sábado, 31 de julho de 2010

ONG articula movimentos socioambientais no Maranhão

BRASIL



Lançamento da Ong Reentrâncias ( Foto: Reentrâncias)

Foi lançada ontem  (30), em ocasião do Seminário Quilombolas, a ONG Reentrâncias, criada para articular e apoiar os movimentos, organizações e comunidades da região litoral norte do Maranhão numa perspectiva de fortalecimento das lutas populares. O Seminário aconteceu no Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) do município de Bequimão.

Diversas entidades e movimentos, atuantes na luta das comunidades quilombolas da região, participaram de debates sobre a criação de políticas públicas voltadas para a terra e o direito dos quilombolas, além de apresentações de música e danças populares. O evento foi realizado pela STTR do município, Fórum Carajás, Colônia de Pescadores Z-38 e Comunidades Quilombolas da região.

Para conhecer a ONG Reentrâncias, acesse http://www.reentrancias-ma.blogspot.com/.

Por: Adital
www.adital.com.br

Mercúrio é mais perigoso no mar

Baía de São marcos em Alcântara/MA( Foto Edmilson Pinheiro)

As concentrações de mercúrio em água doce são muito maiores

do que as encontradas em água salgada. Entretanto, ao serem ingeridos, são

os peixes de mar que oferecem mais riscos à saúde humana.



A afirmação é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade Duke, nos

Estados Unidos, e publicado neste domingo (27/6) no site da revista Nature

Geoscience.



O motivo é a própria água do mar. A versão potencialmente perigosa do

mercúrio é o metilmercúrio (C2H6Hg), que se une à matéria orgânica

dissolvida em água doce e, no mar, liga-se ao cloreto, ou seja, ao próprio

sal.



“O modo mais comum por meio do qual a natureza transforma o metilmercúrio em

uma forma menos tóxica é por meio da ação da luz solar. Quando o

metilmercúrio é ligado à matéria orgânica dissolvida, como plantas ou

animais decompostos, a luz do sol quebra a molécula”, disse Heileen Hsu-Kim,

professora assistente de engenharia civil da Universidade Duke e um dos

autores do estudo.



“Entretanto, na água do mar, o metilmercúrio permanece fortemente ligado ao

cloreto, não sendo degradado com facilidade pela luz solar. Nessa forma, ele

será ingerido por animais marinhos”, explicou.



O metilmercúrio é uma neurotoxina potente que, uma vez ingerida, pode

provocar problemas nos rins, no sistema nervoso e até mesmo morte. A

ingestão da substância é particularmente perigosa nos casos de gravidez,

podendo causar problemas neurológicos na criança.



Como peixes e frutos do mar têm tendência natural de armazenar metilmercúrio

em seus órgãos, eles são a principal fonte de ingestão do metal em humanos.



“A exposição ao mercúrio é consideravelmente elevada nos Estados Unidos. Um

levantamento epidemiológico recente verificou que 8% das mulheres tinham

níveis de mercúrio mais altos do que o limite considerado ideal. Uma vez que

os humanos estão no topo da cadeia alimentar, qualquer quantidade de

mercúrio nos alimentos se acumula em nosso corpo”, disse Heileen.



Segundo a cientista, o estudo reforça a importância de direcionar pesquisas

e políticas de controle do mercúrio para a água salgada. Até hoje, a maior

parte dos esforços tem sido direcionada à presença do metal em água doce.



Atualmente, destaca Heileen, cientistas contam com tecnologia capaz de medir

com eficácia as concentrações de mercúrio na água do mar, que são menores –

e, portanto, mais difíceis de identificar – do que na água doce.



“Como o metilmercúrio não é quebrado pela luz solar na água do mar, sua vida

é muito maior ali do que na água doce”, disse. O mercúrio chega à água por

muitas rotas. As fontes mais importantes são a combustão de carvão, o refino

de ouro e de outros metais não ferrosos e erupções vulcânicas.



