quinta-feira, 10 de março de 2011

ALERTA AMBIENTAL! Áreas Úmidas do Maranhão estão sendo destruídas

 As mais afetadas seriam as da Baixada e Reentrâncias Maranhenses, de fundamental importância para a conservação da biodiversidade da região

      Foto: campos da Baixada Ocidental Maranhense ( Fórum Carajás)

Como ação voltada para a sustentabilidade das unidades de conservação, estudantes da UFMA e de outras instituições de Ensino Superior do Estado, além de representantes da Assembléia Legislativa, estiveram reunidos em fevereiro deste ano discutindo a manutenção de recursos hídricos e a sustentabilidade de manguezais do Maranhão, na Semana Maranhense das Zonas Úmidas, realizada de 1 a 4 do mês, com a promoção da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão - SEMA, em comemoração ao Dia Mundial das Zonas Úmidas, 2 de fevereiro.

Complexos ecossistemas que englobam desde as áreas marinhas e costeiras até as continentais e as artificiais, incluindo as áreas úmidas que estão situadas em uma interface entre a água e o solo e são muito vulneráveis, os lagos, lagunas, manguezais e pântanos, além de áreas irrigadas para a agricultura e os reservatórios de hidrelétricas, são alguns exemplos de áreas que precisam ser conservadas para manter a biodiversidade da região e do mundo.

De acordo com informações de técnicos ambientais da SEMA, as áreas úmidas do Estado estão sendo destruídas. E as mais afetadas seriam as APAs da Baixada Maranhense e das Reentrâncias Maranhenses, que estariam apresentando um quadro preocupante de insustentabilidade sócio-ambiental. Essas regiões são vítimas das queimadas, do desmatamento de manguezais e da disposição inadequada de resíduos sólidos e efluentes industriais, hospitalares e domésticos.

Devido à enorme variedade de espécies endêmicas e, periodicamente, de espécies terrestres e de águas profundas que abrigam as zonas úmidas, essas áreas contribuem de forma substancial para a biodiversidade ambiental. Além disso, têm papel importante no ciclo hidrológico, ampliando a capacidade de retenção de água da região onde está localizada, promovendo o múltiplo uso das águas pelos seres humanos.

O Maranhão está repleto de áreas úmidas, sendo que três delas são destacadas como de importância internacional, previstas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC): a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baixada Maranhense; a APA das Reentrâncias Maranhenses, que são unidades de conservação de uso sustentável nas quais os recursos naturais podem ser utilizados de forma direta; e o Parque Estadual do Parcel de Manoel Luís, unidade de conservação de proteção integral, que só pode ser utilizado de forma indireta, não envolvendo coleta, dano.

As unidades de conservação do Estado foram criadas em um período de grande discussão de assuntos relacionados à sustentabilidade, 1991, ano que antecedeu a ECO 92, segunda Conferência Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro.

Segundo Fabiana Correa, Técnica do SEMA,o que poderia ser feito para combater o problema seria a elaboração de planos de manejo, documentos que orientam as ações que podem ser implantadas, para uma gestão mais eficaz das unidades de conservação. “Nenhuma das três unidades apresenta plano de manejo”, destaca. Além do plano, Correa argumenta que deveria haver maior fiscalização e controle na gestão das unidades e iniciativas voltadas para a educação ambiental atrelada a outras políticas públicas como saneamento e saúde, “porque a integridade do ambiente está ligada diretamente à efetividade destas ações”.

A definição do conceito de área úmida surgiu na Convenção de Ramsar: tratado intergovernamental celebrado no Irã, em 1971, que marcou o início das ações nacionais e internacionais para a conservação e o uso sustentável das zonas úmidas e de seus recursos naturais. A convenção também classificou as áreas úmidas como de importância mundial, denominando-os de "sítios Ramsar".

Edição: Giselle Marques
Lugar: Campus do Bacanga/SLZ
Fonte: Rodrigo Oliveira/Ascom
www.ufma.br 

Pesquisador lança livro sobre regulação da água

A obra trata da análise do modelo vigente de gestão de recursos hídricos, com seus avanços e problemas de implementação.

