terra do Sr. De Carli. “Não é segredo para ninguém que ele apareça com destaque nos conflitos de terra da região”.
Tradução por Allan Brum*
Créditos da foto: Marizilda Cruppe

Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais do Cerrado terão apoio na preservação ambiental


Projetos que evitem o desmatamento e a degradação do bioma e que promovam a proteção, a conservação dos recursos naturais e a inclusão social terão até R$ 4 milhões
Os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais do cerrado contarão com apoio para projetos que evitem o desmatamento e a degradação do bioma e que promovam a proteção, a conservação dos recursos naturais e a inclusão social. Para isso, está aberto até 25 de abril edital que conta com até R$ 4 milhões para financiar essas iniciativas.
Podem participar as organizações representativas dos povos indígenas, comunidades quilombolas e comunidades tradicionais, inseridas total ou parcialmente no cerrado ou ainda Organizações Não Governamentais (ONG) de assessoria a esses povos.
Serão realizadas oficinas de divulgação do edital em três cidades: Brasília/DF (24 a 26/02), Imperatriz/MA (29/02 a 02/03) e Cuiabá/MT (03 a 05/03). Cada organização poderá indicar um representante, que terá as despesas de viagem custeadas pelo programa.
Participação
A chamada integra o Mecanismo de Doação Dedicado a Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais do Brasil (DGM Brasil) e o DGM Global, que visa fortalecer a participação destes povos e comunidades na discussão sobre mecanismo Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+) e ampliação da conservação, do manejo e aumento dos estoques de carbono florestal em nível local, nacional e global.
Essa estratégia faz parte do Programa de Investimento Florestal (FIP), que compõe o Fundo Estratégico do Clima (Strategic Climate Fund – SCF), iniciativa global em execução no Brasil e em outros sete países.
O objetivo é potencializar a participação dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na promoção do uso sustentável das suas terras, além de restaurar os ecossistemas, para redução da pressão sobre os recursos naturais e redução dos efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa pretende, ainda, beneficiá-los por meio de ações demandadas por eles, fortalecer as organizações representativas e qualificar as políticas de conservação florestal.
Como Participar
Para se inscrever, o proponente devem preencher formulário de acordo com o tipo de projeto: gestão de recursos naturais (até R$ 195 mil), produtivos orientados para o mercado (até R$ 156 mil) e de resposta a ameaças imediatas (até R$ 78 mil). Ao todo, são 13 linhas temáticas prioritárias. Entre elas, estão o cultivo de espécies florestais, manejo de vegetação nativa, apoio às comunidades agroextrativistas, gestão territorial e ambiental e fomento a inovações de tecnologias sociais de adaptação às mudanças climáticas.
A inscrição é gratuita e deve ser enviada por correio com postagem até 25 de abril. São exigidas cópias simples dos seguintes documentos: Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), estatuto social, ata de constituição e ata de posse da atual diretoria da organização e carta de anuência das comunidades beneficiárias no caso de propostas feitas por entidades de apoio. Também são necessárias cópias simples do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e carteira de identidade do responsável legal do projeto.
Serviço
Edital com linha de apoio para o fortalecimento dos povos tradicionais do cerrado
Inscrições até 25 de abril.
Informações: www.dgmbrasil.org.br
Proposta e documentação devem ser encaminhadas para Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA/NM – Rua Doutor Veloso, 151, Centro, Montes Claros (MG) CEP: 39400-074.
*Fonte: Ministério do Meio Ambiente

