quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quadrilha invade mineradora e rouba cofre com ouro em Godofredo Viana



Grupo interceptou van usada para transporte de funcionários, diz polícia. Eles explodiram local onde estava o equipamento nesta quarta-feira.

Uma quadrilha composta por pelo menos sete pessoas armadas invadiu uma mineradora e roubou um cofre com ouro na madrugada desta quarta-feira (9), em Godofredo Viana (MA).

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, uma operação com policiais civis e militares foi montada na região para tentar localizar o grupo de assaltantes. Ninguém foi preso.

Os funcionários foram rendidos quando eram levados para o escritório da mineradora e mantidos reféns durante toda a operação. Eles foram liberados horas depois da fuga em uma rodovia na região. O grupo teria usado pelo menos dois carros para fugir.

Ainda de acordo com a secretaria, a empresa funciona em período de 24 horas para receber funcionários que atuam na exploração do minério na região.

Uma equipe de peritos foi até a empresa para analisar os estragos provocados pela explosão e tentar identificar o tipo de explosivo usado.

Ainda segundo o órgão, está foi a segunda vez que a empresa foi assaltada.

Por: iG
www.portalitz.com.br


Cozinha Comunitária beneficiará mais de 4 mil famílias em comunidades quilombolas de Alcântara


A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (Sedagro) implantará na comunidade quilombola Marudá e entorno, em Alcântara, o Projeto de Cozinha Comunitária, que beneficiará diretamente 4.195 famílias e 13.280 indiretamente.

A implantação do projeto foi discutida na sexta-feira (4), durante seminário realizado em Alcântara, com a participação de representantes da Sedagro, Secretaria Extraordinária de Estado de Igualdade Racial (Seir), do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Prefeitura Municipal e quilombolas da comunidade Marudá.
O Cozinha Comunitária a ser implantado no Maranhão é fruto de convênio celebrado entre o MDS e a Sedagro. Em Marudá, está na fase de elaboração do Projeto Básico e Arquitetônico. O ministério e o Governo do Estado vão investir recursos da ordem de R$ 450 mil.

De acordo com o técnico da Sedagro, Emílio Velloso, as metas do Projeto Cozinha Comunitária são garantir o acesso de famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar grave à alimentação de qualidade. Nesse contexto, está prevista a produção e distribuição da quantidade mínima de 100 refeições saudáveis diariamente, a um preço acessível de R$ 0,80 (oitenta centavos), privilegiando a produção local.

É também meta do projeto ampliar o atendimento aos beneficiários da Rede de Proteção Social em situação de insegurança alimentar, por meio da oferta de refeições saudáveis; e ainda potencializar e estimular a produção agropecuária na comunidade quilombola de Marudá e em seu entorno, criando oportunidade de emprego e geração de renda para as famílias.

Além da apresentação do projeto técnico da Cozinha Comunitária de Marudá, pela Sedagro, fez parte da programação do seminário palestra sobre a sensibilização e acordo de convivência da comunidade, ministrada por técnicos da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Já a Seir debateu a importância da reparação dos direitos das comunidades quilombolas na questão ética/racial, enquanto a Secretaria Municipal de Agricultura de Alcântara discutiu importância da agricultura familiar na produção de alimentos para o projeto Cozinha Comunitária. Finalizando, o MDS deu orientações para o sucesso do projeto e apresentou experiências exitosas de outros estados.
Seis Projetos de Cozinha Comunitária estão em implantação no Brasil, no Norte de Minas Gerais (2), Pará (1), Pernambuco (1), Bahia (1) e Maranhão (1).

Por: Jornal Pequeno
www.jornalpequeno.com.br

Informe Plenária Colegiado do Território da Baixada Ocidental Maranhense

TR-BOM EM SÍNTESE

 (MA), 10 de novembro de 2011.

Os representantes dos 19 municípios, legalmente indicados e legitimados pela Plenária do Colegiado do Território da Baixada Ocidental Maranhense, reunidos no dia 08 de novembro último, na cidade de Pinheiro, sob a Coordenação da Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Maranhão, elegeram os membros do Núcleo Diretivo deste Colegiado, respeitando a paridade de 50% de vagas destinadas ao poder público e 50% de vagas destinadas à sociedade civil, conforme declara o regimento interno do Colegiado.

Entretanto, devido a um equivoco na indicação da representação da sociedade civil ao Núcleo Diretivo, a presente eleição validada pelos membros presentes à plenária, somente será homologada após a apresentação oficial dos membros da sociedade civil, haja vista a necessidade de adequação quantitativa ao percentual de 50% de vagas ao Núcleo Diretivo destinadas à mesma, conforme determina o regimento.