O livro “A Regulação dos Recursos Hídricos: Estado e Esfera Pública na Gestão de Recursos Hídricos – Análise do Modelo Atual Brasileiro, Críticas e Proposições”, do engenheiro civil, escritor e poeta Marcos Freitas, foi lançado (28/11) no Rio de Janeiro. A obra, publicada pela editora CBJE, trata da análise do modelo vigente de gestão de recursos hídricos, com seus avanços e problemas de implementação, visando apresentar proposições ao seu aprimoramento.

Na obra o autor apresenta e discute o atual modelo de gestão da água com ênfase nos aspectos de regulação e de controle social (busca da eficiência e melhoria da qualidade e resgate da esfera pública como instrumento do exercício da cidadania, dentre outros aspectos).

Segundo Freitas, para alcançar os objetivos procurou-se analisar a temática a partir de uma abordagem teórico-histórica da regulação (modelos de administração da água implantados no Brasil e gênese das agências reguladoras) e da gestão participativa dos recursos hídricos, envolvendo a relação do Estado e da esfera pública, em especial, no âmbito dos comitês de bacias hidrográficas e agências de água.

Para o autor, a participação efetiva e qualificada da sociedade civil nos conselhos e nos comitês de bacias necessita ser aprimorada, sendo de suma importância para o aperfeiçoamento da gestão integrada de recursos hídricos e da democracia deliberativa brasileira.

Para adquirir o livro: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9041234&sid=97511819713110563023846811&k5=16C45ECD&uid=

www.45graus.com.br

quarta-feira, 9 de março de 2011

Amazônia terá menos chuva e ficará mais seca no século 21, diz relatório do INCT

Segundo os novos cenários climáticos encontrados no relatório, “as projeções apontam que as áreas do norte do continente, que compreendem a Amazônia e o Nordeste do Brasil, deverão experimentar deficiência de chuvas (com redução de até 40%), enquanto no sudeste da América do Sul, incluindo a bacia Paraná La Plata, as chuvas deverão aumentar cerca de 30%”.

Os novos cenários climáticos encontrados no relatório, “as projeções apontam que as áreas do norte do continente, que compreendem a Amazônia e o Nordeste do Brasil, deverão experimentar deficiência de chuvas (com redução de até 40%), enquanto no sudeste da América do Sul, incluindo a bacia Paraná La Plata, as chuvas deverão aumentar cerca de 30%”.


As simulações elaboradas pelos modelos do INCT abrangerão um período de 30 anos com base no cenário atual e um cenário futuro para o período 2071-2100.


A diferença entre o volume de chuvas e a evaporação para o Norte da América é negativa, dizem os cientistas.


Este déficit de água e a redução do escoamento fluvial da Amazônia Oriental e a bacia do São Francisco vão tornar estas regiões suscetíveis a condições mais secas no futuro.

Doenças


O relatório do INCT abrange diferentes áreas que possuem correlação como mudanças climáticas, como saúde humana, urbanização e megacidades, energia e políticas públicas.


Na área de saúde humana, estão sendo realizados estudos para avaliar as variações temporais de variáveis climáticas e doenças.


Os pesquisadores priorizaram a leptospirose, doenças respiratórias e cardiovasculares e a dengue, selecionadas conforme sua prevalência e biomas. Em Manaus, por exemplo, a dengue está associada às doenças transmitidas pela água.


Segundo os estudos, riachos e ocupação recente de áreas explicam a elevada incidência de malária nessa cidade.

“O ritmo de desmatamento e a extensão dos riachos alagáveis podem aumentar consideravelmente durante as próximas décadas devido à variação do nível de água dos rios e as pressões decorrentes do uso da terra”, diz o estudo.

O INCT-MC, criado em 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, reúne cientistas de instituições de pesquisa em meio ambiente no Brasil distribuídos em 90 grupos.


Ao todo, são aproximadamente 400 participantes.


Os INCTs são financiados pelo Conselho de Desenvolvimento Científco e Tecnológico (CNPq) do MCT e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação (MEC) e por agências estaduais de fomento.


Um dos órgãos participantes do grupo é o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

De acordo com informações da assessoria do Inpe, onde fica a sede do INCT, a principal meta do estudo é fornecer informação científica de alta qualidade necessária para compreender o funcionamento do clima, sua variabilidade e suas mudanças e subsidiar as políticas públicas de mitigação e adaptação em níveis local, nacional e internacional.
 