Suspensas as propostas que colocam em risco as listas de espécies ameaçadas

Os projetos do senador poderiam deixar as espécies nativas vulneráveis. Foto: © Divulgação
Os projetos do senador poderiam deixar as espécies nativas vulneráveis. Foto: © Divulgação
A semana pré-carnaval terminou com um certo alívio para o meio ambiente. O senador Ronaldo Caiado (DEM/GO) decidiu suspender temporariamente a tramitação de três projetos de decreto legislativo que colocavam em risco as listas de espécies brasileiras ameaçadas de extinção: a de animais, a de plantas e a de peixes e invertebrados aquáticos. Os projetos do senador poderiam deixar as espécies nativas vulneráveis.
Chamadas de “listas vermelhas”, essas publicações seguem rigorosos critérios científicos e são feitas com o apoio dos principais cientistas e pesquisadores do país. Elas relacionam quais são os seres da biodiversidade ameaçados de extinção e o grau de ameaça em que cada espécie se encontra. As listas são importantes, pois servem para orientar o governo sobre o que fazer para garantir a sobrevivência das espécies e traçar políticas públicas para proteger a fauna, a flora e os peixes nativos.
Os projetos suspensos – todos de autoria do senador Ronaldo Caiado – são:
PDS 184, suspende a Portaria MMA 444/ Fauna, autoria Ronaldo Caiado
PDS 158, para sustar MMA 443, Flora, autoria Ronaldo Caiado
PDS 183, para sustar MMA 445 Peixes e Invertebrados Aquáticos, autoria Ronaldo Caiado, Portaria MMA. MMA 445 suspensa pela Justiça Federal, Junho 2015.
No fundo, o senador da bancada ruralista argumenta que a existência das listas restringe ou pode inviabilizar atividades agrícolas. Criticado pelas propostas, Caiado optou por abrir a questão para discussão em audiências públicas, declarando-se “aberto ao diálogo”. O parlamentar argumentou que criou o projeto porque, segundo ele, algumas das espécies da lista de 2014 “podem colocar em risco a saúde da população e plantações inteiras”.
É preciso ressaltar, contudo, que as três portarias foram construídas por meio de um processo científico bastante complexo. No caso da Portaria 443, foram consultados 330 especialistas que avaliaram 4.617 espécies. Já para a Portaria 444, foram 963 especialistas e 6.840 espécies, ao passo que a Portaria 445 contou com uma análise de 5.416 espécies avaliadas por 360 especialistas.
Em razão desse processo, a diferença entre as Instruções anteriores é significativa: no caso da flora, 1755 novas espécies foram adicionadas e 89 retiradas. No caso da fauna, 395 e 88, respectivamente. Por último, no caso da Fauna Aquática, foram 325 novas espécies e 82 que saíram da lista.
O método de avaliação é feito com base em critérios internacionais – União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). Caso os projetos fossem aprovados, haveria revogação das portarias mais recentes, fazendo com que as listas anteriores, consideravelmente menores, voltassem a ter validade.
Por essa razão, questiona-se mais o processo do que a própria composição das listas, o que parece ser um indicativo de que o projeto surgiu pelos motivos errados. Apesar da suspensão, os cientistas acreditam que o senador Caiado pode voltar à carga ao longo do ano legislativo.
Se você acha que a Lista de Espécies de Peixes e Invertebrados Aquáticos ameaçados de extinção (Portaria MMA 445/2014) é importante, dê sua opinião aqui.
Se você acha que o projeto de decreto legislativo que acaba com a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (Portaria MMA 444/2014) é importante, dê sua opinião aqui.
Se você acha que o projeto de decreto legislativo que acaba com a Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (Portaria MMA 443/2014):é importante, dê sua opinião aqui. (WWF Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

Nova lista do trabalho escravo traz 340 nomes

Um trabalhador de uma plantação de mandioca em Pesqueira, Estado de Pernambuco, no Nordeste do Brasil, mostra suas mãos destruídas, que denunciam seu trabalho em regime de escravidão. Foto: Alejandro Arigón/IPS
Um trabalhador de uma plantação de mandioca em Pesqueira, Estado de Pernambuco, no Nordeste do Brasil, mostra suas mãos destruídas, que denunciam seu trabalho em regime de escravidão. Foto: Alejandro Arigón/IPS
Um trabalhador de uma plantação de mandioca em Pesqueira, Estado de Pernambuco, no Nordeste do Brasil, mostra suas mãos destruídas, que denunciam seu trabalho em regime de escravidão. Foto: Alejandro Arigón/IPS