Esta definição acontecerá no dia 17 do mês em curso em reunião do coletivo da sociedade civil, e a homologação será efetuada imediatamente após a apresentação dos representantes indicados pela sociedade civil à Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Maranhão, responsável pela organização e condução do processo de escolha dos membros do Núcleo Diretivo do Colegiado da Baixada Ocidental maranhense.

Por: José Mesquita-Assessor Territorial BOM-Fórum Carajás
http://territoriocidadao.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

104ª Reunião Ordinária do Conama

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
Secretaria Executiva

Departamento de Apoio ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – DCONAMA
SEPN 505, Lote 2, Bloco B, Ed. Marie Prendi Cruz, 1º andar - Asa Norte - 70730-542 – Brasília/DF
Tel. (0xx61) 2028.2207/2102 - conama@mma.gov.br


Ofício Circular n. 108/2011/DCONAMA/SECEX/MMA.

Brasília, 08 de novembro de 2011.


Assunto: Convocação para a 104ª Reunião Ordinária do Conama.

            Senhor(a) Conselheiro(a),


1.        A Senhora Ministra de Estado do Meio Ambiente convoca Vossa Senhoria para participar da 104ª Reunião Ordinária do Conama, a realizar-se nos dias 23 e 24 de novembro de 2011, das 9h às 18h, no Auditório n. 1 do Edifício-Sede do Ibama, localizado no Setor de Clubes Esportivos Norte – SCEN, Trecho 2, Brasília/DF.



2.        Solicito que os Conselheiros representantes de entidades da Sociedade Civil, cujas passagens e diárias são pagas com o orçamento do Ministério do Meio Ambiente - MMA, conforme §2º, art. 9º do Regimento Interno, confirmem participação na reunião plenária, por e-mail, anexando seu currículo resumido, até o dia 10 de novembro de 2011. No caso dos Conselheiros convocados para a 62ª Reunião da Comissão Permanente do Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas - CP CNEA, que necessitem de custeio para essa reunião, favor confirmar também sua presença.



3.        Ressalto que o Ministério do Meio Ambiente – MMA não poderá autorizar processos de deslocamento, nos casos de conselheiros com pendência na prestação de contas, conforme previsto na Portaria MPOG nº 505, de 29 de dezembro de 2009.


4.        Por oportuno informo que a pauta e os documentos da Reunião estão disponíveis no endereço: http://www.mma.gov.br/port/conama/reunalt.cfm?cod_reuniao=1368 . Informações adicionais poderão ser obtidas por meio dos contatos: (61) 2028.2207/2102 e conama.ti@mma.gov.br.


        Atenciosamente,
Adriana Sobral Barbosa Mandarino
Diretora


sábado, 29 de outubro de 2011

MA: Incra encontra juízes, delegados e políticos de posse de terras de assentamento

Em levantamento que vem sendo realizado pelo Incra do Maranhão, foram encontrados diversos figurões como juízes, delegados e políticos importante de posse de terras em algumas áreas de assentamento agrário.



Aqui bem próximo da capital, no Cumbique, que fica entre Paço do Lumiar e Raposa, boa parte dos assentados vendeu terrenos a preços de banana para as autoridades, que construiram e ainda estão construindo mansões.

No Cumbique, cada assentado teve direiro a terrenos que medem 50×200, que seriam para exploração agrícola e moradia. Até grandes imobiliárias entraram na transação ilegal para posterior especulação.

Em Santa Luzia do tide não foi diferente. Numa imensa área de assentamento agrícola, o Incra descobriu que já existem enormes fazendas de poucos proprietários.


“Os levantamento estão sendo feitos minuciosamente pela Procuradoria do incra e assim que for concluindo ingressaremos na Justiça pela retomada das terras e entregá-las a quem realmnente dela precisa e quer trabalhar”, avisou ontem o superintendente do órgão federal no Maranhão, Zé Inácio.

Por: Luis Cardoso

www.luiscardoso.com.br

Terras e Territórios Quilombolas no PPA 2012-2015

Segundo dados oficiais do Governo Federal, até o final de agosto passado, das 3.524 comunidades quilombolas mapeadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP), apenas 1.711 (48,55%) obtiveram o certificado de “comunidade remanescente de quilombo” e, entre 1995-2010, somente 189 (5,36%) obtiveram o reconhecimento de suas terras, por meio de 120 títulos de terra(1). Conclusão: há muitas comunidades por certificar e um número ainda maior esperando para ter seu território reconhecido e titulado.