Por: Redação IHU Online

sábado, 5 de março de 2011

Organizações e Movimentos lançam Nota sobre o INCRA/MA

São Luís 17 de fevereiro de 2011



Ao excelentíssimo Dr. Antonio Palocci
Ministro Chefe da Casa Civil



Ao excelentíssimo Dr. Afonso Florence

Ministro do Desenvolvimento Agrário



Ao excelentíssimo Dr. Rolf Hackbart

Presidente Nacional do INCRA



Os movimentos sociais e organizações que lutam por reforma agrária no Maranhão vêm posicionar-se sobre a atual situação do INCRA, pois sendo ele o lugar do planejamento e execução das ações de reforma agrária do governo Federal nos preocupa a sua situação atual e perspectiva que se desenha.


Considerando, que a SR (12) do INCRA no Maranhão responde por cerca de 960 assentamentos, e um universo mais de 130 mil famílias;


Considerando, que a capacidade operacional da unidade no Maranhão é infinitamente menor do que o que necessita para atender a demanda dos assentamentos, principalmente em obtenção de terras, infra-estrutura, Assistência técnica, agroindústria, educação do campo,crédito de apoio e consolidação.


Considerando, aumento do número de conflitos pela posse da terra em conseqüência dos processos de grilagem em Cartórios com a conivência e/ou omissão do Estado e garantida por milícias privadas, ainda, o aumento de comunidades camponesas despejadas por força de Ação Judicial, a compra de terras por grupos estrangeiros, a prática recorrente de trabalho análogo ao escravo e outras formas de violação de direitos humanos fundamentais;


Considerando que as comunidades quilombolas têm apresentado uma demanda crescente visando o reconhecimento e titulação de seus territórios cada vez mais ameaçados por grandes projetos (mineração, barragens/hidrelétricas, agronegócios, etc.) e pela ação de grupos de pistoleiros a serviço de latifundiários;


Considerando que O INCRA/MA tem tido pouco zelo quanto aos estudos e critérios acerca da criação de assentamentos incidentes sobre terras tradicionais indígenas, sendo essas terras outrora reivindicadas pelos indígenas, criando conflitos e indefinições acerca de novos locais para assentamentos das famílias, a exemplo das TIs Governador, Bacurizinho, Krikati, Porquinhos, Terra Indígena Awá e outras; a morosidade na regularização fundiária só faz aumentar o desrespeito do governo brasileiro para com os direitos indígenas;

Considerando que a modalidade de assentamento que vem sendo trabalhada pela SR (12) do INCRA no Maranhão não privilegia o uso sustentável da biodiversidade, apesar do Estado possuir grande potencial agroextrativista e de existir modalidades de assentamentos sustentáveis (assentamentos ambientalmente diferenciados: PAE, PDS e PAF) que fazem parte da Política Nacional de Reforma Agrária.

Considerando que a SR (12) do INCRA no Maranhão, para alcançar suas metas de famílias assentadas tem usado da estratégia de aumentar capacidade de assentamentos dos PAs já existentes e não na desapropriação de mais áreas improdutivas no estado, e que, isso tem provocando um processo ainda maior de “minifundização”, baixa produtividade, aumento da insegurança alimentar e degradação ambiental.


Considerando o grande número de famílias que moram e/ou trabalham em áreas de assentamentos e não são assentadas, sendo um processo de discriminação social que gera conflitos e provoca mais pressão sobre o meio físico, ocasionando mais degradação e conseqüente aumento da insegurança alimentar.


Considerando, que a situação política do Maranhão tenta fazer do INCRA moeda de troca para atender os interesses políticos eleitorais, secundarizando a sua função de promover o reordenamento fundiário e implantar uma verdadeira política de reforma agrária;

Considerando, que há necessidade de otimização dos recursos dos programas de implantação e consolidação, primando pela qualidade dos serviços e fortalecimento da reforma agrária e não aos interesses de empreiteiras,

E considerando a importância da participação das organizações de trabalhadores na definição de metas, planos operacionais e definição dos gestores do referido órgão no Maranhão, as entidades que subscrevem esta carta vem denunciar e apresentar as seguintes questões.