O artigo Photolytic degradation of methylmercury enhanced by binding to

natural organic ligands (doi: 10.1038/ngeo892), de Tong Zhang e Heileen

Hsu-Kim, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em



ess.com&url=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fnaturegeoscience&sref=http%3A%2F%2

Ffisicaequimicanocotidiano.wordpress.com%2F2010%2F06%2F29%2Fo-mercurio-hg-e-

mais-perigoso-no-mar%2F> http://www.nature.com/ngeo.



Física e Química no cotidiano

Prof. Adão Reinaldo Farias

http://fisicaequimicanocotidiano.wordpress.com/2010/06/29/o-mercurio-hg-e-ma

is-perigoso-no-mar/

Agência FAPESP –

Projeto Estaleiro Escola consolida a revitalização de embarcações

Embarcação no municipío de Guimarães/MA ( Foto: Edmilson Pinheiro)

A preservação de um dos mais tradicionais saberes populares do Maranhão, a construção de barcos artesanais de madeira, ameaçada de desaparecer, está sendo revitalizada com o funcionamento do Centro Vocacional e Tecnológico (CVT) Estaleiro Escola. O CVT Estaleiro Escola é vinculado à Universidade Virtual do Maranhão (Univima), setor da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnológico (Sectec).


A sede do Estaleiro Escola está instalada no Sítio Tamancão, às margens do rio Bacanga, no lado oposto ao Centro Histórico de São Luís, na área Itaqui-Bacanga. É um conjunto de prédios que formaram, no século XIX, uma indústria de beneficiamento de arroz para exportação que utilizava um singular sistema de aproveitamento do movimento das marés como forma de energia mecânica através de um engenhoso moinho de marés.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia, Lauro Andrade Assunção, a iniciativa tem total apoio do Governo do Estado pelo seu caráter de ineditismo. “É um trabalho de abrangência educativa, social, histórica, econômico e, sobretudo, cultural”, afirmou o secretário.
Em junho de 2009, o Ministério da Cultura indicou o CVT Estaleiro Escola para a lista das 10 melhores práticas de preservação e salvaguarda de conhecimentos tradicionais do Brasil junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Ao final de julho, o Estaleiro Escola entregou, totalmente restaurada, a Dinamar, uma típica embarcação maranhense, do tipo canoa costeira. Depois de muita luta, o trabalho conduzido por mestres em carpintaria naval e profissionais, como o engenheiro civil Luiz Phelipe Andrès, se transformou em uma realidade.
Por isso mesmo, a solenidade de entrega da canoa costeira Dinamar ao seu proprietário, Martinho Alves, neto de marinheiro, no fim de julho, no Sítio Tamancão, foi um marco importante na trajetória do Estaleiro Escola, na opinião de Phelipe Andrès. Foram seis meses de trabalho, envolvendo diversos técnicos e tendo à frente o mestre carpinteiro naval Otávionilson Nogueira.
Curso - No Estaleiro, funciona o Curso Técnico de Nível Médio em Construção de Embarcações Artesanais Maranhenses por meio de convênio firmado em 2007 entre o Governo do Estado e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
Conta também com biblioteca especializada e auditório equipado para vídeo conferências em tempo real. Painéis pedagógicos foram instalados ao lado de modelos navais tridimensionais para auxiliar na formação dos profissionais.
Por meio do curso, espera-se a divulgação da profissão de Técnico em Construção de Embarcações Artesanais Maranhenses. A meta é colocar no mercado de trabalho um profissional que garantirá a perpetuação da técnica, a geração de novos empregos e melhoria de renda para todos os profissionais envolvidos nas etapas de construção naval artesanal maranhense e o incentivo à criação de estaleiros-escola em outras regiões.
O curso começou com 120 alunos e dois professores, e se tornou logo uma atividade permanente da escola, pois novas turmas se revezarão a cada período.
Além da formação de profissionais da arte de construir embarcações de madeira, os resultados subsidiam aos demais projetos que visam à recuperação e intensificação das atividades de pesca e indústria naval.
Experiência de vida
Otávionilson Nogueira, 28 anos, é um dos mestres em construção artesanal que trabalham no Estaleiro Escola. Ele começou a aprender o ofício aos 9 anos, como ajudante em uma carpintaria naval no município de Cururupu, no litoral oeste do Maranhão.