O novo Governo Federal está diante de dois grandes desafios: em primeiro lugar, saldar a dívida deixada pelo seu antecessor; em segundo lugar, ir mais além dos resultados alcançados no que se refere à titulação das terras e territórios quilombola. A Agenda Social Quilombola, por exemplo, estabeleceu como metas em 2007 a produção de 713 Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) e uma área total titulada e indenizada de 2.580.00 hectares; o Plano Plurianual (PPA) 2008-2011, por sua vez, previu como meta a titulação de 264 territórios quilombola, dos quais 198 somente entre 2008-2010. Passados três anos de implementação da Agenda Social Quilombola (2008-2010) foram emitidos apenas 36 títulos de terra, número bastante aquém da meta estabelecida em 2007.


Enviado ao Congresso Nacional no final de agosto, o novo Plano Plurianual (PPA 2012-2015) está dividido em 65 programas temáticos, com 491 objetivos e 2.503 iniciativas. Para sua execução, o Governo federal prevê um investimento global de aproximadamente R$ 5,4 trilhões. Lamentavelmente, no novo PPA, as comunidades quilombolas não mais contam com um programa específico; na transição para o novo PPA não mais existe o programa Brasil Quilombola. Por outro lado, constatamos que as comunidades quilombola aparecem como público-alvo em treze programas temáticos, em alguns casos em ações voltadas para outros grupos sócio-culturais, como povos indígenas, ciganos, agricultores familiares e assentados etc.


De qualquer forma, é possível dizer que há um programa temático de referência para os próximos quatro anos, que se intitula Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial, e que tem na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial o órgão gestor responsável. A esse programa está sendo proposto pelo Governo Federal, para o ano de 2012, um orçamento no valor de R$ 73,125 milhões, e para os três anos seguintes, mais R$ 239,498 milhões, totalizando no período de 2012-2015 cerca de R$ 312,623 milhões.


Entre os objetivos desse programa está realizar a regularização fundiária das terras de comunidades quilombolas, a cargo do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Pretende decretar de interesse social 120 territórios quilombolas; demarcar, certificar e titular os territórios desintrusados em nome das comunidades – não se comprometendo, no entanto, com números; e publicar 140 portarias, reconhecendo 64 mil hectares e beneficiando 14 mil famílias. Também pretende publicar 190 RTIDs, identificando 660 mil hectares, beneficiando13 mil famílias. Além disso, pretende vistoriar e avaliar 520 mil hectares de terras inseridas nos territórios quilombolas, indenizando 250 mil hectares.


Para 2012, segundo o Projeto de Lei Orçamentário (PLOA) encaminhado ao CongressoNacional no final de agosto passado, o Poder Executivo propõe para a ação de Indenização das Benfeitorias e de Terras aos Ocupantes de Imóveis em Áreas Reconhecidas para as Comunidades Quilombolas um orçamento de R$ 50 milhões; e para a ação de Reconhecimento, Delimitação, Desintrusão e Titulação de Terras Quilombolas, outros R$ 6 milhões. Se aprovado pelo Congresso Nacional, o orçamento proposto para 2012 pelo Executivo, para executar a ação de reconhecimento e titulação, será menor do que em 2010 e 2011.

Ainda no âmbito desse programa temático, nesses quatro anos o Governo diz estar comprometido com a meta de assegurar o acesso a serviços, programas e projetos governamentais a 700 comunidades quilombolas certificadas e/ou tituladas, complementada pela meta de implantar um Sistema de Monitoramento e Avaliação (SM&A) das ações governamentais voltadas para as comunidades quilombolas. É dito também que pretende desenvolver projetos de “fortalecimento institucional” das organizações representativas de comunidades quilombolas certificadas e/ou tituladas; não informando, no entanto, onde e como.

Outro programa temático que traz a problemática fundiária relacionada com as comunidades quilombolas intitula-se Reforma Agrária e Ordenamento da Estrutura Fundiária, também de responsabilidade do MDA. Esse programa tem entre seus objetivos um que nos interessa ressaltar. Esse objetivo é assim definido: identificar, discriminar e arrecadar as terras devolutas, destinar as terras públicas e executar a regularização fundiária nas terras federais e nas estaduais, em parceria com os respectivos governos, para a democratização do acesso à terra, com condições simplificadas para imóveis rurais pequenos e médios, bem como para a promoção dos direitos territoriais das populações quilombolas, povos indígenas e outras comunidades tradicionais, e contribuir para o combate da pobreza no meio rural. Lamentavelmente não há uma definição clara, concreta, dos compromissos assumidos pelo Governo, apesar de haver mais de 1.500 comunidades quilombolas que aguardam do Estado a titulação das suas terras.