1. Readequar a capacidade operacional da SR (12), com novos servidores, com qualificação do seu corpo técnico, com orçamento e com otimização dos mesmos para melhor atender as atuais demandas;


2. Estabelecer metas e parâmetros por região do Estado para o estabelecimento de assentamentos em modalidades sustentáveis, visando o estabelecimentos de processos produtivos baseados no agroextrativismo e na agroecologia;


3. Que seja revisto pelo INCRA todas as áreas de assentamentos com tamanho menor que o módulo de terra estabelecido na legislação, adquirindo mais áreas para regularizar a situação dessas famílias;


4. Que todas as famílias que moram nas áreas de assentamentos e não assentadas tenham suas situações regularizadas, a depender da natureza de cada área (comunidades tradicionais, áreas de ocupação, etc.);


5. Que o INCRA seja um instrumento que puna o latifúndio improdutivo, a grilagem e as formas de violação dos direitos dos trabalhadores, reorientando as suas metas de obtenção, fortalecendo o Instrumento da desapropriação e estabelecendo uma dinâmica de agilidade e eficiência junto a sua Procuradoria;


6. Que a Casa Civil do Governo Dilma, O Ministro do Desenvolvimento Agrário o Sr. Afonso Florence e a presidência Nacional do INCRA, intervenham para que a sucessão da SR (12) seja resultado do diálogo com as organizações de apoio e representação dos trabalhadores rurais no Maranhão.

7. Que seja urgentemente agendada uma reunião de trabalho em São Luis para discutir a atual situação da SR (12) e adequação de suas metas e gestão aos reais interesses dos beneficiários da reforma agrária;


Certo do vosso compromisso e empenho em mudar a situação em que se encontram as ações de reforma agrária no Maranhão, desde já agradecemos,


Atenciosamente


Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra - MST

Comissão Pastoral da Terra - CPT


Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAEMA


Federação dos trabalhadores e Trabalhadoras da agricultura familiar no Maranhão– FETAF/MA


Conselho indigenista Missionário - CIMI


Sociedade Maranhense de Direitos Humanos - SMDH


Fórum Carajás


Cáritas Brasileira Regional Maranhão


Associação Agroecológica Tijupá
www.forumcarajas.org.br

quarta-feira, 2 de março de 2011

A "bomba relógio tóxica" dos fertilizantes e plásticos no ambiente marinho

Enormes quantidades de fertilizantes fosfatados - um fertilizante valioso e necessário para alimentar a crescente população mundial - estão atingindo os oceanos como resultados da ineficiência na agricultura e da falha na reciclagem de águas residuais.



A poluição por fosfato, juntamente com outras descargas descontroladas como as de nitrogênio e esgoto, está relacionada ao aumento no crescimento de algas, que por sua vez prejudicam a qualidade da água, aumentam a quantidade de peixes envenenados e comprometem o turismo costeiro.


Somente nos Estados Unidos, os custos estão estimados em mais de US$2 bilhões por ano, o que indica que no mundo todo anualmente o prejuízo pode chegar a dezenas de bilhões de dólares.

Ao mesmo tempo há uma preocupação crescente quanto ao impacto que bilhões de fragmentos de plásticos, tanto grandes quanto pequenos, causam à saúde do ambiente marinho global.


Novas pesquisas sugerem que os plásticos em pequenos fragmentos espalhados nos oceanos - juntamente com os pellets (http://www.globalgarbage.org/blog/index.php/2010/08/16/plastic-pellets-nas-praias-de-santos/) descartados pela indústria - podem absorver uma variada gama de elementos químicos tóxicos ligados ao câncer e impactar os processos reprodutivos dos seres humanos e da vida selvagem.


Especialistas afirmam que tanto as descargas de fosfato quanto as novas preocupações referentes aos plásticos salientam a necessidade de um melhor gerenciamento do lixo mundial e também da melhoria nos padrões de consumo e produção.


Os dois assuntos são colocados como questões-chave - considerados como persistentes ou emergente - no Year Book 2011 (http://www.unep.org/yearbook/2011/)do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (em inglês, UNEP) que está sendo lançado hoje antecedendo a reunião anual de ministros mundiais de meio ambiente, com abertura em 21 de fevereiro.


Achim Steiner, Sub-Secretário-Geral e Diretor Executivo do UNEP, disse: “A ciência é fundamental para ajudar os governos a priorizarem ações sobre os desafios persistentes e emergentes - de fato, as questões emergentes serão o tema central nos próximos 15 meses, à medida que os ministros se preparam para a decisiva Conferência Rio+20, a ser realizada no Brasil no próximo ano”.