A trajetória de Otávionilson Nogueira foi um pouco diferenciada na forma de transmissão de conhecimento, realizada de pai para filho. No caso dele, aprendeu quando foi morar com uma família de quatro irmãos carpinteiros, e um deles passou a ser seu pai de criação.


“Eles eram amigos de minha família”, contou. Para ele, o Estaleiro Escola é uma excelente iniciativa. “Muita boa para os carpinteiros, pois a gente estava um pouco esquecido e achamos que esse é caminho certo. Agora, está mais fácil valorizar a profissão”, comemorou Nogueira.
 
Por: O Esatdo do MA
http://imirante.globo.com

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Seminário Quilombolas e apresentação da Ong Reentrâncias em Bequimão/MA

CONVITE




                                                           Imagem 01: localização de Bequimão no estado

Local: STTR de Bequimão/MA

Período: 30 de Julho (sexta-feira) de 2010



Neste dia estarão reunidas no município de Bequimão/MA várias entidades, movimentos que atuam na região para tratar sobre as questões relativas as comunidades quilombolas e ambientais do município. Neste mesmo dia ocorrerá a apresentação da Ong Reentrâncias criada para articular e apoiar os movimentos, organizações e comunidades da região litoral norte do Maranhão numa perspectiva de fortalecimento das lutas populares.



Programação:



08:30 Abertura (STTR de Bequimão e Fórum Carajás)



09:00 Fala dos representantes das comunidades quilombolas



09:30 Políticas Públicas voltadas para as Comunidades Quilombolas (Terra e Direitos)

Palestrantes:


Maria Jose Palhano (ACONERUQ)

Prof. Saul Gutman (IFMA)

Ivan Rodrigues Costa (Centro de Cultura Negra)

Representante do INCRA



10:30-Debates



12:00 Almoço



14:00 Informes sobre Resex Itapetininga de Bequimão/MA

Representante do ICMBio



                              Imagem  02: Canoas no Rio Itapetininga em Bequimão/MA


14:30 Atuação do Poló Sindical na Baixada Ocidental Maranhense

Jose Raimundo Rodrigues e Lina Célia (Pólo Sindical da Baixada)

 
15:00 Apresentação da Reentrâncias à Comunidade Bequimãoense

Teresinho Alves (Coordenador) e Elton Carlos Araujo (Coordenador)



Momento Cultural
                                                      Imagem 03: Tambor de Crioula (Bequimão/MA)

15:30 Tambor de Crioula do Povoado Santa Rita

16:30 Dança do Boiadeiro do Povoado Ariquipá

17:20 Banda Musical “AMAS”



Realização: Reentrâncias, STTR de Bequimão, Fórum Carajás, Colônia de Pescadores Z-38, Comunidades Quilombolas de Bequimão

Apoio: Misereor

http://reentrancias-ma.blogspot.com/

www.forumcarajas.org.br

Arroz nos lagos de Viana

LÁ VEM O ARROZ, DE NOVO (e de velho)!


O belo Lago de Viana, desfigurado pela plantação de arroz no seu leito


O Governo do Estado está entregando 15 toneladas de sementes de uma nova variedade de arroz arariba para agricultores da Baixada Maranhense, incluindo Viana. A semente geneticamente melhorada, tem maior produtividade e resistência a uma das maiores doenças enfrentadas na região: a brusone de arroz. Que “diacho” é isso? Leia abaixo.

Brusone

“A brusone é a doença do arroz mais expressiva no Brasil, causando perdas significativas no rendimento das cultivares suscetíveis quando as condições de ambiente são favoráveis. A brusone ocorre em todo o território brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Amazonas. Os prejuízos são variáveis, sendo maiores em arroz de terras altas. Em condições favoráveis à doença, na Região Centro-Oeste brasileira, as perdas podem chegar até 100%.”