Para quem acompanha a elaboração e a execução dos planos Plurianuais ao longo da última década fica evidente que várias iniciativas contidas no PPA 2012-2015 não são de fato novas.Algumas são extensões de ações iniciadas em anos passados, outras estão ligadas a políticas de execução continuada, como é o caso da saúde, saneamento e educação escolar. Diferentemente dos povos indígenas, não encontramos referência explícita de relação com temas emergentes, com o Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal+ (REDD+) e o pagamento por serviços ambientais (PSA), que tem dado um novo colorido às iniciativas de gestão ambiental e territorial nas Terras Indígenas.


Por outro lado, no programa temático Agricultura Familiar ressalta a dimensão produtiva e comercial que o MDA quer dar à sua ação junto às comunidades e nas terras e territórios quilombola. Isso se manifesta na definição de duas metas específicas para quilombolas para o quadriênio 2012-2015: uma é adequar as condições de crédito às particularidades dos quilombolas; a outra é ampliar o acesso das comunidades quilombolas às políticas de financiamento, fomento, proteção da produção, garantia de preços e da renda, por meio da construção de uma proposta de ajuste e qualificação da Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), ampliação das entidades emissoras e capacitação dessas comunidades. Inclui também criar estratégias para ampliar a comercialização de gêneros alimentícios das comunidades quilombolas no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).


Além disso, o Governo Federal se compromete nesse programa temático com a meta de contratar serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) para 20 mil famílias quilombolas, indicando a intenção de que esse tenha um recorte adequado às especificidades das famílias e comunidades atendidas. Dessas vinte mil famílias, anuncia que duas mil vivem na Região Norte e sete mil na Região Nordeste. Também pretende implementar a meta de incentivar as Escolas Famílias Agrícolas (EFAS) a destinarem vagas exclusivas para estudantes quilombolas e qualificar 250 agentes de desenvolvimento rural para atuação junto às comunidades quilombolas. Para 2012, é proposto um valor orçamentário de R$ 4,212 milhões para implementar a ação de ATER para Comunidades Quilombolas.


Desenha-se, portanto, uma estratégia que passa pelo crédito, pelo acesso a mercados institucionais e não institucionais, e pelo fortalecimento das capacidades humanas e sociais locais de um conjunto de famílias quilombolas. Isso, ao menos, parece articular-se de maneira lógica com os objetivos do Plano Brasil sem Miséria. Segundo consta do documento que acompanha o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o exercício financeiro 2012, intitulado Mensagem Presidencial, o Governo buscará, por intermédio do Plano, chegar até onde vivem os agricultores familiares, assentados da reforma agrária e populações tradicionais (extrativistas, quilombolas, ribeirinhos) em situação de extrema pobreza, “trazendo-os para uma dinâmica de inclusão produtiva”. Se isso acontecerá e como, só o tempo dirá!

Por fim, destacamos o programa temático intitulado Cultura: Preservação, Promoção e Acesso, sob a responsabilidade do Ministério da Cultura. Nele há o objetivo de Promover, preservar e difundir o patrimônio e as expressões culturais afro-brasileiras, onde o Governo federal definiu como meta realizar ações para o “desenvolvimento sustentável” em 1.635 comunidades remanescentes de quilombos, tradicionais e de terreiros, sendo 1.013 localizadas na Região Nordeste. Infelizmente não há um detalhamento, nem ao menos conceitual, relacionado à expressão “desenvolvimento sustentável”. Para 2012, o Governo Federal propõe um valor orçamentário de R$ 1 milhão para Proteção e Promoção das Comunidades Quilombolas e de Terreiros; e R$ 100 mil para Assistência Jurídica às Comunidades Remanescentes de Quilombos. Muito pouco se considerada a demanda dessas comunidades.



O Governo Dilma Rousseff está diante de um grande desafio: o de dar conta da dívida deixada especialmente pela gestão anterior. Infelizmente, pelo apresentado até aqui, não fica claro qual o nível de prioridade que dará para a efetivação do direito à terra das comunidades remanescentes de quilombo.


(1)A fonte dos dados é o INCRA, refletindo a situação em 28/08/2011.


Por: Ricardo Verdum- Assessor de Políticas, Inesc.


http://www.inesc.org.br/biblioteca/textos/terras-e-territorios-quilombolas-no-ppa-2012-2015
Leia também, de Ricardo Verdum:

Terras e Territórios Indígenas no PPA 2012-2015

Ibama muda para agilizar emissões de licenças

Um conjunto de portarias publicadas no Diário Oficial da União traz novos procedimentos para avaliação de projetos dos setores de energia elétrica, portos, rodovias e petróleo e gás.