“O fosfato e as histórias de plásticos no ambiente marinho evidenciam a necessidade urgente de se preencher lacunas científicas, mas também de se catalisar uma transição global para uma Economia Verde a fim de se concretizar o desenvolvimento sustentável e o combate à pobreza”, acrescentou.


A partir daqui - no Conselho Governamental do UNEP/Fórum Ministerial Global para o Meio Ambiente - começaremos consultas globais e regionais sobre uma pequena lista dos principais desafios científicos que precisam ser tratados a fim de auxiliar nessa transição e apoiar os governos na Rio +20″, disse Steiner.


“O foco estará também sobre as soluções e oportunidades. Seja fosfato, plástico ou qualquer outro dos tantos desafios enfrentados pelo mundo moderno, há, claramente, inúmeras oportunidades para a geração de novos tipos de empregos e também de indústrias mais eficientes”, acrescentou.

“Algo que traga uma gestão mais inteligente, um imperativo para a reciclagem transformadora de resíduos e seus impactos ambientais e de saúde, a partir de um problema sério em um valioso recurso, e que mantenha a área ocupada da humanidade dentro de limites planetários”, complementou.

Fosfato - o Desperdício de um Recurso Precioso à Agricultura


O UNEP Year Book 2011 destacou o fosfato, cuja demanda disparou durante o século 20, em parte por causa do debate acalorado sobre a possibilidade das reservas finitas de rocha fosfática acabarem em breve.


Estima-se que 35 países produzam fosfato de rocha e entre os dez países com as maiores reservas estão a Algéria, China, Israel, Jordânia, Rússia, África do Sul, Síria e Estados Unidos.


Novas minas de fosfato têm sido comissionadas em países como Austrália, Peru e Arábia Saudita e há países e também empresas buscando por novos horizontes mesmo que distantes, inclusive no fundo do mar na costa da Namíbia.


Alguns pesquisadores sugerem que o consumo de fosfato no mundo é, a médio e longo prazo, insustentável e que o pico de produção, com um posterior declínio, poderá ocorrer no século 21.


Outros discordam. O Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes recentemente revisou para mais além as estimativas de reservas de cerca de 16 bilhões de toneladas para 60 bilhões de toneladas - considerando taxas de produção atuais, estas reservas poderiam durar por mais 300 a 400 anos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos também ajustou recentemente as suas estimativas para 65 bilhões de toneladas. No entanto, os defensores da teoria do pico do fosfato argumentam que mesmo que o cronograma possa variar, a questão fundamental quanto ao fornecimento de fosfato, barato e facilmente acessível é, em última análise, limitada, e isso não vai mudar.


O Year Book conclama para uma avaliação global do fosfato e para o mapeamento mais preciso dos fluxos deste material no meio ambiente e quanto ao prognóstico dos níveis de reservas economicamente viáveis.


De acordo com o Year Book, a utilização global de fertilizantes que contêm fosfato, nitrogênio e potássio aumentou 600% entre os anos de 1950 e 2000.


Ele acrescenta que o crescimento populacional nos países em desenvolvimento e o aumento dos níveis de laticínios e da carne na dieta global são susceptíveis de aumentar ainda mais o uso de fertilizantes.


“Embora existam quantidades comercialmente exploráveis de rocha fosfática em diversos países, aqueles que não têm reservas nacionais poderão estar particularmente vulneráveis no caso de insuficiências globais”, observa o Year Book .


Mais pesquisas são necessárias para que se possa conhecer a forma como o fosfato se desloca pelo meio ambiente, a fim de maximizar a sua utilização na produção agrícola e pecuária e também reduzir o desperdício e impactos ambientais, inclusive em rios e oceanos.


• Atualmente, os seres humanos consomem - através da comida - apenas cerca de 1/5 do fosfato extraído, ficando o restante retido no solo ou sendo lançado no meio ambiente aquático.

• Nos últimos 50 anos, concentrações de fosfato em águas doces e em terra têm crescido na ordem de pelo menos 75%.
• O fluxo estimado de fosfato para o ambiente marinho a partir da terra já está na ordem de 22 milhões de toneladas por ano.

