quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Povo Kreepyn-Katejê teme ficar sem acesso a água potável na Terra Indígena Geralda/Toco Preto, no Maranhão

Pela terceira vez em cinco meses, os indígenas do povo Kreepyn-Katejê foram à cidade de Itaipava do Grajaú, no Maranhão, manifestarem-se pela melhoria das estradas que dão acesso à Terra Indígena (TI) Geralda/Toco Preto. Atualmente, os indígenas são abastecidos de água potável por caminhões-pipa e, caso as estradas não sejam recuperadas, os indígenas temem ficar sem acesso à água, justamente no período de chuvas da região. O povo Kreepym-Katejê - mais conhecido como povo Timbira - também manifestou-se contra a discriminação que os indígenas têm sofrido no sistema de saúde do município.
A TI Geralda/Toco Preto vivem cerca de 350 pessoas do povo Kreepym-Katejê em três aldeias distintas. Na aldeia Sibirino, localizada a 30 Km da cidade de Itaipava do Grajaú, existe um único poço artesiano, perfurado pela Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai) em 2004. O problema é que desde que o poço foi colocado em funcionamento, a água que sai dele é salgada e imprópria para o consumo. Por isso, o abastecimento por caminhões-pipa é tão importante e, no momento, a única solução para que os indígenas não fiquem sem acesso à água potável.
"Estamos aqui enfrentando chuva e discriminação e nos manifestando porque a situação é complicada de verdade. Se não arrumarem as estradas de acesso à aldeia, o caminhão-pipa que nos abastece de água não vai poder passar e vamos ficar sem água", afirma Fábio Timbira, uma das lideranças da aldeia Sibirino.
Segundo ele, o povo Kreepym-Katejê sofre bastante discriminação quando vai à cidade e quando manifesta-se por seus direitos. Na última vez, em novembro, quando os indígenas ocuparam a sede da prefeitura de Itaipava do Grajaú, o prefeito pediu oito dias de prazo para arrumar as estradas. "Esses oito viraram dezoito, que viraram trinta, e até hoje nada foi feito e a estrada só piora. O rio Grajaú, que agora está cheio, é muito poluído, passa por quatro cidades antes de chegar aqui. A água dele não é potável. Então, no momento, dependementos das estradas para termos água para beber".
Na manifestação de novembro, os indígenas também exigiram da Sesai a construção de dois postos de saúde nas aldeias da TI Geralda/Toco Preto, a construção de um novo poço artesiano na aldeia Sibirino, a disponibilização de uma equipe multidisciplinar de saúde indígena numa base mais próxima e de um carro para que a comunidade tenha autonomia para se deslocar quando precisar de atendimento urgente. De todas as reivindicações, apenas o carro foi disponibilizado, segundo Fábio Timbira.
Os indígenas também relatam a constante ocorrência de situações de preconceito e discriminação quando buscam atendimento de urgência ou emergência no hospital da cidade. Jainara Kreepym conta que, em dezembro, o fogo que consumiu parte da TI Geralda/Toco Preto queimou a única ponte de ligação entre a aldeia e a cidade. Na ocasião, uma mulher indígena entrou em trabalho de parto e teve que ser levada de moto até o hospital.
Depois da viagem precária, segundo o relato da indígena, foi descoberto que o bebê estava numa posição que é contraindicada para a realização de parto normal, mas que, mesmo assim, os médicos teriam se negado a realizar a cesareana, submetendo a mãe a riscos desnecessários. "Depois do parto, os parentes quiseram visitar a mãe e o bebê, mas foram impedidos porque 'não estavam usando calças'. Por que um indígena é obrigado a usar calças, se não se sente confortável assim?", questiona Jainara. "Isso é comum, e nos sentimos discrminados e lesados em nossos direitos".
Segundo Fábio Timbira, essa questão já foi discutida com o prefeito no primeiro dia de ocupação e o administrador municipal garantiu que a situação mudaria. Em relação às estradas, porém, os indígenas afirmam que não aceitam mais promessas. "Só vamos sair daqui depois que ele mandar descer as máquinas lá na estrada, quando vermos que as obras já começaram", afirma a liderança.