Em reportagem desta sexta feira, 09/07 no jornal O Estado do MA, o gestor regional da Agerp (Agência de Pesquisa Agropecuária) de Viana, Marlúcio Mendonça, explicou que a seleção dos agricultores beneficiados foi feita pela própria Agerp. “Essa semente vai dar um salto de produtividade do arroz produzido na região”, afirmou o gestor.


Piranhas X Arroz X Ratos X Cidadãos

Bom, não temos certeza se essas sementes são as mesmas que serão utilizadas no polêmico plantio de arroz no leito do lago de Viana. Se for, estamos diante de infinitas contradições, visto que o Lago de Viana é uma área de proteção ambiental e não deveria estar sofrendo essas agressões, inclusive com a anuência de um órgão estadual. Por outro lado, além de receber agrotóxicos nas plantações, o arroz de várzea (esse do Lago de Viana) é alvo de uma feroz disputa entre ratos e piranhas, predadoras nativas da nossa região. E, para o cidadão vianense que vai consumir, resta apelar para a sorte de não sofrer nenhuma doença por ter que engolir um alimento manipulado geneticamente, com suspeita de agrotóxicos e também com resquícios dos roedores que montaram acampamento nas plantações.
 
Por: Por Luiz Antonio Morais
http://vianensidades.blogspot.com

Ação beneficia 309 extrativistas da Baixada Maranhense

Trezentos e nove extrativistas dos campos naturais e áreas de várzeas do município de São João Batista, na Baixada Maranhense, recebem, nesta segunda-feira (26), o Termo de Autorização de Uso da terra para as atividades extrativistas e agropastoris, expedido pela Secretaria do Patrimônio da União no Maranhão.

A ação faz parte do Programa de Regularização Fundiária na Região dos Campos Naturais e Áreas de Várzeas da Baixada Maranhense, em áreas de domínio da União, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agrário (Sedagro). É viabilizado através de Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre a União, por meio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão/Superintendência do Patrimônio da União, com o Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agrário (Sedagro) e Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma).


O objetivo central do Programa é promover a cidadania das comunidades ribeirinhas tradicionais, em harmonia com o desenvolvimento sustentável, a partir de um instrumento inovador "o Termo de Autorização de Uso - que garante a segurança na posse da terra, fazendo cumprir a função socioambiental da propriedade.


Beneficiários


Os beneficiários desse projeto são as comunidades ribeirinhas tradicionais agroextrativistas e pastoris que ocupam as margens de rios e áreas de várzeas federais.


Principais benefícios:


1.Garantia na segurança da posse da área em que vivem e produzem;


2.Permite o acesso a linhas de créditos para o financiamento da produção, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Extrativismo) destinado aos extrativistas;


3.Inclusão em demais programas sociais.


4. Comprovante de residência oficial - As famílias extrativistas das regiões dos campos naturais e áreas de várzea da Baixada não têm um endereço reconhecido, um endereço identificado e cadastrado, e agora passam a ter uma residência fixa, um endereço oficial.


5. Auxílio no acesso à Aposentadoria Rural pelo INSS – com o Termo de Uso os trabalhadores rurais moradores dessas regiões da Baixada – campos naturais e várzeas passam a ter um documento comprobatório da profissão de extrativista e um endereço fixo de residência, necessários para obter a aposentadoria rural.


O Termo de Autorização de Uso contém as seguintes informações:


- Foto da moradia com a família na frente


- Localização geográfica: latitude e longitude

- Município

- Anotações do nome, profissão agroextrativista, número da Identidade, do CPF.
 
 
Por: Sedagro
www.maranhao.gov.br

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O Direito Humano à Água inunda ONU

A proposta de reconhecer o acesso à água como um direito universal básico poderia distanciar as nações ricas das pobres na Organização das Nações Unidas (ONU). A principal oposição parte das nações ocidentais, disse Maude Barlow, ativista e fundadora da Blue Planet Project, com sede no Canadá. “Esse país é o pior. Mas Austrália, Estados Unidos e Grã-Bretanha também entorpecem o processo”, afirmou. “Resisto a ver isto como uma questão Norte-Sul, mas começa a parecer muito que é”, acrescentou à IPS. Se a Assembleia Geral, de 192 membros, adotar a resolução, “será uma das coisas mais importantes já feitas pela ONU desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos”, afirmou Maude.