O Year Book aponta para a enorme oportunidade da reciclagem de águas residuais: nas mega- cidades dos países em desenvolvimento, até 70% desta água - carregada de nutrientes e fertilizantes, como o fosfato - é despejada sem tratamento em rios e zonas costeiras.

• Na Suécia, por exemplo, objetiva-se reciclar 60% do fosfato contido nas águas residuais dos municípios até o ano de 2015.


Outras medidas para reduzir as liberações incluem a redução da erosão e da perda da camada superior da terra onde grandes quantidades de fosfato estão associadas com as partículas do solo e com fertilizantes em excesso que são armazenados após a aplicação.


• Na África, as perdas de solo estão próximas de 0,50 toneladas por hectare por ano e na Ásia esta relação é ainda maior, chegando a quase 1,70 toneladas por hectare por ano.


As medidas de gestão da terra incluem a aração em contornos; o plantio em curva de nível de cercas-vivas em encostas íngremes, a aplicação de mulch e a plantação de culturas de cobertura e outra vegetações no solo.

Aumentar as taxas de reciclagem em minas de fosfato também poderia ajudar na conservação dos recursos e reduzir as descargas de sistemas de água local


Plásticos no Ambiente Marinho - Uma Nova Bomba Relógio Tóxica?

A segunda questão emergente destacada no Year Book 2011 é quanto à necessidade da intensificação das pesquisas sobre o impacto dos plásticos que estão chegando aos oceanos.


Os cientistas estão se preocupando não somente com o dano direto à vida selvagem, mas quanto à toxicidade potencial de alguns tipos de materiais chamados de micro plásticos.

Estes micro-plásticos são pequenos pedaços com dimensão inferior a cinco milímetros que são descartados como pellets pelas indústrias, ou que se formam como resultado de pedaços maiores de plástico que se partem, por exemplo, devido à ação das ondas ou pela luz do sol.


A quantidade exata de plásticos, incluindo os micro-plásticos, que estão entrando ou se formando nos oceanos a partir das descargas terrígenas - mas também de embarcações e barcos de pesca- é desconhecida.

O que se sabe é que o consumo per capita de plástico, da embalagem até as sacolas plásticas e da indústria até os bens de consumo, têm aumentado acentuadamente.

• Na América do Norte e na Europa Ocidental, cada pessoa já utiliza cerca de 100 kg de materiais plásticos por ano - e é provável que esse número aumente para 140 kg até 2015.



• Cada pessoa que vive em países asiáticos em rápido desenvolvimento, utiliza cerca de 20 quilos de plástico por ano - este número deverá crescer para cerca de 36 quilos até 2015.


Atualmente, as taxas de reciclagem e de re-utilização variam enormemente mesmo entre países desenvolvidos.

Na Europa, as taxas de reciclagem de plásticos para a geração de energia variaram de 25% ou menos em diversos países europeus para mais de 80% na Noruega e na Suíça.


Preocupações anteriores relacionadas ao plástico incluem danos e morte na vida selvagem por emaranhamento.


Existe também uma preocupação quanto à vida selvagem se alimentar frequentemente de plásticos, pensando se tratar de alimento. Os albatrozes, por exemplo, podem confundir plástico vermelho com lulas, da mesma forma tartarugas podem achar que sacolas plásticas são águas vivas. Aves marinhas jovens de algumas espécies podem sofrer de má nutrição se elas se alimentarem de muito plástico, pensando estar ingerindo alimento.

Mas, o Year Book levanta uma bandeira sobre uma nova preocupação designada de “substância persistentes, bio-acumuláveis e tóxicas” associadas ao lixo marinho plástico.


A pesquisa indica que pedaços pequenos ou minúsculos de plástico estão absorvendo e concentrando, a partir da água do mar e de sedimentos, uma ampla gama de produtos químicos que vão dos bifenilos policlorados (PCBs) até pesticidas DDT.

“Muitos desses poluentes, incluindo os PCBs, causam efeitos crônicos como a desregulação endócrina, mutagenicidade e carcinogenicidade”, relata o Year Book.

“Alguns cientistas estão preocupados sobre a possibilidade de que esses agentes contaminantes persistentes possam eventualmente acabar na cadeia alimentar, embora haja uma grande incerteza quanto ao grau de ameaça que isso representa à saúde humana e à saúde do ecossistema” acrescenta.