http://www.cimi.org.br/

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

MA: O desmonte da Secretaria de Meio Ambiente





A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais – SEMA – vem sofrendo um verdadeiro desmonte desde que o Governo Flávio Dino tomou posse em 01 de janeiro de 2015. A primeira atitude do governo foi entregar a SEMA para grupos políticos de alguns partidos aliados, para atender às demandas dos apoios recebidos na sua eleição em 2014, que por sua vez disputam a hegemonia na secretaria sem o devido conhecimento e preparo para atuarem na área ambiental, pois faltam-lhes conhecimento e competência para administrar uma pasta tão importante para o estado.

Assim, projetos como o Fundo Amazônia, que foi desenvolvido pela SEMA e conta com recursos financeiros não reembolsável do BNDES da ordem de vinte milhões de reais para ampliar a defesa do meio ambiente no Estado, foi remanejado (DECRETO ESTADUAL nº 31.366, de 24 de novembro de 2015) para a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SAF), a qual, inclusive, não integra o SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente) e como tal não poderia, a princípio, atuar na área
ambiental. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) também está sendo remanejado para a mesma SAF. 

O projeto da Sala de Situação, desenvolvido pela SEMA com financiamento da ANA (Agencia Nacional de Águas), que monitora o nível de água dos rios no estado esta praticamente paralisado, correndo o risco de ser cancelado pela ANA. O programa da ANA que trata da segurança de barragens (lei 12.334/2010) está parado a quase um ano sem perspectivas de continuidade; o concurso público que é uma solicitação dos servidores efetivos da SEMA desde a gestão passada foi adiado, enquanto isso, temos mais servidores contratados temporariamente do que afetivos (a secretaria está servindo de cabide de emprego para os grupos políticos que atualmente são os seus “donos”).  Temos ainda a reposição salarial dos servidores sem definição pelo Governo do Estado e, para finalizar, a tão sonhada e esperada construção da sede da SEMA, no Itapiracó, encontra-se a passos de tartaruga desde janeiro de 2015 e com boatos de que a atual gestão já fala em não concluir a obra.

Como vimos, o esvaziamento de alguns programas e a paralisação de outros projetos está servindo única e exclusivamente para o desmonte da SEMA, que tinha conseguido sair de uma estrutura administrativa mínima para uma estrutura razoável depois de muitas lutas e cobranças dos seus servidores durante vários governos. Não podemos regredir por meras disputas de poder e orçamento dos que hoje administram o futuro do meio ambiente no estado! ou será que os motivos para o desmonte da SEMA são outros?
Por Odívio Rezende Neto é engenheiro civil, analista ambiental e professor do IFMA
Blog do Controle Social

Estiagem castiga região da Baixada Maranhense


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Área cuja maior característica são os rios e lagos, sofre com El Niño; peixes estão morrendo esturricados e outros tantos sendo remanejados para lagos artificiais
Uma das regiões mais ricas em rios e lagos do Maranhão pede socorro. A Baixada Maranhense, conhecida por seus campos alagados, está vivendo uma das piores secas já testemunhadas por seus moradores em mais de 30 anos. Rios perenes e caudalosos, como o Turiaçu, Pericumã e Paruá, hoje, em alguns pontos, são apenas filetes, se comparados aos quilômetros de largura que alcançam na época das cheias. A situação está tão crítica que, aos 40 anos de idade, o pescador José de Ribamar Costa vê, pela segunda vez em sua vida, trechos das margens do Rio Paruá secas. A outra foi aos 7 anos de idade, em 1982, quando a região sofreu uma das piores estiagens já registradas pela história.
Na região, a imagem que se vê por todos os campos, outrora alagados, é sempre a mesma: vários e vários quilômetros a perder de vista de planícies esturricadas intercaladas por manadas de bois, que comem o que resta da grama cinza, barcos e mais barcos parados, emborcados em terra, e aqui e ali alguns bolsões de água e fios dos rios que teimam em seguir seu caminho.