O rascunho de duas páginas, promovido pela Bolívia, reconhece “o direito humano a água e saneamento”. A versão final será apresentada ao presidente da Assembleia Geral, o líbio Ali Abdussalam Treki, no final deste mês, se superar os obstáculos políticos. “É algo muito importante para as nações em desenvolvimento”, disse à IPS um diplomata que não quis se identificar. É verdade que não há sustento legal para declarar o acesso a água e saneamento como um direito universal básico, ressaltou. “É preciso aperfeiçoar as questões de definição e alcance, mas já há um processo em Genebra para trabalhar a respeito na Assembleia Geral, acrescentou. “São assuntos importantes e devemos obter um consenso para esta resolução. Do contrário será jogado por terra a importância do acordo a que chegamos”, advertiu.


Quase dois bilhões de pessoas vivem em áreas com escassez e três bilhões não têm água corrente no raio de um quilômetro de suas casas, destacou Maude. Quando foi redigida a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, ninguém podia prever que chegaria o dia em que o acesso à água seria um problema, diz uma carta enviada por Maude aos representantes dos 192 membros da ONU. “Em 2010 não é exagerado dizer que a dificuldade de acesso a água potável é uma das piores violações dos direitos humanos”, acrescentou a ativista, que foi assessora do ex-presidente da Assembleia Geral no período 2008/09, o nicaraguense Miguel d’Escoto.


O Canadá freou os passos mais básicos para um reconhecimento internacional do acesso a água como direito universal e trabalhou nos bastidores para desbaratar as iniciativas com vistas à criação de um instrumento vinculante, afirmou Maude. Os funcionários canadenses não explicam sua posição, dizendo apenas que uma convenção desse tipo obrigaria o país a compartilhar seu recurso com os Estados Unidos. Mas é apenas uma desculpa e o governo de Stephen Harper sabe disso, acrescentou. Uma explicação melhor é que uma convenção da ONU atuaria como contrapeso de quem pretende vender a água com fins lucrativos, ressaltou.


Por sua vez, Ann-Mari Karlsson, do Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI) disse que a organização concorda “com a posição de especialistas independentes da ONU sobre o direito a água e saneamento serem parte de um padrão de vida adequado, direito já protegido no artigo 11 do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais”.


É importante que a resolução das Nações Unidas o deixe bem claro, ressaltou Ann-Mari, “o que não está fazendo”, acrescentou. Além disso, neste contexto, não se pode subestimar a importância do saneamento. O acesso a água e a disponibilidade do saneamento estão estreitamente vinculados, disse. Contudo, no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, se está mais longe de alcançar o primeiro do que o segundo, acrescentou. “Isso deveria se refletir na resolução”, acrescentou.


“Organizações locais e internacionais que lutam por justiça no acesso a água reclamam que as lideranças da ONU claramente reconheçam que se trata de um direito humano, como o saneamento”, disse, por sua vez, Anil Naidoo, também da Blue Planet Project. Anil trabalhou com a China e os 130 integrantes do Grupo dos 77 países em desenvolvimento para promover o rascunho da resolução. “Na medida em que se avança, reclamamos que o texto da resolução seja contundente e não deixe dúvidas a respeito de que a água e o saneamento são direitos humanos”, acrescentou.


“Não estamos contra a privatização como princípio. Nossa principal preocupação é que o Estado assuma sua responsabilidade de regular e supervisionar as atividades do setor privado para que todos tenham água potável e corrente e saneamento”, afirmou Ann-Mari à IPS. Não é relevante se o serviço é fornecido por uma empresa pública ou privada, mas que a água e o saneamento sejam considerados direitos humanos, insistiu.

Por: Thalif Deen, da IPS
http://mercadoetico.terra.com.br