InPacto e Repórter Brasil publicam terceira edição da “Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo”, que traz o nome de pessoas e empresas flagradas com uso de mão de obra análoga a de escravo.
Por Redação do Greenpeace Brasil – 
Acaba de ser publicada a terceira edição da “Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo”, que traz dados atualizados sobre empregadores autuados por uso de trabalho análogo ao de escravo e que tiveram decisão administrativa final entre dezembro de 2013 e dezembro de 2015.
O documento traz o nome de 340 pessoas e empresas envolvidas com este tipo de crime. A lista, obtida através da Lei de Acesso à Informação, é a única ferramenta de consulta disponível atualmente para o bloqueio de fornecedores envolvidos com a escravidão contemporânea. Já que o Supremo Tribunal Federal mantém, desde dezembro de 2014, a controvérsia decisão de bloquear o documentopublicado semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
“O direito à informação é fundamental para que as empresas possam limpar suas cadeias produtivas deste crime e impedir que seus consumidores sejam cúmplices dessa violação de direitos humanos”, afirma Adriana Charoux, da Campanha Amazônia do Greenpeace.
O documento é essencial para que companhias comprometidas com o Desmatamento Zero, com a Moratória da Soja e com o Compromisso Público da Pecuária possam cumprir com os critérios mínimos de tais acordos, como é o caso da rejeição de fornecedores que usam trabalho escravo. Na maioria das vezes, a destruição das florestas e a violação de direitos humanos andam lado a lado.
As informações da “Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo” foram compiladas pelas ONGsInPacto e Repórter Brasil a partir de dados fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social. Por conta da divulgação da “Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo no Brasil”, as duas ONGs chegaram sofrer processos judiciais, visando à censura do nome de empregadores envolvidos com trabalho análogo ao de escravo. Os processos foram arquivados, pois segundo entendimento da justiça “tratou-se, de fato, do exercício regular do direito de informar”.
No caso da pecuária, a ausência da lista suja é especialmente preocupante. Segundo dados do MTE, em 2014 a atividade pecuária era a atividade exercida por 40% de empregadores flagrados utilizando mão de obra escrava.
Em meio a tantos retrocessos em termos de transparência de dados que favorecem os direitos humanos e de conservação da floresta, é urgente que todas as empresas assumam de forma mais contundente a rejeição ao trabalho escravo. Por isso queremos que os maiores supermercados do Brasil criem políticas e práticas públicas em que se comprometam com o fim do desmatamento e trabalho escravo na Amazônia, informando seus consumidores sobre suas práticas e bloqueando fornecedores envolvidos com estes crimes. Saiba mais emcarneaomolhomadeira.org.br(Greenpeace Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

DIA MUNDIAL DAS ZONAS ÚMIDAS 2016

Atol das Rocas-RN
Comemora-se hoje em todo o mundo o Dia Mundial das Zonas Úmidas. Em 02 de fevereiro de 1971, foi assinada a Convenção de Ramsar, que consagrou a proteção mundial dessas áreas frágeis, delicadas e estratégicas para a a conservação da biodiversidade. Esta tutela atingiu mais de 100 milhões de hectares em todo o mundo, um número recentemente atualizado.
Atol das Rocas-RN foi definido como o mais novo sítio Ramsar, pelo Comitê Permanente da Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional e nos últimos dias, sete novos sítios do Zimbábue também foram agregados ao programa de proteção. A notícia veio logo depois do relatório do Global Risk del World Economic Forum 2016, ter apontado a crise hídrica entre os três primeiros fatores de risco planetário. Existe uma relação muito estreita entre as zonas úmidas e o bem-estar do homem, motivo pelo qual o Lago Chivero, o principal reservatório de água para Harare, a capital do Zimbábue, também ganhou uma importância especial.
"Quando nós celebramos o Dia Mundial das Zonas Úmidas, nós lembramos às pessoas de que a água não vem de uma torneira; vem de ecossistemas saudáveis ​​e funcionais - diz Isabella Pratesi, diretora de conservação da WWF Itália - Com bilhões de pessoas que dependem das zonas úmidas para o abastecimento d'água, alimentos e bem-estar, este dia é um verdadeiro marco. Enquanto os líderes mundiais pensam sobre como implementar os compromissos assumidos no contexto das Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a proteção das zonas úmidas fornece uma contribuição significativa ao bem-estar da humanidade."
Entre outros novos sítios abrangidos pela Convenção de Ramsar estão a Victoria Falls, a maior cachoeira do mundo, e o Monavale Vlei uma importante zona úmida que se estende em um ambiente urbano.

A ameaça do homem

A poluição difusa proveniente da agricultura, os resíduos industriais e civis, a exploração massiva dos recursos e o uso do solo, levou à ruína no século passado, 64% das zonas úmidas da Terra.
O que não podemos esquecer é que as zonas úmidas são ecossistemas com a maior biodiversidade da Terra e servem um pouco como esponjas gigantes que absorvem a precipitação da água, armazenando-a e liberando-a ao longo do tempo. Além disso, elas purificam a água pois absorvem substâncias químicas, filtram poluentes, sedimentos e neutralizam bactérias nocivas.
De acordo com as últimas estimativas, as zonas úmidas do mundo teriam diminuído em 71% desde 1900. Desde 2000, a WWF tem contribuído para a designação de mais de 100 milhões de hectares de zonas úmidas Ramsar, sendo responsável por 45% do total mundial designado a partir do nascimento da Convenção em 1971.
Áreas Úmidas são manguezais, campos alagáveis, praias, várzeas amazônicas, veredas, igapós, etc.
Brasil é signatário da Convenção de Ramsar desde 1993 e possui, agora com o Atol, 13 sítios reconhecidos. Tais localidades têm acesso a benefícios e apoio financeiro para a implantação de um modelo de desenvolvimento que preserve a utilização dos recursos naturais e favoreça a qualidade de vida aos seus habitantes.
Fonte foto:tamar.org
www.greenme.com.br