Peixes
E toda esta situação tem contribuído para que toneladas de peixes, que são a principal fonte de renda e subsistência da população local, morram sufocadas em lamaçais e expostas ao sol forte típico da região, com temperaturas médias de 30ºC. Os pescadores só lamentam que não possam fazer muita coisa, apenas observar. “Dá muita tristeza ver o peixe escumando e morrendo”, ressalta Antônio José, de 39 anos, que morava numa ilha, às margens do Rio Paruá.
Morava, porque desde outubro, com o início do período da seca, sua ilha virou apenas um montinho em meio às vastas planícies. Sentado em sua rede, ele olha ao longe os filetes de água e revela que já fez até uma pequena plantação, de milho e mandioca, para tentar passar o período do defeso, mas que espera pacientemente a chuva para que as sementes comecem a brotar.
De acordo com a professora doutora Zulimar Marita Ribeiro Rodrigues, a Baixada Maranhense é uma importante região do estado do Maranhão, onde as belezas naturais e recursos socioeconômicos demonstram sua singularidade e valor. A região compreende 23 municípios e sua principal característica são os campos inundáveis de água doce, que recebem a influência das marés, durante boa parte do ano.
Daí que, nos períodos de janeiro a junho, época chuvosa, os campos geralmente são cheios, com os rios largos e milhares de lagos e lagoas onde borbulha a vida. Nos períodos de estiagem, os campos começam a secar, mas, mesmo assim, há vários anos que este período não durava tanto tempo.
De acordo com Andréa Cerqueira, meteorologista do Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão, o principal responsável por esse período prolongado é o El Niño. Entre novembro e dezembro do ano passado, o fenômeno meteorológico atingiu sua maior magnitude, igualando-se aos acontecidos em 1997/1998 e 1982/1983, os mais intensos já registrados.
A principal consequência do El Niño sentida na Região Nordeste é justamente a falta de chuvas. Daí, a explicação para esta seca prolongada na baixada. E a previsão climática não é das melhores para a região. Segundo a pesquisadora, é provável que ainda sintamos a influência do El Niño até março, daí que a probabilidade de chuvas, não só na Baixada, mas em todo o Maranhão e Nordeste será bem abaixo do normal.
“As chuvas ocorrerão, porém mal distribuídas tanto no tempo quanto no espaço. Isso significa que pode ocorrer concentração de chuva em curtos períodos de tempo e em áreas isoladas”, destaca a previsão climática para o primeiro trimestre de 2016.



Saiba mais
O fenômeno El Niño é ocasionado pelo aquecimento da superfície da água na porção leste do Oceano Pacífico e está associado a secas extremas, tempestades e inundações em diferentes partes do globo. O fenômeno climático El Niño de 2015/16, um dos três mais fortes dos últimos 50 anos, atingiu seu ápice nas últimas semanas.

ADRIANO MARTINS COSTA (O ESTADO DO MARANHÃO)

Populares e Autoridades tentam salvar peixes no Baixada Maranhense

Para garantir que consigam sobreviver até a próxima cheia, todos se uniram para transportar milhões de peixes para lagos e barragens artificiais







José de Ribamar Costa mostra lago seco e esqueletos de peixes; é a segunda vez que pescador vê trechos das margens do Rio Paruá secas (Foto: Biaman Prado)

“Ajudem o nosso rio!”. O apelo foi feito por Josenias Amaral dos Santos, de 49 anos. 
Estiagem castiga região da Baixada Maranhense

Josué Edikson, o Zezinho Nogueira, secretário de Meio Ambiente da cidade de Santa Helena, conta que eles retiram os peixes do rio, colocam em caixas e transportam até os lagos artificiais. Nos últimos meses, pelo menos 50 milhões de peixes foram remanejados dessa forma. “Ocorreu isso aqui em 1982 e agora volta a acontecer. 