Espécies como o espadarte e as focas - que estão no topo da cadeia alimentar - são citadas como potencialmente vulneráveis. Estas espécies são também consumidas pelos seres humanos.

Foi realizada recentemente uma pesquisa em 56 praias, em cerca de 30 países, sobre as concentrações de PCB em pellets levados pela água até a costa.


• As concentrações mais elevadas foram encontradas em pellets plásticos nos Estados Unidos, na Europa Ocidental e no Japão - as mais baixas foram localizadas na Ásia tropical e na África do Sul.


O Year Book registra uma série de iniciativas novas e já existentes, linhas de orientação e leis que visam à redução das descargas de plásticos e outros tipos de lixos.


Elas vão desde a Convenção Internacional para Prevenção da Poluição por Navios das Nações Unidas até o Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho das Atividades Baseadas em Terra do UNEP.


O Year Book apela para uma melhor aplicação de tais regras, para a conscientização do consumidor, para mudanças comportamentais e também para um melhor suporte às iniciativas nacionais e comunitárias.

Há ainda uma necessidade urgente de um melhor e mais inovador sistema de monitoramente de plásticos em todo o ambiente marinho, dado que ainda há lacunas reais quanto ao destino

final destes materiais.


Há evidências de que alguns plásticos não estão flutuando, mas sim afundando e se acumulando no fundo do mar.


“Lixo plástico tem sido observado no fundo do oceano a profundidades que vão do Estreito de Fram, no Atlântico Norte, até os cânions de águas profundas ao largo da costa do Mediterrâneo - acredita-se que a maior parte do plástico existente no Mar do Norte resida no fundo do mar”, diz o Year Book.


Ele também apela para a introdução progressiva de mudanças na coleta, reciclagem e reutilização de plásticos. “Se o plástico fosse tratado como um recurso valioso, ao invés de apenas um resíduo, todas as oportunidades para criar um valor secundário para o material ofereceriam incentivos econômicos para a coleta e reprocessamento”, ressalta o Year Book.


Leia também


Tudo termina no mar - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/tudo-termina-no-mar/


Plano de ação regional do NOWPAP em relação ao lixo marinho - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/plano-de-acao-regional-do-nowpap-em-relacao-ao-lixo-marinho/


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Lixo marinho e nós: quem pode dar conta? - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/lixo-marinho-e-nos-quem-pode-dar-conta/


Lixo marinho elevou número de mortalidade de tartarugas em 2009 - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/lixo-marinho-elevou-numero-de-mortalidade-de-tartarugas-em-2009/


No fundo do mar, o lixo do carnaval de Salvador - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/no-fundo-do-mar-o-lixo-do-carnaval-de-salvador/


Tradução Global Garbage/Miriam Santini


Revisão técnica Projeto Lixo Marinho/Gerson Fernandino


*A reprodução da série especial sobre o lixo marinho é resultado da parceria entre o Mercado Ético, a Global Garbage e a Associação Praia Local Lixo Global/Projeto Lixo Marinho.


**Publicado originalmente no site Mercado Ético - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/a-bomba-relogio-toxica-dos-fertilizantes-e-plasticos-no-ambiente-marinho/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje
 
Por: Redação Global Garbage/Mercado Ético*
http://www.envolverde.com.br/

terça-feira, 1 de março de 2011

Prefeitos da Baixada Maranhense apresentam demandas à SAGRIMA

Prefeitos e secretários municipais de municípios que compõem o Consórcio da Floresta dos Guarás reuniram-se nesta segunda-feira (28/02) com o secretário da Sagrima, Cláudio Azevedo e o secretário adjunto, Raimundo Coelho de Sousa para discutir parcerias entre os órgãos.

Na reunião, que aconteceu no gabinete da Sagrima, foram discutidas e apresentadas as potencialidades da região, que se destaca pelo cultivo de mandioca, arroz, fruticultura e pesca. Projetos de construção de uma fábrica de gelo, de um terminal pesqueiro e a reativação de uma fábrica de beneficiamento de pescado foram algumas das reivindicações apresentadas durante a reunião.
Os municípios que integram o Consórcio da Floresta dos Guarás, criado no ano de 2008, são: Central do Maranhão, Guimarães, Cedral, Mirinzal, Porto Rico, Cururupu, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum Açu.