O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) adota novas regras que visam agilizar a emissão de licenças ambientais que autorizam a construção de projetos de infraestrutura no país.



As mudanças foram elaboradas especificamente para obras de transmissão de energia elétrica, de portos, de rodovias e do setor de exploração de petróleo e gás.


Um conjunto de sete portarias, publicadas nesta sexta-feira (28/10), no Diário Oficial da União (DOU), especificam as alterações que afetam os procedimentos do Ibama e definem prazos para a emissão de pareceres de órgãos vinculados aos ministérios da Justiça, Saúde e Cultura que são partes inerentes do processo de licenciamento ambiental.


Entre os novos procedimentos estão regras que permitirão ao empreendedor ter apenas uma oportunidade para complementar informações técnicas exigidas pelo Ibama. A ideia é que não se estenda muito as contestações sobre as exigências do órgão e que atrasam a emissão de licenças.


No âmbito da perfuração de poços de petróleo, uma das principais novidades se dará sobre a emissão de licenças considerando a sensibilidade da área de exploração – em regiões com uma sensibilidade menor em termos ambientais, a avaliação técnica será mais simples.

No entanto, o presidente do Ibama, Curt Trennepohl, deixa claro que as mudanças não significam flexibilização das exigências previstas na lei de proteção ambiental, mas trata-se de uma modernização dos procedimentos do instituto para analisar as obras demandadas pelo país.


Segundo Trennepohl, era necessária até para aumentar o grau de especificidade no tratamento da lei ambiental. As regras definidas até aqui pecavam por definirem um mesmo procedimento para projetos com características diferentes. “Se formos analisar a lei no sentido mais duro até uma obra de tapa buraco precisaria de licenciamento ambiental”, diz Trennepohl.


Ainda que, na prática, as medidas tragam mais celeridade nas análises de processos, a diretora de licenciamento ambiental do Ibama, Gisela Fiorattini, defende que por outro lado o órgão não pode ser responsabilizado pelos atrasos na concessão de licenças ambientais, pecha que lhe atribuem empreendedores.


No balanço deste ano, o Ibama contabiliza média de emissões de 2,2 licenças por dia (total de 414 licenças neste ano), um índice alto considerando o nível das obras analisadas, da usina nuclear de Angra 3 e da hidrelétrica de Belo Monte, para um efetivo de analistas de apenas 372 profissionais. “Usamos criatividade as vezes buscando analistas de fora do próprio Ibama para fazer uma força tarefa para estudos técnicos como aconteceu no licenciamento de Belo Monte”, afirma Gisela.


Segundo Gisela, as alterações nas regras não deixam de responder a uma demanda maior por licenças ambientais em função do ritmo de desenvolvimento do país. “Em 2000, tínhamos uma carteira de 251 processos de licenciamento ambiental, hoje são 1829 em análise”, diz. Na conta estão, 150 usinas de energia elétrica.


As mudanças também seriam necessárias não apenas para avaliar projetos que ainda serão construídos, como também para regularizar obras que já estavam finalizadas quando foi estabelecida a lei, em 1981.


“As novas medidas visam tratar de empreendimentos já existentes antes da legislação e que obviamente ficaram sem licenças sobre as regras atuais e de empreendimentos novos, como os de petróleo e gás, que não foram contemplados pelas regras atuais”, explica Trennepohl.


No caso dos portos, o Ibama avalia que existe um total de 40 portos, a maioria pertencente ao setor público, sem licenciamentos ambientais por terem sido construídos antes da entrada em vigor da legislação. Nesta conta estão alguns dos maiores portos do país, como os de Santos e Paranaguá que já iniciaram processo de regularização.


Outros como os das Companhias das Docas do Estado da Bahia (Codeba) ainda estão totalmente irregulares. Os empreendimentos contarão com programas de regularização ambientais específicos e com o apoio do órgão.

Petróleo e gás

Uma das principais novidades se dará sobre a produção de petróleo. O Ibama poderá fazer até um processo de licenciamento integrado de empreendimentos estabelecidos em um polígono de produção. O tratamento individual para projetos que podem ser avaliados conjuntamente pela proximidade.


As medidas também funcionam na mesma direção para as rodovias e linhas de transmissão de energia elétrica. Estas, quando tiverem níveis de tensão pequenos e não atravessarem áreas de preservação ambiental ou de terras indígenas, por exemplo, passarão por um processo mais simplificado de análise técnica.

Ruy Barata Neto, Correspondente do Brasil Econômico em Brasília
http://www.brasileconomico.com.br