Peixes estão morrendo na Baixada (Foto: Biaman Prado)

Diques


Uma das obras que poderão dar uma nova vida à região da Baixada é a construção de diques, o que possibilitará a preservação dos campos inundados durante todo o ano. 

O projeto para a construção dos diques já existe e está sob a responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). De acordo com o órgão, até o momento foram elaborados os relatórios parciais de geotecnia, de topografia e de informações socioeconômicas do projeto. 

http://imirante.com/oestadoma/notici...r-peixes.shtml

Empresa que ameaça acabar com comunidade no Maranhão ganha autorização do governo federal para construir porto


Empresa que ameaça acabar com comunidade no Maranhão ganha autorização do governo federal para construir porto, saudada pelo Governo Estadual e pela oligarquia Sarney


o governo pode até dialogar com as comunidades...

mas na hora de atender os pleitos...

 os poderosos é que são beneficiados (secretário estadual de indústria e Comércio, que ouviu demandas sobre o Cajueiro e Reserva de Tauá-Mirim, com o ministro de Portos, Helder Barbalho, e outros políticos, quando a famigerada WPR/WTorre obteve autorização do governo federal para construir terminal em São Luís).


Assinada nesta quarta-feira, 6 de janeiro de 2016 na Secretaria de Portos da Presidência da República em Brasília, a autorização para construção e exploração de terminal portuário privado em São Luís do Maranhão, pela empresa WPR São Luís, subsidiária da gigante da engenharia/construção civil WTorre, é um exemplo categórico da manutenção de privilégios aos poderosos, tanto no âmbito nacional, quanto no local, em que empresas que se utilizavam de esquemas nada transparentes durante os governos capitaneados pela Família Sarney seguem agindo da mesma forma no estado, agora governado pelo PC do B de Flávio Dino.

A WPR ficou conhecida na capital do Maranhão em 2014, quando promoveu uma série de ataques para expulsar a comunidade tradicional do Cajueiro do local onde pretende construir seu porto. Sua dona, a WTorre, não tinha seu nome citado nessas transações, talvez para não atingir sua marca com o trabalho sujo desempenhado pela sua subsidiária. Entre esses ataques, destacam-se o uso de seguranças privados agindo com intimidação na comunidade, tentativa de instalação de cancelas para proibir os pescadores de terem acesso ao mar, derrubada de casas dos moradores, conluio com políticos, o que permitiu uma posteriormente suspensa concessão de terras no apagar das luzes dos governos ligados à Família Sarney.

As irregularidades não param por aí. Exemplo disso foi a audiência pública realizada no quartel da Polícia Militar do Maranhão em outubro de 2014, durante o Governo Roseana Sarney, com o intuito de impedir a participação popular.

Com a forte resistência por parte dos moradores, o governo eleito foi acionado, e acompanhou, em diversas reuniões, antes mesmo da posse, o drama destas famílias. Depois da troca de comando do Governo do Estado, as reuniões prosseguiram, com a comunidade sendo ouvida sem, no entanto, ter uma solução última que lhe garantisse tranquilidade de seguir habitando o local onde secularmente está localizada. No território do Cajueiro situa-se o mais antigo lugar de culto afro na Ilha do Maranhão, o Terreiro do Egito, que deu origem a vários terreiros que se espalharam não apenas no Estado, mas por outras partes do mundo. A construção do Porto é, também, uma grave ameaça a essa história, tendo sido denunciada pela Caminhada realizada no final de 2015 por vários líderes de terreiros na região.