Ao final do encontro, o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Cláudio Azevedo, informou que acontecerá, no final do mês, uma reunião com os prefeitos e secretários municipais, onde também participarão os gestores da Secretaria de Desenvolvimento Agrário e da Embrapa Cocais e Planícies Inundáveis.

Cláudio Azevedo solicitou que os representantes do Consórcio da Floresta dos Guarás elaborem um documento oficializando as demandas apresentadas. “A governadora Roseana Sarney está muito empenhada em desenvolver esta região”, ressaltou Cláudio Azevedo, que recentemente acompanhou a governadora na inauguração da estrada que liga o município de Bacuri a Apicum Açu.

Para o presidente do Consórcio da Floresta dos Guarás e prefeito de Guimarães, Padre William Guimarães Silva, a reunião foi positiva. “Nós discutimos ideias e tivemos conhecimento de alguns projetos da Sagrima e acredito que a parceria entre as prefeituras e o governo estadual vai possibilitar o desenvolvimento da nossa região”, avaliou ele.



Também participaram da reunião os prefeitos de Bacuri, Washington Luís de Oliveira; de Cururupu, José Francisco Pestana; de Central do Maranhão, Irã Monteiro Costa e os secretários municipais de São João Batista, José Luís Fernandes Ribeiro e de Apicum Açu, Wesley Monteiro.


fp3Dentre as ações da Sagrima, foram apresentados os projetos de regularização das embarcações pesqueiras e o Viva Pesca Cidadã, realizado em parceria com a Capitania dos Portos do Maranhão e o Ministério da Pesca e Aquicultura.

A previsão é de que as reuniões para divulgação das ações nos municípios do litoral maranhense aconteçam ainda neste mês de março. Nos projetos são desenvolvidas ações voltadas para a legalização das embarcações pesqueiras, curso de formação de aquaviários e emissão de documentos para pescadores.
Por: Sagrima
http://www.ma.gov.br/

Encontro discute recursos hídricos nos estados

Secretários de órgãos ambientais de 23 estados e do Distrito Federal se reuniram hoje (1/3) com representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional das Águas (ANA) para discutir implementação do Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (Singreh). A reunião marca o início das definições para as ações de gestão das águas no País no período de 2011 a 2015.

ecoalternativa/internet/divulgação


Na abertura do encontro, realizado em Brasília, o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério, comentou sobre a importância de reunir secretários que iniciam agora suas gestões, cerca de dois meses depois da posse dos governadores. ''Eles serão responsáveis pelas ações'', acentuou.


O Singreh faz parte do Plano Nacional de Recursos Hídricos, sancionado em 2006 e que deve ser revisto a cada quatro anos. No ano passado foram realizadas oficinas nas 12 regiões hidrográficas brasileiras para discussão de temas locais, além de seminários sobre assuntos estratégicos nacionais. O resultado foi a consolidação, em novembro, de 28 prioridades a serem executadas entre 2011 e 2015. As definições não foram fechadas, para que os novos governos estaduais possam participar. O objetivo é influenciar nos planos plurianuais de estados e do Governo Federal.


''Queremos convidá-los a se preparar para a Conferência Nacional das Águas, que vai acontecer no mais tardar em 2012, com a finalidade de diálogo transparente, democrático e objetivo com a sociedade'', afirmou Silvano Silvério. Ele enfatizou o papel dos conselhos estaduais e nacional de recursos hídricos e que o Brasil é um dos primeiros países da América a ter um plano nacional de recursos hídricos.


O diretor-presidente da Agência Nacional das Águas, Vicente Andreu, enfatizou aos secretários que, ao contrário de muitos órgãos de governo que sofreram cortes orçamentários, a ANA teve ampliado os seus recursos em cerca de R$ 160 milhões, chegando a R$ 219 milhões, ''fruto do compromisso de descontingenciamento da compensação do uso dos recursos hídricos assumido no ano passado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo''. Esse dinheiro deve ser usado em ações que vão beneficiar os estados.

Vicente Andreu considerou histórico o encontro dos secretários. ''Com certeza, é o mais representativo nesses 10 anos de existência da ANA''. A instituição foi responsável pela promoção da reunião. O diretor-presidente disse que o encontro hoje em Brasília representa um novo patamar do relacionamento com os órgãos gestores nos estados.
 
Por: Cristina Ávila-MMA
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