Com as conversas em andamento junto ao Governo do Estado, pensou-se que o direito das pessoas seria finalmente reconhecido e respeitado. Entretanto, as ações não se concretizaram, a suspensão não foi transformada em cancelamento da licença prévia para instalação do empreendimento, embora diversas entidades e advogados apontem as irregularidades do processo. Ao contrário: a falta de transparência na condução dessa questão segue o mesmo rito do governo anterior: a Comissão Pastoral da Terra (CPT/MA) já por diversas vezes solicitou vistas do processo na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, sem sucesso. Os pedidos formulados pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão tiveram o mesmo destino. Dessa forma fica claro que não apenas os governos federal e estadual devem satisfações à sociedade, como esse tipo de procedimento, envolto numa cortina de fumaça, favorece a empresa, que deve ter passado a contar com o apoio dos atuais ocupantes do Palácio dos Leões, tal como tinha nos tempos dos governos anteriores.

Outra medida que aponta nesse sentido é que até o legítimo direito de protestar contra essa situação é negado ao Cajueiro: em novembro do ano passado, a comunidade decidiu interromper o tráfego na BR 135, o que já havia feito antes (inclusive com participação e apoio de integrantes do atual governo), mas foi duramente reprimida com o deslocamento de várias viaturas das polícias Militar e Rodoviária Federal, que impediram que qualquer denúncia pública fosse feita com a ocupação da via.

Dilma, Flávio Dino, Lobão, Sarneys, Barbalhos: responsáveis pela iminente morte da comunidade do Cajueiro para beneficiar uma empresa eivada de suspeições

A WPR/WTorre é inimiga do Maranhão, disso não restam dúvidas. Em que pese essa verdade, os poderes constituídos rompem com a democracia ao beneficiar a WPR/WTorre em detrimento da sociedade, como visto na cerimônia realizada no dia 6 de janeiro em Brasília para autorizar a construção e instalação de seu porto em São Luís. Ao ato de assinatura dessa autorização (em que pese isso ter sido trombeteado como uma das tábuas de salvação do governo em meio à crise, a cerimônia foi realizada a portas fechadas e longe do povo, visto como empecilho para a consolidação desse crime), compareceram um conjunto significativo de quem saúda um empreendimento desses, responsável pela provável morte e desaparecimento de mais uma comunidade na Ilha do Maranhão: estiveram presentes o secretário estadual de Indústria e Comércio, Simplício Araújo; o senador Edison Lobão, prócer da oligarquia Sarney e suposto adversário do governo estadual, às voltas com denúncias de corrupção em sua passagem pelo Ministério de Minas e Energia do Governo Dilma Rousseff; e o secretário de Portos da Presidência da República, Helder Barbalho, da oligarquia paraense cuja família dispensa maiores apresentações.

A forma em que se deu essa cerimônia, longe do povo, é, como dissemos, bem representativa de quem beneficiado pelo ato e de quem será sacrificado por ele. A empresa, que deveria ser investigada pela sua atuação autoritária e policialesca na área sem que tivesse competência para tal, é premiada, mesmo tento sido a responsável pelo choro de crianças, de pais e mães de família, que desmentem seu discurso de que chega para ajudar e desenvolver o Estado (outra coisa que devia ser investigada era a propriedade que ela diz ter da área ocupada há muito templo pelas famílias, mas o que acontece, como se vê, é justamente o contrário).

Além disso tudo, não se menciona que o “investimento” da WTorre no porto que pode acabar com o Cajueiro pode não passar de mera aventura dessa corporação. Isso porque, embora atue na construção de armazéns, essa seria, segundo o jornal Valor Econômico de 6 de janeiro de 2016, aprimeira investida do grupo na construção e operação portuária.

Outro fato que não se leva em consideração é o grande endividamento do grupo, que fez com que abrisse mão de outros investimentos, pondo à venda sua participação em shopping centers numa tentativa de diminuir esse déficit. Seria esse mais um caso em que o povo do Maranhão é sacrificado em nome de aventuras que depois se revelam grandes calotes, como aconteceu, por exemplo, no mal-afamado polo de confecção de Rosário, na refinaria da Petrobras, e outros empreendimentos? Até nisso a esperada mudança de rumos do Governo do Estado se limitaria a ser mais do mesmo daquilo que infelizmente já vimos e vivemos? Como os governos federal e estadual se lançariam a essa aventura, rifando uma comunidade inteira para entregar uma área a uma empresa que estaria apenas experimentando novos investimentos? E mais: com que dinheiro seria construído esse porto, já que a WTorre está endividada? Mais uma vez o dinheiro público seria desviado para atender interesses privados, em pleno momento de crise? Essas perguntas precisam ser respondidas pelos envolvidos, tanto nas esferas local quanto federal, e também pela empresa, em nome da transparência, e para que não se sacrifique novamente os maranhenses para atender tenebrosas transações.

Governo Local deve explicações

Além disso, resta ao Governo do Estado responder publicamente várias questões envoltas na mais total falta de transparência em relação a esse assunto: o que foi feito do processo para implantação desse terminal portuário, que a Secretaria de Meio Ambiente se nega a dar vistas? Ainda está em vigor a suspensão da licença que fora dada pelo governo anterior? Quais dados objetivos fizeram mudar sua visão em relação à atuação da WPR no Estado? Se não mudou, por que silencia enquanto a WPR segue sua trajetória de desrespeito à autonomia do Maranhão? Por que não ouve a população em relação a questões como essa? Cadê o diálogo?

Como vimos nas questões levantadas acima, o governo deve respostas ao Maranhão que o elegeu.

E segue sem dá-las não é de hoje, já que há muito essas perguntas ecoam.Em setembro do ano passado, em cerimônia realizada no Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, com a participação de vários setores da Igreja Católica e vários secretários de estado (aguardado, o governador mandou dizer que não iria), ao ouvir nova cobrança sobre o Cajueiro e a criação da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim (a criação dessa unidade de conservação na zona rural de São Luís pode ser uma forma de assegurar tranquilidade às famílias da região ante ao avanço predatório das indústrias poluentes na área, que tem feito desaparecer inúmeras comunidades – o processo está concluso aguardando assinatura da presidenta da República, e até hoje não conta com o respaldo do Governo Estadual, tal como  aconteceu durante os governos de Roseana Sarney), os representantes do governo, que antes se mostravam propensos à criação da Reserva, limitaram-se a, titubeantemente, responder que a questão era mais complexa do que se mostrava, já que aquela era uma área de interesse do grande capital internacional, que vinha exercendo grande poder de pressão contra a instalação da Reserva Extrativista.

Nenhum deles pode alegar desconhecimento desse pleito, apresentado aos representantes do atual governo em todas as reuniões em que assuntos como a Reserva Extrativista e a situação do Cajueiro foram tratados. O próprio secretário de Indústria e Comércio, que esteve em Brasília no ato de autorização da construção do porto, declarou, num desses encontros, ainda no início de 2015: “Não há um dia aqui que não tratemos sobre Resex de Tauá-Mirim”. Entretanto, o que fica é a indicação de que o governo local pode até dialogar com as comunidades, mas na hora de atender os pleitos, os poderosos é que são beneficiados. Assim, até hoje, a Reserva não conta com o apoio do governo estadual para sua criação. Atualmente, tal como nos tempos de Roseana Sarney, o tratamento dispensado é o mais profundo silêncio, como se não existissem nem a demanda, nem as comunidades.

Diante de tudo isso, resta saber se o Governo do Maranhão vai realmente abrir mão de sua autonomia em razão da pressão dos interesses externos. Se o Brasil vai baixar a cabeça, e também abrir mão de sua soberania em razão de interesses que não são seus, que não são planejados aqui, para beneficiar os sugadores de sempre. Foi para isso que se trocaram os comandos nos palácios, para seguir na mesma submissão a velhos esquemas? Será dada continuidade a um modelo de exploração colonial, em que somos vistos apenas como rota de passagem das riquezas aqui exploradas em razão de interesses externos? A promessa não era justamente o contrário disso, de assegurar a altivez do nosso povo, de termos nas mãos o poder de decidirmos nosso destino? Seguirão nos calando e sacrificando por causa de interesses que nos são alheios, sob a eterna mentira do desenvolvimento, que nunca nos atende? Seguirão nesse modelo de economia de enclave, com o qual prometeram romper e que está fortemente representado nesse projeto que ameaça a comunidade do Cajueiro?

Infelizmente, a julgar pela ação do governo em relação a outras demandas populares, a solução que resta ao povo é uma só: resistir a esses ataques. Nessa mesma reunião, ao responder à cobrança em relação aos ataques feitos por latifundiários, madeireiros, grileiros em terras indígenas, quilombolas e de camponeses no Estado, a área de segurança pública anunciou que dentro em breve daria a resposta com uma grande ação de repressão a esses ataques. O que se viu de lá para cá, foi o aumento do número de assassinatos de lideranças do campo, dos incêndios criminosamente provocados por esses agentes em terras indígenas, a invasão de aldeias por madeireiros que se servem criminosamente da extração em áreas de preservação. Ninguém foi preso pelos assassinatos. Ninguém foi preso pelos incêndios. Os invasores das aldeias passeiam livremente nas cidades do interior.

Resistência

A coragem já demonstrada pela comunidade do Cajueiro dá mostras de que esse não é o fim dessa história. A resistência está nas veias da comunidade. Uma mostra disso é o vídeo feito pela pequena Daniele, que teve sua casa derrubada pela empresa às vésperas das festas de fim-de-ano, em 2014, e que voltou a interpelar a primeira-dama de São Luís recentemente, entregando em suas mãos uma “carta a Papai Noel”, em que conta o seu drama. O atual prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, é afilhado político do governador, e sua principal ação até o momento na cidade foi seu esforço em aumentar passagens de ônibus e alterar o plano diretor da cidade para beneficiar indústrias suspeitas e poluentes, e gigantes da construção civil (entre estas possivelmente a própria WTorre, que atua no setor), com apoio do empresariado local que se vê como destinatário das migalhas que podem cair das mesas das multinacionais que podem acabar com o Maranhão.

A todos os que sofrem esse processo violento, que segue beneficiando os privilegiados de sempre, resta senão a alternativa da resistência. Os ataques são articulados (o porto será utilizado para escoar produto da expulsão de outras comunidades no interior do estado, por exemplo). A resposta, então, também deve ser articulada!

Aos assassinos do povo e seus cúmplices, onde quer que estejam, uma sinalização: nenhuma dessas batalhas está ganha por vocês e não, vocês não prosperarão em seus ataques. Em memória das comunidades já varridas dos mapas. Em memória das lideranças que viraram mártires. Em resposta a suas promessas falsas que ao final redundaram em mais do mesmo. Não passarão.


#CajueiroResiste 
http://cajueiroresiste.blogspot.com.br/

Governo lança edital de licitação para construção da ponte sobre o Rio Pericumã



O Governo do Estado, por meio da Comissão Central Permanente de Licitação (CCL), enviou para publicação, nesta quarta-feira (13), o edital de licitação para contratação de empresa para construção da ponte rodoviária sobre o Rio Pericumã, no trecho que liga as cidades de Bequimão à Central do Maranhão. De interesse da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra), a licitação será realizada pela Comissão Especial de Licitação (CEL), instituída pela CCL.
Sobre essa mesma obra, o prefeito de Bequimão, Zé Martins (PMDB), em companhia do Superintendente do SEBRAE no Maranhão, João Martins, esteve em reunião na Secretaria de Estado de Infraestrutura – SINFRA, onde na oportunidade entregou toda a documentação referente às licenças de responsabilidade da Prefeitura, nas mãos do secretário adjunto de projetos, Jorge Kusaba, para que o Governador Flavio Dino (PCdoB) pudesse autorizar o início da construção da Ponte sobre o Rio Pericumã, que liga Bequimão e Central do Maranhão, a mais oito municípios do litoral ocidental. (REVEJA AQUI).
Prefeito Zé Martins ao lado de Jorge Kusaba (SINFRA) e João Martins (SEBRAE)
Zé Martins ao lado de Jorge Kusaba (SINFRA) e João Martins (SEBRAE)
O aviso de licitação foi assinado nesta quarta-feira (13), pelo presidente da Comissão Central, Odair Neves. Na ocasião estiveram presentes, o secretário em exercício da Sinfra, Ednaldo Neves; o secretário adjunto de obras rodoviárias da Sinfra, Samuel Gonçalves; o secretário adjunto de obras civis, João José Azevedo; o secretário adjunto de projetos, Jorge Kusaba; além de membros da Comissão Especial de Licitação.
A licitação será realizada na modalidade Concorrência, do tipo menor preço. O valor estimado para a execução dos serviços é de R$ 72.196.844,60. O edital poderá ser consultado na página da Comissão Central: www.ccl.ma.gov.br, ou, ainda, retirado na sede, a partir do dia 18 de janeiro.
O projeto prevê a construção de uma ponte com vigamento em aço e laje em concreto armado sobre a travessia do Rio Pericumã, interligando os municípios de Bequimão e Central do Maranhão. O trecho que compreende a ponte apresenta extensão estimada em 589 m, na rodovia MA-211. “a licitação para construção da ponte visa, como política do governador Flávio Dino, assegurar melhores condições de infraestrutura rodoviária à população da região da Baixada maranhense”, destacou o presidente da CCL Odair Neves.
O secretário adjunto Ednaldo Neves destacou a importância desse primeiro passo com o lançamento da licitação para construção da ponte sobre o Rio Pericumã. “Visa gerar emprego, além de favorecer o turismo e a economia, por meio da passagem de eventuais embarcações de pequeno porte, sob a estrutura da ponte”, comentou o secretário em exercício da Sinfra.
A primeira sessão pública da licitação tem data marcada para o dia 22 de fevereiro, no auditório Benedito Mendonça Dutra, na sede da CCL, na Avenida Colares Moreira, no Calhau.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

STF mantém suspensão do período de defeso e de pagamento de seguro a pescadores

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O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, concedeu liminar que mantém a suspensão do período de defeso – quando a pesca é proibida –  por até 120 dias, conforme portaria editada pelo governo federal em outubro do ano passado. Com a decisão, o pagamento do seguro-defeso também continuará suspenso.

A decisão foi tomada por Lewandowski em caráter de urgência devido às férias dos ministros do STF, e será analisada posteriormente pelo plenário da Corte.


O Supremo foi provocado a se manifestar sobre o assunto depois que o Congresso Nacional editou um decreto legislativo em dezembro sustando os efeitos da portaria. Com isso, o período de defeso deveria continuar em vigência, e, consequentemente, o pagamento do seguro-defeso. O benefício é concedido mensalmente a pescadores durante o período em que a pesca fica proibida com o objetivo de garantir a reprodução dos peixes.
Ontem (6), a presidenta Dilma Rousseff entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade questionando o decreto legislativo.


Ao analisar a ação, o presidente da Suprema Corte disse que os pescadores “não terão prejuízo ao deixar de receber o seguro-defeso, pois estarão livres para exercer normalmente suas atividades”. De acordo com a apreciação preliminar de Lewandowski, não houve inconstitucionalidade na portaria editada pelos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.


“Se o defeso, segundo os técnicos, não deve persistir por não mais atender ao fim a que se destina, o recebimento do seguro também passa a ser indevido, ensejando a sua manutenção indevida, em tese, uma lesão ao erário”, escreveu o ministro na decisão, segundo a assessoria de imprensa do STF.
O presidente do Supremo manifestou ainda preocupação com os gastos de recursos públicos, já que a manutenção do pagamento do benefício poderia causar impacto de R$ 1,6 bilhão a partir da próxima segunda-feira (11).
Paulo Victor Chagas - Repórter da Agência Brasil